Sepultura: Relentless, 30 Anos de Sepultura, de Jason Korolenko
Por Ricardo Bellucci
Postado em 11 de agosto de 2020
Ao iniciar a leitura de Relentless, 30 Anos de Sepultura, de Jason Korolenko, confesso que estava curioso, e com um pé atrás, até certo ponto. Seria apenas mais um trabalho elencando e exaltando os bastidores de uma banda? Uma mera coleção de "fanfarronices" elencadas em ordem cronológica?
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Não, não é! Embora escrito sob uma ótica de um fã ardoroso do Sepultura, o trabalho de Korolenko é notável no levantamento de fatos sobre a vida da banda, indo a fundo em questões nevrálgicas na história do Sepultura. Korolenko mergulha de cabeça nos mais de 30 anos da história da banda, realizando uma verdadeira pesquisa arqueológica abrangente e profunda.
A análise da discografia das faixas, por exemplo, é bastante minuciosa, detalhista, eu diria indo além de uma mera análise superficial. As letras, harmonias, melodias são dissecadas diante do leitor. A construção de cada álbum é analisada em minúcias. O papel do produtor, o clima reinante no estúdio é contado de forma a proporcionar ao leitor uma visão mais íntima do nascimento de cada álbum.
Outra virtude do texto de Korolenko é levar o leitor a compreender como a história de vida de cada um dos membros da banda acabou por definir o estilo e a sonoridade do Sepultura! As contribuições de cada um são colocadas às claras, principalmente a dupla que consolidou a estilística sonora do Sepultura: Max e Andreas. O contexto histórico no Brasil da época é o pano de fundo dessa narrativa, demonstrando como o regime vigente então influenciou o pensamento de toda uma geração.
As dificuldades do início em BH, a falta de grana e de recursos, acabou por moldar o caráter não apenas sonoro do Sepultura, mas, também a ética de trabalho, marcada pela tenacidade e vontade de quebrar barreiras, tanto no Brasil como no exterior.
A traumática saída de Max é narrada de forma direta, seca, sem rodeios, demonstrando que o fato não aconteceu de uma hora para outra, mas foi resultado de um processo mais longo, onde os interesses pessoais entraram em choque levando ao resultado final da ruptura. Ao longo do texto os personagens dessa história dão voz ao seu ponto de visa sobre esse acontecimento marcante na história da banda, e como os três "sobreviventes", Paulo, Igor e Andreas lidaram com a reconstrução da banda, passando pela escolha de Derrick como novo vocalista, pela posterior saída de Igor e pela passagem de Jean Dollabela, até a estruturação da atual formação, com Eloy Casagrande assumindo as baquetas do quarteto.
Relentless, 30 Anos de Sepultura, de Jason Korolenko, da editora Benvirá é uma obra que vale a pena ser lida não apenas pelos fãs do Sepultura, mas por todos aqueles que vivenciaram toda uma era de nascimento do metal no Brasil.
Longa vida ao Rock!
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