Andreas Kisser explica por que arte e cultura são as primeiras a sofrer no fascismo
Por Bruce William
Postado em 16 de agosto de 2026
Andreas Kisser colocou arte e cultura no centro de uma discussão sobre regimes autoritários durante uma nova entrevista ao The Adventures Of Pipeman. Ao falar sobre fascismo e ditaduras, o guitarrista do Sepultura afirmou que manifestações artísticas costumam estar entre os primeiros alvos porque têm capacidade de transformar a maneira como as pessoas pensam e enxergam a própria realidade.
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"É por isso que eles têm medo da arte e da cultura. Em um governo fascista ou em uma ditadura, os primeiros a sofrer são as artes - cinemas, música, pinturas, poemas, textos de jornais, livros e assim por diante", disse Kisser, em declaração transcrita pelo Blabbermouth. "Por que queimam livros? Porque eles mudam as pessoas."
O músico também relacionou esse processo à experiência individual proporcionada pela arte. "Ela toca você de uma maneira muito única. É um processo de autoconhecimento, olhar para uma pintura ou pintar você mesmo, ouvir música, qualquer forma de arte. Isso ajuda no autoconhecimento e na evolução pessoal."
Kisser então apresentou sua própria conclusão sobre por que governos autoritários tentariam limitar esse tipo de expressão: "É por isso que as pessoas têm medo. Porque querem que sejamos estúpidos para poder nos controlar. Dividir para conquistar."
Em outro momento da conversa, o guitarrista falou sobre o heavy metal como uma comunidade que considera inclusiva. Citou a presença de mulheres, diferentes religiões, orientações sexuais e posições políticas, além de lembrar a maneira como Rob Halford, do Judas Priest, foi recebido pelos fãs depois de tornar pública sua homossexualidade.
"A comunidade do heavy metal é uma família linda. Muito inclusiva", afirmou. Kisser também citou Derrick Green, vocalista negro do Sepultura, e lembrou que a banda passou por mais de 80 países ao longo da carreira. Para ele, a música conseguiu abrir portas independentemente de política, religião ou regimes de governo.
Posições políticas desse tipo não são novidade nas declarações de Andreas Kisser. Em 2020, ele criticou o avanço de movimentos de direita em diferentes países e disse que períodos políticos turbulentos também podem alimentar a produção artística, citando o crescimento do punk e do thrash metal durante os anos de Ronald Reagan nos Estados Unidos. Dois anos depois, em entrevista ao The Aquarian Weekly, fez críticas duras ao então presidente brasileiro Jair Bolsonaro e a questões envolvendo direitos humanos, meio ambiente e políticas públicas.
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