Rock Progressivo 2016: 27 álbuns do primeiro semestre que merecem atenção

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Por Tiago Meneses
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O primeiro semestre de 2016 foi bastante agitado no meio do Rock Progressivo. Grandes estreias, bandas surpreendendo, outras se consolidando, mas acima de tudo, um desfile de bom gosto musical. Ainda que 27 álbuns seja uma pequena quantidade do que aconteceu até aqui, eles servem como um apanhado da diversificação sonora apresentada pelos seus artistas e bandas. Não quis citar na lista discos ao vivo, coletâneas, EPs ou qualquer formato que não fossem o álbum oficial de estúdio, por isso não menciono trabalhos como o EP "4 1/2" do STEVEN WILSON ou o "The Total Experience Live In Liverpool" do STEVE HACKETT, que apesar de serem ótimos, fogem da ideia da lista. A ordem com que os discos são citados em nada tem a ver com melhor para o pior. E por último, cito apenas os álbuns oficialmente lançados e não vazados, sendo assim, mesmo que tenham escutado um disco como o "Fheories of Flight" da FATES WARNING, o lançamento oficial é do dia 1 de Julho, por tanto, disco pra figurar na lista do segundo semestre.

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BIG BIG TRAIN - FOLKLORE

É inegável que a BIG BIG TRAIN está na sua melhor fase. Desde "The Underfall Yard" (2009), passando por "English Electric - Part1" (2012) e "English Electric - Part2" (2013) e agora em seu mais novo álbum, "Folklore", que a banda segue em um nível musical impressionante. Não digo que é um trabalho revolucionário, mas pode ser visto como evolutivo, não é um disco com musicas intrincadas, mas tendem a crescer no ouvinte a cada audição devido a beleza e bom gosto com que são construídas, revelando cada vez mais suas qualidades mais profundas, transformando o álbum em algo sublime.

LEE ABRAHAM - THE SEASON TURNS

Sempre que estou diante do mais novo trabalho de um artista, torço pra que ele tenha se superado, não só mantido suas principais características, mas a trazendo a tona de forma mais inspirada. LEE ABRAHAM tem feito isso na sua carreira e parece que sua passagem pela banda de Neo-Prog , GALAHAD, onde tocou baixo no maior clássico da banda, "Empires Never Last", ajudou a enriquecer sua forma de compor. Na sua carreira solo o músico toca é guitarra e teclado. "The Seasons Turns" carrega uma grande musicalidade, harmonias e melodias impressionantes sob belos vocais. Tem desde linda balada a um maravilhoso épico com mais de 24 minutos.

AIRBAG - DISCONNECTED

Impressionante a riqueza das composições desse álbum. Em seu quarto trabalho, os noruegueses da AIRBAG seguem com uma musicalidade rica, vibrante e moderna. Com influências que variam desde o clássico como PINK FLOYD passando pelo moderno do ANATHEMA, mas sempre com um trabalho final que resulta em uma banda com cara própria. É sempre bom poder ouvir um álbum onde não existe um destaque e todas as faixas se nivelam por alto. "Disconnected" pode ser visto com um disco conceitual já que todas as músicas abordam como tema a alienação entre indivíduo e sociedade. Um dos melhores álbuns de progressivo do ano com toda certeza.

GANDALF'S FIST - THE CLOCKWORK FABLE

Um disco conceitual e triplo com mais de três horas e dez de duração. Suas músicas são todas muito bem compostas com o tema recorrentes para cada um dos personagens da estória. Muito interessante também foi o cuidado da banda em não economizar convidados pra deixar a estória soando mais interessante, contou com outros convidados do meio prog (ou não) pra ser cada um dos personagens principais como ARJEN LUCASSEN (AYREON), DAVE OBERLÉ (GRYPHON), MATT STEVENS (THE FIERCE AND THE DEAD), BLAZE BAYLEY, sim ele mesmo, o ex-IRON MAIDEN entre outros, deixando a obra mais autêntica. Durante o álbum também existem bastantes diálogos, mas caso quem o escuta não esteja de fato querendo ficar por dentro de todo o conceito, pode deixa-los de lado e se preocupar somente em ouvir as músicas que não estará deixando de apreciá-lo do mesmo jeito. Um disco que mesmo com mais de três horas de duração, empolga, cativa e por vezes emociona com tanta beleza em sua musicalidade.

