O álbum que Mark Knopfler gravaria de graça só para tocar perto de um de seus ídolos
Por Bruce William
Postado em 07 de outubro de 2026
Em 1990, Mark Knopfler já havia chegado a um ponto da carreira em que não precisava aceitar qualquer trabalho por dinheiro. O Dire Straits tinha vendido milhões de discos, "Brothers in Arms" havia virado fenômeno mundial e ele podia escolher com bastante liberdade onde investir tempo e energia.
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Foi nesse cenário, explica a Far Out, que surgiu "Neck and Neck", álbum gravado ao lado de Chet Atkins, um dos guitarristas que Knopfler admirava desde muito antes da fama. A oportunidade significava tanto para ele que dinheiro praticamente saiu da equação. "Recusei pagamento pelo álbum, embora ache que no final dividimos os royalties pela metade."
Knopfler explicou que Atkins não tinha orçamento para pagar cachês enormes aos músicos e que isso não fazia diferença para ele. "Eu já tinha ganhado dinheiro suficiente com música. Estava simplesmente feliz por ter sido convidado." Segundo o guitarrista, boa parte do trabalho aconteceu no estúdio caseiro de Atkins, com apenas alguns dias passados em um estúdio convencional.
A parceria também funcionava como uma espécie de aula particular para Knopfler. Ele dizia que tocar com Atkins e outros músicos daquele nível ajudava a ampliar sua própria linguagem. "Você está sempre aprendendo quando toca com bons músicos. Gosto da ideia de mudança; não quero ficar parado."
"Neck and Neck" misturou country, blues e jazz e rendeu à dupla reconhecimento além da curiosidade em torno do encontro. "Poor Boy Blues" venceu o Grammy de Melhor Colaboração Vocal Country, enquanto "So Soft Your Goodbye" levou o prêmio de Melhor Performance Instrumental Country. Para Knopfler, porém, o principal ganho estava antes de qualquer prêmio. Chet Atkins havia sido uma referência desde sua formação como guitarrista, e trabalhar ao lado dele representava a chance de observar de perto alguém que ajudara a construir boa parte do vocabulário que ele próprio absorvera anos depois. Essa admiração já apareceu diversas vezes em entrevistas ao longo da carreira.
No caso de "Neck and Neck", portanto, a conta era simples: Knopfler já tinha dinheiro suficiente e preferia receber outra coisa em troca - alguns dias tocando ao lado de um dos músicos que ajudaram a definir a forma como ele enxergava a guitarra.
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