Reações Psicóticas: Lester Bangs, gênio ou embuste?
Por Diogo Azzevedo
Postado em 02 de maio de 2014
Lester Bangs (1948-1982) era um tremendo picareta. Não sei se o motivo foram as drogas da época, mas, no fim dos anos 60 e início dos 70, os Estados Unidos viu o surgimento de uma geração de teóricos embromadores (Greil Marcus à frente) que transformou uma simples análise musical numa verdadeira masturbação literária. O rock sempre foi um enlatado pronto para o consumo das massas, mas quando "Sgt. Pepper’s" foi lançado, as pessoas passaram a acreditar que aquele disco – e o rock, de modo geral – realmente tinha um valor artístico, quando, na verdade, seus autores só queriam que os fãs parassem de uma vez por todas com aquela babaquice de beatlemania.
O que se lê em "Reações Psicóticas" – um excerto da versão italiana do livro "Psychotic Reactions and Carburator Dung", antologia de artigos de Bangs organizada pelo já citado Greil Marcus – é um exercício de encheção de linguiça, em que a crítica se pretende mais importante que a obra analisada. E o próprio jornalista – e eventual músico – admite que, em alguns momentos, ELE acaba se tornando O rockstar.
Então, quer dizer que tudo o que falam sobre o cara ser o mais influente crítico de rock de todos os tempos, um dos maiores escritores norte-americanos da segunda metade do século XX, um autêntico beat, etc. é pura papagaiada de nego que quer posar de cool? Provavelmente, mas não estou aqui para julgar – na verdade, estou, afinal, também sou crítico –, apenas acho que, se você quer escrever um artigo acadêmico, deve ir para a Universidade; ou, se você quer falar da sua vida e dos seus problemas (como o bêbado, drogado e ex-Testemunha de Jeová Bangs fazia), deve procurar um psicólogo ou o CVV. Graças a deuz [sim, editores do Whiplash.net, eu escrevo "Deus" assim], essa vertente nunca pegou por aqui. De fato, com exceção dos fanzines, nunca tivemos sequer uma "imprensa rocker" no Brasil – e se você acha que André Forastieri, Álvaro Pereira Jr. e outros malas do tipo representam alguma coisa, também deve acreditar que os Strokes foram a última "revolução" do rock.
Pra não falar que "Reações Psicóticas" é uma total perda de tempo, vale a dica do autor aos aspirantes a críticos de rock: "não imitem a mim!" – conselho que deveria ter sido seguido também pelo ator Philip Seymour Hoffman, falecido em fevereiro. Hoffman, que interpretou Bangs no filme "Quase Famosos", também morreu de overdose.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Geddy Lee não é fã de metal, mas adora uma banda do gênero; "me lembram o Rush"
Versão do Megadeth para "Ride the Lightning" é oficialmente lançada
Megadeth entrega muita emoção em "The Last Note", sua canção de despedida
O guitarrista que BB King disse ser melhor que Hendrix; "toca melhor do que qualquer um"
Como uma banda transformou seu adeus em um dos filmes mais importantes do rock
Megadeth lança seu último disco de estúdio, que traz versão de "Ride the Lightning"
A voz mais pura do rock de todos os tempos, segundo Bruce Springsteen
Fabio Lione rompe silêncio e fala pela primeira vez sobre motivos da sua saída do Angra
Como EP de apenas três músicas mudou o rumo do rock dos anos 2000, segundo a Louder
Scorpions se manifesta sobre morte de ex-baixista Francis Buchholz
Shawn "Clown" Crahan fala sobre o próximo álbum do Slipknot: pausa agora, criação em andamento
Helloween coloca Porto Alegre na rota da turnê de 40 anos; show antecede data de SP
Como uma canção "profética", impossível de cantar e evitada no rádio, passou de 1 bilhão
Bruce Dickinson já questionou a posição de Steve Harris no Iron Maiden
O polêmico disco nacional que Renato Russo disse ser um dos melhores do rock de todos os tempos
A sincera opinião de Bob Dylan sobre versão de Guns N' Roses de "Knockin' on Heaven's Door"
Jimmy Page explica por que cada membro do Led Zeppelin tinha um símbolo
Adrian Smith revela o verdadeiro motivo da saída de Clive Burr do Iron Maiden