DIFFERENT LIGHT - THE BURDEN OF PARADISE

Não é o fato mais normal do mundo ver uma banda que teve a sua formação no pequeno país de Malta. Apesar de tudo ter começado em 1994, creio que só após dois lançamentos sem muita expressão e várias mudanças de formação (só um membro nunca saiu) que a banda parece está acontecendo de verdade. "The Burden Of Paradise" é um disco de viagem melódica onde existe um encontro de vários estilos como neo progressivo padrão e o sinfônico aliado a pinceladas de metal progressivo e até mesmo uma sensibilidade pop, tudo dosado em quantidades certas resultando em um álbum belíssimo. Um disco bem executado que como todo trabalho de progressivo ao menos na minha visão, não deve ser julgado logo a primeira audição, pois muitas vezes tendem a crescer em quem o ouve.

KRISTOFFER GILDENLOW - THE RAIN

Nome bastante conhecido dos admiradores da banda PAIN OF SALVATION onde foi baixista e gravou ao lado do seu irmão, DANIEL GILDENLOW, os cinco primeiros discos da banda, KRISTOFFER GILDENLOW em seu segundo álbum solo soa menos dark, mas não tanto assim. A música apesar de não ser intrincada, é complexa, onde letras, melodias vocais e instrumentos trabalham juntos como uma orquestra para transmitir a estória do álbum de forma clara e deixar a sonoridade condizente com a narrativa. O conceito fala de um homem lutando contra a sua demência pouco antes de morrer, algo como um paciente de Alzheimer. A produção do álbum é cristalina, fazendo com que todas as camadas da música brilhem. Um disco que não pode ter a sua audição dividida com mais nada. Tire um tempo só pra ele.

HUIS - NEITHER IN HEAVEN

Nos anos 70 a cidade de Quebec no Canadá teve um movimento fortíssimo de rock progressivo. Mas assim como tantos outros daquela época, enfraqueceram ou sumiram por completo. Formada no ainda próximo ano de 2009, HUIS é uma ótima banda dessa novíssima geração de Quebec. Em seu segundo álbum, "Neither in Heaven", continuam a apresentar um progressivo bem trabalhado, toque sinfônico e uso de hammond, moog e melotron fazendo com que o ouvinte por algumas vezes seja transportado de volta aos anos 70. Após um álbum de estreia promissor a banda mantem a qualidade mostrando não ter tido apenas um lapso de inspiração, mas sim que tem muita lenha pra queimar. Ainda que depois de ouvir seus dois álbuns seja nítido que eles estão tentando se encontrar definitivamente, nota-se que estão caminhando na direção certa.

II CASTELLO DI ATLANTE - ARX ATLANTIS

Após sete anos passados desde o seu último álbum, os italianos da II CASTELLO DI ATLANTE estão de volta com um disco de inéditas. Em "Arx Atlantis" a banda mostra um novo direcionamento musical através da evolução de suas técnicas de som e gravação. Nesse trabalho se apresentam em um nível completamente novo, talvez o ponto mais alto de sua carreira até então. Os arranjos estão mais maduros e encorpados. Um retrato dinâmico do mais puro e genuíno rock progressivo italiano. Uma obra progressiva extremamente significativa, onde o coração dos músicos pode ser sentida batendo por debaixo de suas belíssimas harmonias.

KAYO DOT - PLASTIC HOUSE ON BASE OF SKY

TOBY DRIVER é um cara de uma grande mente criativa e pra muitos uns dos gênios contemporâneos da música progressiva, seja em trabalho solo, liderando a MAUDLIN OF THE WELL ou a KAYO DOT, banda onde tem se dedicado mais e lançou em 2016 o seu 8º registro. Em "Plastic House On Base Of Sky" a banda novamente faz uma música que requer preparo e mais de uma audição pra saber se de fato gostou, de qualquer forma traz uma sonoridade que impressiona de alguma forma. Consegue expandir os horizontes de possibilidade musicais como poucas vezes visto. Desde a estreia da KAYO DOT em 2003 através do seu "Choirs Of The Eye", que eu tinha esse mesmo como o meu álbum preferido, mas a partir de agora e mesmo sendo cedo demais pra afirmar, "Plastic House on Base of Sky" é a melhor obra da banda. TOBY DRIVER se mostra novamente um artista que adora testar a si mesmo caminhando por trilhas musicais desconhecidas, fazendo com que seja um dos poucos artistas genuinamente progressistas da indústria musical atual.

