Roger Glover explica porque o Deep Purple é contra turnês de despedida e shows com hologramas
Por Bruce William
Postado em 02 de julho de 2026
O Deep Purple já passou da idade em que muita banda estaria preparando discurso de encerramento, caixa comemorativa e turnê final com data marcada para a lágrima coletiva. Mas Roger Glover não parece muito interessado nesse tipo de ritual. Para o baixista, uma despedida oficial simplesmente não combina com a forma como o grupo enxerga a própria história.
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Em entrevista exclusiva à Far Out, Glover falou sobre o assunto às vésperas do lançamento de "Splat!", 24º álbum de estúdio do Deep Purple, previsto para 3 de julho. Mesmo com integrantes na casa dos 80 anos, a banda segue com turnê marcada e, segundo ele, sem vontade de transformar o próprio fim em campanha publicitária.
A ideia de uma última turnê chegou a ser discutida anos atrás, quando Steve Morse ainda estava no grupo. Glover contou que o guitarrista sugeriu anunciar uma turnê final e sair de cena "por cima". A proposta, porém, não empolgou o restante da banda. "Isso não caiu particularmente bem com o resto de nós, porque não queremos fazer isso, mas foi por isso que começamos a chamar a turnê de 'The Long Goodbye'."
O nome acabou virando uma espécie de piada prolongada. Glover disse que a banda pensava que o adeus estava logo ali, "mas aquela esquina ficou há muito tempo para trás". O Deep Purple continuou tocando, gravando e seguindo em frente, sem transformar a possibilidade do fim em promessa solene.
Ao comentar outras bandas clássicas que anunciam grandes despedidas, Glover foi cuidadoso, mas não deixou de marcar posição. "Se qualquer outra pessoa quiser fazer isso, para mim é meio que uma coisa barata de publicidade. Se tem emoção e se é bom para eles, tudo bem. Não posso argumentar contra. Simplesmente não funcionaria para nós."
O baixista também descartou outro caminho que vem ganhando espaço entre artistas veteranos: shows com hologramas ou avatares. Abba já fez sucesso com o espetáculo "Voyage", e o Kiss também trabalha com versões digitais da banda. Glover, porém, não vê o Deep Purple nesse terreno. "É como uma coisa de merchandising. O que você pode vender com isso? Sim, não há nada errado em ganhar dinheiro. Não sou contra isso. É só que, de alguma forma, parece meio cafona."
A posição não significa que o Deep Purple despreze dinheiro, nostalgia ou o próprio passado. A banda vive justamente de uma história gigantesca, construída com discos, formações diferentes e clássicos que atravessaram décadas. O ponto de Glover é outro: para ele, a despedida programada e o holograma parecem artificiais demais para um grupo que ainda prefere subir ao palco de carne e osso.
No fim, a filosofia do Deep Purple parece simples. Enquanto der para tocar, eles tocam. Quando não der mais, talvez simplesmente parem. Sem contagem regressiva grandiosa, sem avatar eterno, sem transformar o adeus em produto premium. Para uma banda que sempre viveu de volume real, a despedida também teria que ser real.
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