O clássico do The Who que deixava Roger Daltrey puto por um motivo bem específico
Por Bruce William
Postado em 25 de setembro de 2026
"Won't Get Fooled Again" tem tudo que se espera do The Who em sua fase mais monumental: sintetizadores hipnóticos, Keith Moon atropelando a bateria, Pete Townshend construindo tensão durante mais de oito minutos e Roger Daltrey guardando para o momento certo um dos gritos mais famosos do rock. O problema começou quando alguém decidiu que aquilo precisava caber no formato tradicional de um single.
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A faixa encerra "Who's Next", lançado em agosto de 1971, e nasceu durante o conturbado desenvolvimento de "Lifehouse", projeto ambicioso de Townshend que acabou abandonado. A versão completa passou dos oito minutos, mas "Won't Get Fooled Again" também foi lançada como single em junho daquele ano, numa edição drasticamente reduzida. O próprio site oficial do The Who identifica aquela edição simplesmente como "Single Edit".
Roger Daltrey nunca escondeu quanto detestava a mutilação. Em declaração à revista Uncut, relembrada ao longo dos anos em textos sobre a música, ele foi bastante claro: "Eu odiava quando cortavam. Eu dizia: 'Foda-se, lancem os oito minutos'". Segundo o vocalista, sempre surgia alguma justificativa envolvendo espaço no disco ou limitações técnicas da prensagem.
A irritação não era apenas por causa daquela música. Daltrey contou que episódios desse tipo fizeram o The Who perder gradualmente o interesse pelo mercado de singles. A banda já trabalhava com composições maiores e estruturas que não obedeciam mais à velha obrigação de entregar tudo em três minutos, enquanto a indústria continuava tentando encaixá-las nesse formato.
A versão curta, entretanto, cumpriu sua missão comercial, releva a Far Out. Lançado em 25 de junho de 1971 no Reino Unido, o single chegou ao nono lugar da parada britânica; nos Estados Unidos, saiu em julho e alcançou o Top 20. Décadas depois, é a gravação integral que se consolidou como referência e permanece no encerramento de "Who's Next".
Talvez Daltrey tivesse razão em ficar bravo. Cortar "Won't Get Fooled Again" significava justamente mexer naquilo que faz a música crescer: a longa construção instrumental que desemboca no grito do vocalista e no célebre desfecho. Transformá-la numa faixa de três minutos podia facilitar a vida das rádios, mas tirava boa parte do caminho até a explosão.
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