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A canção polêmica dos anos 80 que Roger Waters destacou entre as melhores

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Postado em 23 de junho de 2026

Roger Waters nunca pareceu o tipo de artista disposto a tratar o rock como simples passatempo. No Pink Floyd e depois em carreira solo, ele levou a linguagem para perto do teatro, da crítica política, do cinema, da arquitetura de palco e da confissão amarga. Por isso, quando resolveu escrever uma ópera, muita gente podia imaginar que ele estivesse deixando o rock para trás por considerá-lo esgotado.

Roger Waters - Mais Novidades

Foto: YouTube Oficial
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Em entrevista publicada pela revista Word em outubro de 2005, Waters foi questionado justamente nessa linha. A pergunta sugeria que talvez ele visse o rock como cansado, derivativo, sem muito mais a oferecer. A resposta desmontou a ideia. Ele disse que não estava entediado, nem descrente da música popular. O ponto era outro: sua relação com a canção sempre foi mais funda e antiga do que o mercado pop do momento.

"Não, de jeito nenhum. Nada disso! Eu simplesmente nunca fui consumido pela música popular. Quer dizer, Elvis me acendeu como acendeu todo mundo, mas meu interesse vai lá para o começo do século 20, para Leadbelly, para as primeiras canções de protesto na beira do blues, que é onde o melhor do rock and roll ainda vive."

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Waters citou Bessie Smith, Leadbelly e Neil Young para mostrar que, em sua cabeça, o rock continuava ligado a uma tradição de narrativa, tensão social e emoção direta. Ele também mencionou John Prine, John Lennon e Leonard Cohen como compositores que considerava necessários por perto. Não era uma lista montada para soar moderna; era uma espécie de mapa afetivo e artístico.

Quando a entrevista avançou para músicas mais novas em relação a essas referências de formação, Waters foi econômico. Disse que havia "uma ou duas" canções dos 20 anos anteriores que o haviam marcado. Citou "Everybody Hurts", do R.E.M., chamando a música de "fenomenal", lembrou "One Headlight", dos Wallflowers, e também destacou "Every Breath You Take", de Sting.

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A escolha chama atenção porque "Every Breath You Take", lançada pelo The Police em 1983, é uma das canções mais ambíguas do pop daquele período. Sua melodia elegante e o arranjo contido ajudaram muita gente a ouvi-la como balada romântica. Só que a letra, vista de perto, fala menos de amor correspondido e mais de vigilância, posse e obsessão. É o tipo de música que entrou em casamentos antes de muita gente perceber que havia algo bem desconfortável ali.

Waters não desenvolveu longamente o comentário sobre a faixa, mas sua admiração faz sentido dentro do repertório que ele costuma valorizar. "Every Breath You Take" tem uma simplicidade quase hipnótica, uma ideia central forte e uma camada sombria por baixo da superfície bonita. É pop de alcance gigantesco, mas com uma sombra moral que impede a música de ser apenas agradável.

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Na mesma entrevista, Waters também explicou como gostaria de ser lembrado. Citou "The Dark Side of the Moon", "The Wall" e "Amused to Death", mas não parou nos discos. Para ele, uma parte importante de sua contribuição foi ter pensado o rock de arena como teatro, juntando música e elementos visuais para tornar a experiência mais física, mais intensa.

"Gostaria de ser lembrado por ter uma visão do rock de arena como teatro, por desenvolver o casamento entre elementos visuais e música para tornar a experiência do rock and roll mais visceral. Acho que gostaria de ser lembrado por ter deixado minha marca na página sem medo de fracasso ou represália."

É uma resposta que ajuda a entender por que "Every Breath You Take" podia interessá-lo. Waters sempre lidou bem com canções em que a beleza externa esconde algo incômodo por dentro. No caso do Police, a melodia seduz, mas a narrativa aperta. Talvez seja justamente essa tensão que tenha feito a música permanecer tão forte: ela soa familiar, quase doce, enquanto descreve uma forma de controle que pouca gente gostaria de receber na vida real.

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Para Waters, o rock não precisava ser novo por calendário. Precisava ter peso. Podia vir do blues antigo, de Neil Young, de Leonard Cohen, do R.E.M. ou de um hit mundial dos anos 80. O que importava era a capacidade de uma canção carregar sentimento, história e desconforto sem precisar explicar demais o próprio valor.

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Sobre Bruce William

Quando Socram chegou no Whiplash.net era tudo mato, JPA lhe entregou uma foice e disse "go ahead!". Usou vários nomes, chegou a hora do "verdadeiro". Nunca teve pretensão de se dizer jornalista, no máximo historiador do rock, já que é formado na área. Continua apaixonado por uma Fuchsbau, que fica mais linda a cada dia que passa ♥. Na foto com a Melody, que já virou estrelinha...
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