ANIMA MUNDI - I ME MYSELF

Uma das grandes bandas de rock progressivo sinfônico a surgirem nos últimos pelo menos 15 anos, ANIMA MUNDI novamente apresenta não somente um novo álbum, mas também novo vocalista, o quarto em cinco discos. E justamente esse ponto que faz com que "I Me Myself" não seja melhor do que é. Por ser uma banda cubana, mas com letras em inglês o sotaque é algo normal, mas MICHEL BERMUDE o tem de maneira muitas vezes excessiva. Mas obviamente que isso não apaga a beleza de melodias envolventes lideradas principalmente pelas criações da tecladista VIRGINIA PERAZA e o guitarrista ROBERTO DIAZ. Suas habilidades de composições estão elevadíssimas. Continuam influenciados principalmente pela dupla YES e GENESIS aliada agora também à VAN DER GRAAF GENERATOR e PINK FLOYD devido a inclusão de sax, mas sempre soando de maneira cubanamente única, digamos assim.

HAKEN - AFFINITY

Com certeza um dos álbuns mais aguardados do ano, pois é uma banda acompanhada por amantes de progressivo ou não. "Afinnity" soa diferente em relação a trabalhos a anteriores, o que pode dividir opiniões em isso ser bom ou ruim. De qualquer forma uma habilidade que a banda parece manter com louvor é a capacidade de executar progressões instrumentais com maestria em cada uma de suas músicas. Em seu quarto capítulo o HAKEN simplesmente se manteve dentro de uma qualidade onde não é exagero algum chamá-la de uma das bandas clássicas modernas mais importantes do circuito devido ao seu virtuosismo, qualidade e bom gosto nas criações. Um disco indicado a qualquer um que tenha um apreço por música mais excitante e significativa.

CRONWELL - BLACK CHAPTER RED

Está aí uma banda que poderia está bem além do seu ainda segundo álbum se não fosse uma história com excesso de formações entre outras questões e que fizeram com que o grupo que surgiu no começo dos anos 90 só tivesse um álbum de 1997 até o lançamento de "Black Chapter Red" em 2016. Possuem boa qualidade, exploram por vezes uma musicalidade típica do neo progressivo do começo dos anos 90, o que faz pensar com que algumas músicas aqui sejam composições lá daquela época também. A ideia central para a grande maioria das canções é usar o contraste natural entre guitarras e teclados pra criar e manter nervos e tensão, onde o teclado de um modo geral fornece texturas de um tom mais leve, enquanto a guitarra é dada um tom mais obscuro e um som mais firme, mais rock and roll. Uma velha combinação que sempre funciona muito bem quando feita por grandes músicos.

SEDATE ILLUSION - GLASS DELUSION

A banda grega de metal progressivo SEDATE ILLUSION em seu quarto álbum "Glass Delusion" mostrou que seus músicos estão em sua melhor forma. Tudo parece está no seu devido lugar em cada uma das canções, as partes mais complexas e as cadencias mais simples, encaixes de guitarras e teclados executados em um interlúdio que dão um ar de duelo, mas sem o excesso de velocidade ou virtuosismo, onde a intenção é a de fazer com que o ouvinte seja o vitorioso em apreciar tal "batalha". Existem momentos de música folk onde se fecharmos os olhos podemos passear pela Grécia. Um disco que não é apenas um prog metal típico, mas é também bastante experimental. Está na hora da banda começar a voar mais alto e atravessar o oceano atlântico.

IAMTHEMORNING - LIGHTHOUSE

A dupla MARJANA SEMKINA (vocal e backing vocal) e GLEB KOLYADIN (piano e teclado) sempre estão cercados em suas apresentações ao vivo de músicos que iguais a eles possuem curso superior em música e em seus trabalhos de estúdios por grandes nomes do progressivo mundial. "Lighthouse" confirma pela terceira vez que a banda não é feita pra se ouvir despretensiosamente e requer não somente uma simples atenção e dedicação, mas excesso de ambos. A alma da dupla é colocada em cada música e letra onde tudo soa excessivamente emocional ativando vários tipos de sentimentos em que ouve e se deixa levar. Se você quer o cérebro fritando em uma música progressiva virtuosa e extremamente complexa, ignore esse ou os dois trabalhos anteriores do grupo, mas se quiser uma experiência musical de muita introspeção e de atmosfera onírica, bom, aí seja bem vindo ao universo de IAMTHEMORNING.

