Eddie Van Halen gostaria de ter trabalhado com Michael Jackson novamente
Por João Renato Alves
Postado em 16 de agosto de 2026
Em 2012, quando o álbum "Thriller" completou 30 anos, Eddie Van Halen concedeu rara entrevista à CNN falando sobre sua colaboração com Michael Jackson em "Beat it". Inicialmente, o guitarrista lembrou ter desconfiado se tratar de um trote quando o produtor Quincy Jones telefonou para seu estúdio.
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"Soltei os cachorros nele. Mandei logo: 'O que você quer, seu filho da puta?' E ele respondeu: 'É o Eddie?' Disse: 'É, o que diabos você quer?' 'Aqui é o Quincy.' Pensei comigo mesmo: 'Não conheço ninguém chamado Quincy.' Aí ele disse: 'Quincy Jones, cara.' Eu: 'Ahhh, desculpa!' (Risos) Perguntei: 'O que posso fazer por você?' E ele disse: 'Que tal vir tocar no novo disco do Michael Jackson?' E eu pensando: 'Certo, 'ABC, 1, 2, 3' e eu. Como é que isso vai funcionar?' Ainda não tinha 100% de certeza de que era ele. Então disse: 'Quer saber? Te encontro no seu estúdio amanhã'. E não é que, quando cheguei, lá estavam Quincy, Michael Jackson e os engenheiros de som?"
Eddie lembrou que Jones não deu qualquer direcionamento sobre o que desejava para a faixa. "O Michael saiu para ir ao outro lado do corredor gravar uma narração infantil - acho que era algo relacionado ao filme 'E.T.' ou algo do tipo. Então perguntei ao Quincy: 'O que você quer que eu faça?' E ele respondeu: 'O que você quiser.' Eu disse: 'Cuidado ao falar isso. Se você sabe alguma coisa sobre mim, tome cuidado ao dizer 'faça o que quiser'!'"
Sendo assim, o guitar hero deixou fluir seu instinto. "Ouvi a música e logo perguntei: 'Posso mudar algumas partes?' Virei-me para o engenheiro de som e instruí: 'Certo: a partir daquela pausa, insira este trecho, passe para aquela parte, vá para o pré-refrão, depois para o refrão e finalize.' Ele levou uns 10 minutos para montar a estrutura e então improvisei dois solos sobre ela."
E se alguém pode imaginar que o Rei do Pop ficaria bravo, o impacto foi justamente o contrário. "Eu estava justamente terminando o segundo solo quando o Michael voltou. E você sabe, artistas são meio malucos. Somos todos um pouco estranhos. Eu não sabia como ele reagiria ao que estava fazendo. Então, avisei-o antes de ele ouvir. Disse: 'Olha, mudei a parte do meio da sua música'. Na minha cabeça, ou ele mandaria os seguranças me expulsarem por ter estragado ou gostaria do resultado. Ele ouviu, virou-se para mim e disse: 'Uau, muito obrigado por ter a paixão não apenas de chegar e tocar um solo frenético, mas de realmente se importar com a música e torná-la melhor'. Ele era um gênio musical com uma inocência infantil. Um profissional exemplar e uma pessoa adorável."
Questionado sobre a reação dos outros membros do Van Halen, Eddie não deu muita importância. "Eu simplesmente disse: 'Você sabe... (encolhe os ombros) me chamaram!' 'Dave, você estava fora do país!' 'Al, você não estava por perto!' Eu não ia ligar para ninguém pedindo permissão. Infelizmente, 'Thriller' impediu que nosso álbum, '1984', chegasse ao primeiro lugar. Estávamos prestes a alcançar o topo quando Michael queimou o cabelo naquele comercial da Pepsi - se é que você se lembra disso. E, bum, ele foi direto para o primeiro lugar de novo!"
A seguir, o guitarrista destacou que nenhum disco lançado após "Thriller" teve o mesmo impacto na indústria. Quando o entrevistador citou "Nevermind", do Nirvana, o irmão de Alex discordou. "Não foi a mesma coisa em termos de alcançar o grande público. O Nirvana foi gigante, mas não era o tipo de música que chega a todas as pessoas. Pergunto-me o que Michael estaria fazendo hoje caso ainda estivesse vivo. Teria sido divertido trabalhar com ele novamente."
Eddie concluiu contando uma história engraçada da época. "Nunca vou esquecer de quando a Tower Records (cadeia de lojas de discos) ainda funcionava aqui em Sherman Oaks. Eu estava comprando alguma coisa e tocava 'Beat It' no sistema de som da loja. O solo começou e ouvi uns garotos à minha frente comentando: 'Escuta só esse cara tentando imitar o Eddie Van Halen'. Dei um tapinha no ombro dele e disse: 'Sou eu mesmo!' Foi muito engraçado."
Michael e Eddie só tocaram "Beat it" juntos ao vivo em uma ocasião. Ela aconteceu durante um show da turnê "Victory", do The Jacksons, dia 13 de julho de 1984. A apresentação foi realizada no Texas Stadium, em Dallas, Estados Unidos. Filmagem da performance pode ser conferida no player abaixo.
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