O grupo feminino que Roger Waters despreza por considerar o fundo do poço do gosto musical
Por Bruce William
Postado em 08 de julho de 2026
Roger Waters nunca foi exatamente conhecido por suavizar opiniões. Ao longo da carreira, o ex-Pink Floyd criticou governos, guerras, colegas de profissão, a indústria musical e praticamente qualquer coisa que lhe parecesse vazia, fabricada ou vendida como rebeldia de vitrine. Em uma entrevista publicada pela Mojo em 2003, essa mira também passou pelo pop dos anos 1990.
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Na conversa, Waters foi questionado sobre o punk e disse que o movimento passou quase batido por ele. O músico afirmou que nunca ouviu muita música porque estava ocupado fazendo a própria, e chegou a dizer que provavelmente não reconheceria The Clash no rádio. Já Malcolm McLaren e os Sex Pistols lhe pareceram, nas palavras dele, uma mistura de pose vazia e cinismo.
O entrevistador então perguntou se Waters tinha notado as Spice Girls. A resposta mostrou que, mesmo sem acompanhar tão de perto a música pop, o grupo havia atravessado sua bolha. Ele lembrou que sabia da existência de nomes como Scary e Posh, justamente porque a banda tinha conseguido penetrar em sua consciência.
Mas o reconhecimento parou aí. "Elas eram absolutamente o menor denominador comum do gosto musical e de todos os outros gostos", disse Waters, em uma das frases mais duras da entrevista.
A declaração veio dentro de uma crítica mais ampla ao modo como ele enxergava certos ícones pop associados ao discurso de "girl power" ou feminismo moderno. Waters citou Madonna no mesmo raciocínio e afirmou que, para ele, aquilo não trazia nada de realmente novo ou poderoso, mas apenas uma forma de transformar imagem e sexualidade em dinheiro.
É uma fala que combina com o Waters mais amargo: política, atravessada, pouco preocupada em agradar e cheia de julgamento sobre cultura de massa. O texto não precisa comprar a opinião dele para reconhecer o peso da frase. Para o músico, as Spice Girls eram menos um fenômeno artístico e mais um produto muito bem embalado para vender atitude, desejo e identidade.
A entrevista deixa claro que Waters até podia não acompanhar cada nova tendência musical, mas continuava atento ao que considerava sintoma de uma indústria guiada por pose e mercado. E, naquele raciocínio, as Spice Girls acabaram virando um dos exemplos mais claros dessa engrenagem.
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