KARIBOW - HOLOPHINIUM

Lá nos seus primórdios na segunda metade dos anos 90 a banda mostrava uma faceta AOR e que ainda hoje mais de 20 anos depois com o lançamento do seu "Holphinium" continua a carregar, mas e notório o amadurecimento musical e entrada mais forte no progressivo através de linhas musicais mais complexas. Uma boa maneira de definir o som da KARIBOW aqui em seu mais novo álbum é citando outros grupos como uma mistura do neo progressivo de bandas como I.Q, SAGA, PENDRAGON e algumas pinceladas de MARILLION. A música de "Helphinium" possui várias camadas podendo trazer algo de novo cada vez que o disco é ouvido. Um disco duplo com vocais cativantes que podem grudar facilmente na cabeça, um forte trabalho instrumental de progressivo algumas vezes pesado e sempre moderno, que tem como principal fio condutor, guitarras em formato de neo progressivo e sintetizadores.

OBS: No Youtube não tem nenhuma música completa do álbum ainda, por conta de direitos autorais fiquei com receio de subir e postar, então a amostra fica por conta do trailer oficial do disco.

CRYSTAL PALACE - DAWN OF ETERNITY

CRYSTAL PALACE já tem mais de 20 anos desde o início de suas atividades, mas nunca havia ganhado um destaque como tem recebido desde 2013 com o lançamento do ótimo "The System of Events" e agora através do seu mais novo álbum, "Dawn of Eternity. Isso se deu principalmente por conta de uma abordagem neo progressiva e flertes quase de metal deixando a sonoridade mais intensa e de vibração sombria, encorpando sua música e trazendo o que faltava pra que a banda de certa forma impressionasse. Apesar de menos pesado que o seu antecessor, supre essa "carência" com belos e melódicos arranjos. Sem medo de ser exagerado, há momentos que podem ser comparados aos criados por ícones do progressivo contemporâneo, como por exemplo, Steven Wilson. Souberam alinhar muito bem leves virtuosismos com bases atmosféricas lideradas por teclados planos.

ENID - DUST

Muito bom ver uma banda da primeira metade dos anos 70, era de ouro do rock progressivo, lançar em 2016 o seu 21º álbum. "Dust" é na verdade o final de uma trilogia que começou com os discos "Journey's End" em 2010 e "Invicta" de 2012. "Dust" carrega características já conhecidas por quem acompanha a ENID, ou seja, uma sonoridade melodramática, orquestral e com vocais operísticos. Uma extrema influência clássica em construções rigorosas fazendo com que a banda continue a ser uma das principais adeptas da tradição do rock progressivo sinfônica. Se os dois capítulos anteriores dessa trilogia podem ser considerados grandes álbuns, com certeza que "Dust" não faz por menos e a encerra de forma apoteótica.

FROST - FALLING SATELLITES

Uma sonoridade por vezes simples arremessadas ao molho de um neo progressivo mais complexo. Uma excelente fórmula pra se agradar os fãs mais jovens de prog rock e também aqueles da chamada velha guarda ou um tiro no pé que faz a banda se afastar de ambos? Só ouvindo o 3º álbum da FROST pra saber. Acontece é que se por um lado a banda soa até de certa forma pop, do outro sua música é enérgica, rápida, pulsante e poderosa. Há uma verdadeira gama de estilos musicais aqui que desde passagens dançantes (isso mesmo) até linhas de metal. Ainda que possa ser um disco de difícil aceitação aos amantes de progressivo devido ao seu apelo por vezes pop, é inegável que a banda é composta por músicos talentosos muito bem orientados que mesmo passeando por tantos caminhos sabem de onde vem e pra onde vão.

HEADSPACE - ALL THAT YOU FEAR IS GONE

Quatro anos depois de uma boa estreia com o álbum "I Am Anonymous", a banda inglesa HEADSPACE traz ao mercado seu mais novo trabalho, "All That You Fear Is Gone". Um disco muito bem produzido, um som pesado e progressivo, bem como haviam feito em sua estreia. Competentes composições musicais executadas por músicos em grandes performances e que inclui novamente ADAM WAKEMAN, filho do lendário tecladista RICK WAKEMAN. Os vocais de DAMIAN WILSON continuam excelentes e extremamente teatrais. Por ser apenas o segundo álbum da banda, a questão de ser algo como mais do mesmo não deve ser vista ainda como um demérito, mas futuramente seria interessante não necessariamente guinar sua sonoridade, mas agregar mais recursos na sua bagagem. Ainda assim um grande disco.

