Matérias Mais Lidas

Slipknot: Nunca pesquisem Duality no YouTube, alerta fã de k-pop assustadaSlipknot
"Nunca pesquisem Duality no YouTube", alerta fã de k-pop assustada

Matt Sorum: Duff não tinha palavras pra dizer que ele não estaria na reunião do GunsMatt Sorum
Duff não tinha palavras pra dizer que ele não estaria na reunião do Guns

Nirvana: Grohl afirma que Cobain não gostava de seu modo de tocarNirvana
Grohl afirma que Cobain não gostava de seu modo de tocar

Vinny Appice: ele temeu briga com o incontrolável Bill Ward ao conhecê-loVinny Appice
Ele temeu briga com o "incontrolável" Bill Ward ao conhecê-lo

Dio: 14 músicas que definem a carreira da lenda, segundo a Classic RockDio
14 músicas que definem a carreira da lenda, segundo a Classic Rock

João Gordo: quando ele brigou com Sérgio Mallandro na TV e o Bozo teve que apaziguarJoão Gordo
Quando ele brigou com Sérgio Mallandro na TV e o Bozo teve que apaziguar

Axl Rose: gentil e como Batman, como ele gravou participação em Scooby-DooAxl Rose
Gentil e como Batman, como ele gravou participação em "Scooby-Doo"

Slash: fãs ficam surpresos por ele postar foto de mulher sem sangrar ou estar nuaSlash
Fãs ficam surpresos por ele postar foto de mulher sem sangrar ou estar nua

RATM: Tom Morello revela por que não corta as cordas de sua guitarraRATM
Tom Morello revela por que não corta as cordas de sua guitarra

Metallica: a fortuna que Robert Trujillo recebeu só para se juntar à bandaMetallica
A fortuna que Robert Trujillo recebeu só para se juntar à banda

Ozzy Osbourne: quando Slash e Tom Morello quase foram mortos em um show deleOzzy Osbourne
Quando Slash e Tom Morello quase foram mortos em um show dele

AC/DC: por que Angus Young usa uniforme escolar no palco - e de quem é a ideiaAC/DC
Por que Angus Young usa uniforme escolar no palco - e de quem é a ideia

Ozzy Osbourne: a impagável reação ao ouvir versão de rapper para Crazy TrainOzzy Osbourne
A impagável reação ao ouvir versão de rapper para "Crazy Train"

Steven Adler: por que ele não ligou por Axl transar com sua namorada em Rocket QueenSteven Adler
Por que ele não ligou por Axl transar com sua namorada em "Rocket Queen"

Kreator: Mille Petrozza conta como a Alemanha dividida influenciou a sua visão do mundoKreator
Mille Petrozza conta como a Alemanha dividida influenciou a sua visão do mundo


De Fã a Ídolo - Aquiles Priester

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Ricardo Seelig, Fonte: Collector's Room
Enviar Correções  

publicidade

Todo mundo conhece a história de Aquiles Priester. Fundador do Hangar, baterista do Angra entre 2001 e 2008 e considerado um dos melhores do mundo em seu instrumento, o músico acaba de lançar a sua autobiografia, "De Fã a Ídolo". Lendo as 162 páginas do livro percebe-se que, na verdade, poucas pessoas conhecem de verdade a história de Aquiles.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Escrito em parceria com o renomado jornalista musical Antônio Carlos Monteiro, que integrou por anos a redação da Rock Brigade e agora faz parte da equipe da Roadie Crew, "De Fã a Ídolo" é uma obra transparente, empolgante e que vai muito além da música. O livro narra a trajetória de Aquiles desde a infância sofrida e cheia de desafios diários até a consagração profissional ao lado do Angra e do Hangar. O texto ágil e bem amarrado de ACM faz com que a leitura flua fácil e o leitor não tenha vontade de desgrudar os olhos das páginas.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Diferente do que se encontra habitualmente nos livros do tipo, "De Fã a Ídolo" não se resume a apenas relatar o que aconteceu nos quase 40 anos de vida de Aquiles (ele nasceu em 25 de junho de 1971), traçando interessantes relações com os problemas que todos nós, em algum momento, encontramos na vida. Ainda que em alguns trechos essas associações soem meio piegas, no geral o resultado é positivo, revelando outra faceta do livro: a força que a gente precisa, de vez em quando, para enfrentar o dia a dia, superar algum obstáculo, não desistir dos nossos sonhos.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Aquiles deixa claro durante todo o livro a sua paixão pelo Iron Maiden, mais especificamente sobre o modo com que Steve Harris sempre dirigiu a banda e a grande influência que Nicko McBrain teve não só no seu modo de tocar, mas na própria decisão de ser músico. Um dos momentos mais emocionantes acontece quando Aquiles narra o encontro que teve com Nicko em Londres durante um evento exclusivo para bateristas e conversou longamente com o batera do Maiden.

