A música que o The Who abandonou nos shows porque não conseguia parar de rir na hora de tocar
Por Bruce William
Postado em 05 de agosto de 2026
Pete Townshend levou muito a sério a criação de "Tommy". A ópera rock lançada pelo The Who em 1969 acompanhava um garoto traumatizado que se fecha para o mundo e mais tarde se transforma em uma espécie de líder espiritual.
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Dentro dessa história aparece "Christmas", faixa que contém o trecho "See me, feel me, touch me, heal me". Townshend pretendia expressar algo doloroso e profundo, mas não demorou a perceber que havia colocado a emoção para fora de maneira exageradamente literal.
"Nós não conseguimos mais tocá-la no palco sem rir", admitiu. "Mas, quando a escrevi, ela trouxe lágrimas aos meus olhos."
O compositor explicou que palavras normalmente funcionam melhor quando contornam uma emoção em vez de anunciá-la diretamente. Em "Christmas", acreditava ter feito justamente o contrário.
"Essa falha porque realmente sai e diz tudo", afirmou Townshend, segundo declaração reproduzida pela Far Out. Como grande parte de "Tommy" trabalhava com sugestões e acontecimentos indiretos, ele sentiu necessidade de chegar ao ponto em alguns momentos.
A autocrítica não diminui o peso do álbum, mas revela que Townshend não tratava cada verso da obra como uma escritura intocável. Mesmo pouco tempo depois do lançamento, já conseguia enxergar onde sua ambição havia passado da medida.
Para uma música originalmente capaz de fazê-lo chorar, "Christmas" teve um destino bastante inesperado: acabou praticamente aposentada porque seus próprios autores não conseguiam executá-la com a seriedade exigida.
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