A influência de Andre Matos em Andreas Kisser, segundo o próprio
Por Gustavo Maiato
Postado em 01 de setembro de 2026
Andreas Kisser não sabe precisar o dia em que apertou a mão de Andre Matos pela primeira vez. O que ficou registrado na memória do guitarrista do Sepultura é bem anterior a qualquer aperto de mão: o nome do vocalista chegou até ele pelo boca a boca da cena paulista, nos primeiros anos do Viper, quando o próprio Kisser ainda era um adolescente sem instrumento nas mãos.
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"Cara, quando eu conheci o Andre pessoalmente, eu não me lembro. O que eu lembro de ter ouvido falar de Andre Matos foi na época do Viper, quando eu nem tinha banda ainda, nem sabia tocar, tava começando a ouvir o lance de heavy metal", disse ele em depoimento publicado no canal do documentário Andre Matos - Maestro do Rock.
O Viper divulgava suas apresentações nos colégios e ocupava teatros com estrutura de iluminação num tempo em que quase nenhuma banda brasileira do gênero conseguia algo parecido. Kisser nunca chegou a ver o grupo ao vivo, mas o efeito à distância bastou para reprogramar o que ele achava possível.
"Para mim era uma coisa sensacional ver esses moleques da minha idade fazendo show. Para mim era uma coisa impossível de conseguir. Eu vi os caras anunciando o show nos colégios, em alguns teatros, e já com aquela coisa de iluminação. Eu nunca tive oportunidade de ver ao vivo, mas aquilo me influenciou muito a realmente ver que era possível fazer banda", contou.
Fundado em Santo André, o grupo se tornou a principal referência de metal melódico do país antes mesmo de a cena nacional ganhar corpo, e o guitarrista recorre a uma comparação que dispensa nota de rodapé para explicar o tamanho daquilo. "E o Viper era o Iron Maiden do Brasil. Andre Matos tinha aquela coisa do Bruce Dickinson, e sempre cantou muito bem, a técnica dos caras tocando e tudo. Tanto é que muito cedo o Viper já chamou atenção internacional também, até antes do Sepultura, inclusive", afirmou Kisser.
Natural do ABC paulista, o guitarrista lembra que a distância física e a ausência de qualquer comunicação instantânea faziam da cena um clube fechado, sustentado por lojas que funcionavam como ponto de encontro e por selos independentes como a SP Metal. "Naquela época São Paulo era longe, o mundo era um pouquinho mais afastado. É muito difícil explicar hoje em dia como é que era um mundo sem internet, sem essa coisa diária de Twitter e WhatsApp. A comunidade na verdade era muito pequena, então as notícias corriam rápido. Tinha Woodstock, tinha Stone, que tinha as camisetas, que a galera fazia fila para pegar. Então essa comunidade se conhecia", relatou.
Os encontros pessoais só vieram anos depois, quando os dois já dividiam bastidores, festas de gravadora e o gramado sintético do Rock Gol, programa esportivo da MTV Brasil que virou ponto de convivência entre músicos nos anos 90. "Eu encontrei o Andre, obviamente, em shows, em backstage, festas da MTV, principalmente Rock Gol, que a gente jogou várias vezes juntos, inclusive o nosso time ganhou do time do Andre, que também era muito zoado pelos comentaristas. E todas as vezes que eu encontrei com o Andre foi sempre muito tranquilo, sabe? Eu nunca senti aquela coisa de competição", disse.
Corintiano declarado, Matos também servia de alvo fácil nas provocações futebolísticas do amigo, que costumava contrapor o time do coração ao repertório de idiomas do vocalista. A brincadeira, porém, convivia com um reconhecimento que Kisser faz questão de registrar - inclusive o de que o Sepultura deve ao vocalista a descoberta de Eloy Casagrande.
"Era um cara superinteligente, mano, que falava várias línguas e tinha um conhecimento musical, teórico, e também de estrada. A gente tem que agradecer o Andre Matos pelo Eloy Casagrande também, que é um cara que deu a primeira chance a esse músico excepcional", declarou.
Confira o vídeo completo abaixo.
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