A banda que explodiu nos anos 90 e fez Robert Plant pensar em desistir
Por Bruce William
Postado em 17 de junho de 2026
Robert Plant passou boa parte da carreira solo tentando escapar da sombra que ele próprio ajudou a criar. Depois do fim do Led Zeppelin, recusou-se a passar décadas apenas reconstruindo o personagem de cabelos compridos, peito aberto e voz estratosférica que dominara os anos 1970. Mudou de músicos, flertou com novas tecnologias, revisitou folk, blues, música africana e americana, mas houve um momento em que uma banda mais jovem o fez pensar que talvez sua época simplesmente tivesse acabado.
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Essa banda era o Radiohead. Plant os assistiu no final dos anos 1990, quando o grupo já havia deixado de ser apenas o autor de "Creep" e atravessava o impacto de "OK Computer". O que chamou sua atenção não foi uma tentativa de atualizar o Led Zeppelin ou repetir algum outro nome consagrado. Thom Yorke, Jonny Greenwood e companhia pareciam trabalhar dentro de uma lógica própria, sem prestar contas ao passado.
"Gostei do fato de que a banda era dona de si mesma, como Page e eu éramos", disse Plant, em fala publicada na Far Out. "Podíamos fazer o que quiséssemos e, por algum motivo, aquilo funcionava. O mundo aceitou. Conforme avançavam, não faziam grande esforço para imitar qualquer coisa que tivesse vindo antes - era um fluxo natural de composição e habilidade."
Aquela independência lhe era familiar. O Led Zeppelin também havia crescido sem aceitar muitos limites externos, gravando faixas acústicas, longas improvisações, hard rock, folk e arranjos monumentais sem pedir autorização à moda do momento. A diferença estava na linguagem. O Radiohead não dependia dos gestos que Plant conhecia tão bem: o solo colocado no centro da música, o vocal como demonstração física e a herança do blues conduzindo quase tudo.
Plant recordaria especialmente a maneira como Jonny Greenwood lidava com a guitarra. Em vez de avançar para a frente do palco e assumir a pose tradicional do solista, o músico se ajoelhou diante dos pedais e começou a produzir ruídos e texturas. Para alguém vindo de um mundo em que Jimmy Page transformava o solo num acontecimento teatral, aquela cena indicava que outra geração havia encontrado uma forma diferente de usar o mesmo instrumento. "Quando vi o Radiohead, pensei: bem, talvez eu já não pertença mais a esse jogo", admitiu Plant.
A reação não o levou a abandonar a música. Pouco depois, ele aprofundaria justamente a busca por caminhos que não dependessem da repetição do Led Zeppelin. Em vez de competir com o Radiohead ou tentar parecer contemporâneo à força, aproximou-se ainda mais de tradições antigas, repertórios pouco óbvios e parceiros capazes de deslocá-lo de sua zona conhecida.
O encontro serviu menos como sentença de aposentadoria do que como aviso. Plant percebeu que aquilo que havia sido revolucionário em sua juventude já podia funcionar como vocabulário herdado, repetido por centenas de bandas. Diante do Radiohead, não encontrou discípulos tentando ocupar o lugar do Zeppelin. Encontrou músicos que faziam parecer que aquele lugar já nem existia mais.
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