DRIFTING SUN - SAFE ASYLUM

Após dois bons álbuns lançados na segunda metade dos anos 90 a DRIFTING SUN parece que havia chegado ao seu fim. Mas um dos seus líderes e único membro remanescente daquela época PAT SANDERS reativou a banda em 2015 com o lançamento de um novo álbum e em 2016 se manteve produtivo com o "Safe Asylum". Se por um lado o seu disco anterior a banda apresentou uma sonoridade mais leve e melódica tendo no piano de PAT SANDERS o instrumento principal na maioria das ocasiões, "Safe Asylum" é mais obscuro, trazendo umas composições mais longas e complexas. Talvez por conta disso precise de um pouco mais de audição pra ser dado um veredito sobre sua qualidade. Com a capacidade de a cada audição crescer em você, deixá-lo de lado logo de primeira pode ser um grande erro.

SAMURAI OF PROG - LOST AND FOUND

O projeto SAMURAI OF PROG, idealizado pelo multi-instrumentista MARCO BERNARD que em seu trabalho anterior mostrou-se no pico na maturidade musical, parece que não apodreceu, mas se manteve na qualidade em que estava. Através de um álbum duplo, porem com somente seis faixas o ouvinte é convidado a uma viagem musical fascinante. Um daqueles discos que mostram instrumentistas sem fronteiras e de limitações criativas que parecem não ter fim. Difícil dizer exatamente qual o maior destaque, mas ao mesmo tempo é impossível não pensar primeiramente na faixa "The Demise", que com cerca de 57:00 de duração compõe todo o segundo disco e trata-se de um maravilhoso épico dividido em vários capítulos.

OBS: No Youtube não tem nenhuma música completa do álbum ainda, por conta de direitos autorais fiquei com receio de subir e postar, então a amostra fica por conta destes excertos do disco.

MICE ON STILTS - HOPE FOR A MOURNING

Após um EP que já foi surpreendente lançado três anos antes e uma mudança quase completa na formação, em 2016 a MICE ON STILTS, liderada pelo vocalista, escritor e guitarrista neozelandês BENJAMIN MORLEY deu seu início na indústria fonográfica com o seu "Hope For a Mourning". Um disco de beleza e suavidade ímpar em que quase sempre as inúmeras camadas de suas faixas vão se revelando aos poucos, trazendo uma sonoridade cde ar introspectivo e bastante intimista sob uma narrativa lírica melancólica e sincera. Uma combinação inebriante de várias influências que no fim se completam e desenham paisagens sonoras que hipnotizam quem elas admiram. Apesar de não participar como músico, a produção desse disco ficou por conta de Steven Wilson.

ROBERT REED - SANCTUARY II

Quem é um pouco mais familiarizado com o universo progressivo sabe que o nome de ROBERT REED não é nenhuma novidade desde o começo dos anos 90 com a CYAN, passando pela FYREWORKS e depois fundando a MAGENTA, mas sempre relacionado a bandas de neo progressivo. Mas na carreira solo a abordagem é diferente, sendo comparado (muitas vezes até criticado pelos mais fanáticos ) a MIKE OLDFIELD. Igualmente ao seu álbum de estreia, digamos que existe uma relação com a música de MIKE OLDFIELD, mas não feita por um clone, mas por um seguidor digno. Um trabalho instrumental sublime em que o ouvinte pode fechar os olhos e mergulhar em um mundo particular. "Sanctuary II" é um disco que carrega na sua música técnicas pra atingir progressões melódicas, combinação de riscos em misturar instrumentos de todos os tipos, guitarra extremamente limpa e expressiva, enfim, um artista completo que novamente reverencia o seu ídolo e ao mesmo tempo traça sua própria característica.

OBS: No Youtube não tem nenhuma música completa do álbum ainda, por conta de direitos autorais fiquei com receio de subir e postar, então a amostra fica por contam do vídeo promo do disco.

