O clássico do U2 que foi criado a partir do riff de outra banda
Por Bruce William
Postado em 07 de outubro de 2026
"Bullet the Blue Sky" é uma das músicas mais pesadas e agressivas do U2, mas sua origem começou com The Edge tentando fazer algo bem menos grandioso: reproduzir um riff que havia ouvido em uma música do The Fall. A tentativa não saiu como planejado, e foi justamente daí que nasceu uma das peças centrais de "The Joshua Tree", lançado em 1987.
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A história remonta a uma jam no STS Studios, em Dublin, antes das sessões principais do álbum, conta a Far Out. The Edge estava ouvindo The Fall e tentou imitar uma passagem de guitarra da banda inglesa, mas acabou chegando a uma ideia própria, que descreveu como rápida e bastante agressiva. Adam Clayton e Larry Mullen Jr. entraram em seguida, tocando de uma maneira bem diferente daquilo que o guitarrista tinha imaginado.
The Edge chegou a se irritar durante a jam, principalmente porque Clayton estava tocando em outra tonalidade e a seção rítmica seguia por um caminho inesperado. Ele cogitou interromper tudo, mas a banda continuou. Quando ouviram a gravação depois, perceberam que havia algo ali. A primeira versão ainda era bem diferente da definitiva, descrita pelo guitarrista como mais crua e próxima de um funk pesado.
A música ficou de lado por algum tempo até Brian Eno insistir que aquele "riff sem casa" merecia ser aproveitado. Daniel Lanois também teve papel importante na transformação daquela jam em uma faixa propriamente dita, trabalhando na estrutura e na sonoridade durante as sessões de "The Joshua Tree".
O outro ingrediente decisivo veio de Bono. Depois de viajar por Nicarágua e El Salvador e testemunhar de perto os efeitos dos conflitos e da intervenção americana na região, ele voltou profundamente impressionado. Segundo o relato que se tornou parte da história da música, Bono pediu a The Edge: "Coloque El Salvador através do seu amplificador."
A combinação funcionou. O riff que começou com The Edge tentando seguir uma ideia do The Fall acabou servindo de base para uma das faixas mais sombrias de "The Joshua Tree". E a conexão fica ainda mais curiosa porque Mark E. Smith nunca demonstrou grande simpatia pelo U2: anos depois, em "A Past Gone Mad", chegou a ironizar abertamente a banda irlandesa.
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