Historicamente, o período anterior à criação do Hangar e a entrada no Angra, quando Aquiles vagou por dezenas de bandas primeiramente em Foz do Iguaçu e depois em Porto Alegre, é de grande valia para os fãs, pois mostra como o cara que hoje é apontado como um dos melhores bateristas do mundo nunca desistiu naquilo que acreditava, e em como foi encontrando e desenvolvendo o seu estilo.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Esclarecedor também é o período em que Aquiles se afastou da música e focou todas as suas energias na Dana Corporation, empresa norte-americana onde ingressou no departamento de marketing. As ideias de Aquiles fizeram com que ele se destacasse e acabasse saindo de Porto Alegre e sendo enviado para a unidade da Dana em São Paulo. Essa transferência aconteceu um pouco antes da entrada de Aquiles Priester no Angra, e, com absoluta certeza, foi fundamental para que isso acontecesse.

Mas os trechos mais importantes e chamativos de "De Fã a Ídolo" ocorrem quando o assunto é o Angra. Aquiles narra os primeiros encontros com Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, e em como os três definiram e aprimoraram os arranjos das faixas que fizeram parte de "Rebirth", álbum lançado em 2001. Aquiles foi o primeiro a entrar na banda após a saída traumática de Andre Matos, Luís Mariutti e Ricardo Confessori, e só depois que as músicas já estavam em adiantado estado de composição é que Edu Falaschi e Felipe Andreoli foram anunciados como integrantes.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Fica claro que os problemas enfrentados pelo Angra tinham a sua raiz totalmente na adminisstração das finanças da banda, nas mãos de Antônio Pirani, o dono da Rock Brigade. As coisas nunca ficavam claras para o trio que chegava ao grupo, com Aquiles, Edu e Felipe de um lado e Kiko e Rafael de outro. Aquiles deixa clara a sua admiração por Kiko e Rafael como músicos, mas também fala claramente o que pensa a respeito de ambos – na opinião do baterista, Rafael Bittencourt é a mente pensante por trás da música do Angra, o verdadeiro maestro do grupo, quem faz as coisas acontecerem, enquando Kiko, nas palavras de Aquiles, "sempre poupava ser agradável".

O texto não se furta de nada, falando claramente sobre os problemas internos e administrativos que o Angra atravessou durante o processo de composição e gravação do álbum "Aurora Consurgens" (2006) e que culminaram com a saída de Aquiles em 2008. O músico fala inclusive que ele, Edu Falaschi e Felipe Andreoli comunicaram a Kiko e Rafael que estavam saindo do grupo em conjunto, mas os dois últimos acabaram retornando mais tarde. A polêmica história sobre a agressão física entre Rafael Bittencourt e Aquiles, que acabou em vias de fato, bem como a transparente e bombástica entrevista dada por Aquiles para a Roadie Crew no período, onde falou de forma aberta sobre os problemas do grupo e a insatisfação que sentia, estão no livro, formando um documento muito interessante sobre aquela que é uma das mais importantes bandas do heavy metal brasileiro.

É revelador também conhecer a opinião de Aquiles Priester sobre o álbum "Temple of Shadows" (2004), considerado pelo baterista o seu melhor trabalho no Angra e um dos grandes discos da história do metal, opinião idêntica a que possuo, já que, para mim, "Temple of Shadows" entra fácil na lista dos melhores discos de power metal / metal melódico de todos os tempos. A parte final do livro é focada no Hangar e nas atividades recentes do conjunto, como não poderia deixar de ser.

Alguns pontos devem ser levados em conta ao final da leitura de "De Fã a Ídolo". O livro é ótimo, e uma grande lição de vida. Fica claro com o passar da história que Aquiles, como lhe falou um companheiro das antigas, "nasceu para ter a sua própria banda, para liderar o seu próprio grupo". Isso, aliado aos problemas internos vividos pelo Angra, foram os fatores que levaram o baterista a deixar o conjunto, afinal dois "machos alfa" como ele e Kiko Loureiro jamais conseguiriam conviver de maneira harmoniosa em uma mesma banda. Ainda em relação ao Angra, é importante lembrar que o que está em "De Fã a Ídolo" é a visão de apenas um dos lados da história, portanto sair julgando as coisas sem conhecer o outro lado é uma atitude um tanto precipitada, apesar de, pela simpatia e proximidade que Aquiles sempre demonstrou com os fãs em sua carreira, isso ser meio inevitável.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

"De Fã a Ídolo" é um grande livro, um documento sobre a carreira de um dos músicos mais talentosos e, acima de tudo, profissionais que o metal brasileiro já conheceu. Sua leitura é obrigatória não só para os fãs de Aquiles Priester, do Hangar e do Angra, mas para qualquer pessoa que curta música e relações humanas. Recomendável, e ponto final!