NINE STONES CLOSES - LEAVES

Banda liderada por ADRIAN JONES é acompanhado por músicos que sempre mostraram todo o seu amor por músicas experimentais, paisagens sonoras e exercícios instrumentais. NINE STONES CLOSES em seu álbum mais recente, "Leaves", mostra como uma banda pode soar tão diferente dos seus demais discos que até se passaria tranquilamente inclusive por outro grupo. Mas apesar de um nítido novo direcionamento em relação aos seus trabalhos anteriores, sua natureza melancólica está sempre presente, agora agravada por umas palhetadas mais nítidas, bem como uma nova presença vocal que leva um pouco de tempo para se acostumar à primeira vista caso já tenha ouvido a banda sob outra voz. Um disco que em um mundo onde as coisas estão sempre mais rápidas, pode por conta disso acabar sendo injustamente mal apreciado, mas se lhe for dada a atenção merecida, é certeza de uma incrível viagem musical progressiva da qual não vai se arrepender.

HOSTSONATEN - SYMPHONY N.1: CUPID & PSYCHE

FABIO ZUFFANTI é sem dúvida alguma um dos mais prolíficos músicos não somente do progressivo italiano contemporâneo, mas de modo geral. A frente da HOSTSONATEN, o lançamento de "Symphony N.1: Cupid & Psyche" marca o seu segundo álbum após as quatro estações (conjunto de quatro álbuns lançados onde cada um representa uma estação do ano), seu trabalho mais significativo. O álbum possui uma musicalidade neo-clássica através de uso de quarteto de cordas, metais e instrumentos de sopro. A ideia foi criar uma suíte sinfônica a ponto de servir até mesmo como ballet. Mas não se engane achando que a ideia maior era produzir um álbum de música clássica, o principal é a mistura de sons orquestrais com a evidência do rock. Novamente a banda proporciona o deleite de poder ouvir músicos talentosos que gostam do estilo que estão tocando.

JON ANDERSON - ANDERSON/STOLT: INVENTION OF KNOWLEDGE

Em seu mais novo álbum solo, JON ANDERSON chama pra acompanhá-lo ninguém menos que o guitarrista ROINE STOLT (que muitos antes de conhecer ANDERSON dedicou um álbum inteiramente a ele através de "The Flower King" de 1994), músico mais do que familiarizado por todos aqueles que conhecem FLOWER KINGS, KAIPA, TRANSATLANTIC, THE TANGENT, AGENTS OF MERCY e etc. Esse disco está soando YES como nunca, a voz de ANDERSON ao menos em estúdio está ótima e é notório que ROINE STOLT tem uma grande influência no STEVE HOWE em sua maneira de tocar guitarra. O disco apresenta múltiplas camadas de guitarras sendo executadas com bastante criatividade e brilhantismo, os demais instrumentos são uma mistura do progressivo clássico e uma roupagem moderna, enfim, um apoio exuberante, um tapete vermelha estendido a uma das vozes mais marcantes da história do rock progressivo.

OBS: No Youtube não tem nenhuma música completa do álbum ainda, por conta de direitos autorais fiquei com receio de subir e postar, então a amostra fica por de um pequeno teaser do disco.

DREAM THEATER - THE ASTONISHING

Será que existe alguém que se interessa no som do DREAM THEATER e que não ouviu esse álbum ainda? Ao menos no Brasil certamente foi o disco de progressivo com o maior número de aguardos. Dividiu sentimentos, mas é inegável que surpreendeu a todos, seja para o bem ou para o mal. "The Astonishing" é uma ópera-rock confeccionada em um disco duplo de abordagem mais melódica. Se por um lado alguns fãs preferiram virar a cara pra ele, por outro valeu pra fazer com que alguns daqueles apreciadores de progressivo que somente despejam ódio e preconceito em relação à música da banda, percebessem que o DREAM THEATER pode se reinventar em uma abordagem calcada mais em paisagens sonoras e introspectivas. Todos os instrumentos são executados como sempre em uma precisão cirúrgica, com destaque aos trabalhos de JOHN PETRUCCI e JORDAN RUDESS. Obviamente que não é uma nova fórmula para álbuns futuros, mas uma mostra de que a banda pode sempre ser muito mais daquilo que já é, onde mesmo decepcionando alguns, provam pra si mesmos que são capazes de caminhar em diferentes direções da estrada infinita que é a da música.




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Sobre Tiago Meneses

Um amante do rock em todas as suas vertentes, mas que desde que conheceu o disco Selling England by the Pound do Genesis, teve no gênero progressivo uma paixão diferente.

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