Epica: "A música é como seu amigo invisível pela vida inteira", diz Simone

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O EPICA já está na América Latina. E se os fãs de várias partes do Brasil estavam contando os dias para vê-los em suas cidades (Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Fortaleza e Recife), agora eles contam as horas. Por causa disso, nós conversamos novamente com Simone Simons e falamos sobre a turnê, sobre a música (e sobre a indústria da música). "É um sentimento ótimo que as pessoas se sintam tão conectadas à nossa música e à gente como pessoas. A música é uma ferramenta poderosa que realmente enfatiza suas emoções e pode fazer você se sentir forte, pode fazer você se sentir triste... Eu diria que a música é como se fosse o seu amigo invisível pela vida inteira", revelou-me Simone. Falamos ainda sobre que músicas Simone gostaria de poder tocar ou voltar a tocar com a banda (descubra quais na matéria abaixo). E, sim, falamos até sobre maquiagem. Confira.​

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Foto: Kennedy Silva
Foto: Kennedy Silva

Daniel Tavares: Eu sou Daniel Tavares, sou de Fortaleza e vocês vão estar aqui e em outras cidades em março. Esta é a primeira parte que vocês fazem uma turnê tão longa no Brasil. O quão ansiosos vocês estão para estar aqui?

Simone Simons: Nós temos viajado para o Brasil desde 2005, eu acredito. Sempre fomos pra São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e agora chegou a hora de explorarmos novos territórios, então nós adicionamos mais três cidades e sim, nós estamos contentes de fazer esta pequena turnê para o Brasil.

Daniel Tavares: Você tem um filhinho pequeno. Eu acredito que é difícil viajar por tanto tempo tendo uma criança pequena. Como são os preparativos? Como você está se preparando para esta turnê?

Simone Simons: Meu filho está ficando acostumado com as turnês. Neste momento eu estou em casa e vou ficar aqui por dois meses. Sempre juntos. É bom passar algum tempo em casa. Ele não gosta [do tempo de turnês], mas ele adora passar um tempo com a avó e nós somos felizes de tê-la para nos ajudar e as coisas dão certo, mas, claro, nós sentimos falta um do outro. Mas isso é parte do trabalho.

Foto: Fernando Yokota
Foto: Fernando Yokota

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Daniel Tavares: Sim, eu entendo. Como eu te falei, eu sou de Fortaleza. Quais são as suas expectativas em relação aos fãs de Fortaleza.

Simone Simons: Eu espero que eles sejam surpreendentes como todos os outros os fãs brasileiros e espero que eles curtam alto, altamente e selvagemente, a música que nós fazemos. Eles provavelmente vão cantar junto também os clássicos do EPICA, como "Cry For The Moon", "Storm of Sorrow", "Unleashed"... Eu estou muito empolgada. Espero que possamos nos divertir e que haja algumas pessoas no show.

Daniel Tavares: Sim, um monte de pessoas. Os ingressos estão voando.

Simone Simons: Oh, impressionante.

Daniel Tavares: Esta próxima pergunta vai pra Alyssandra Pires. Ela faz parte da fã base do EPICA no Ceará. Ela pergunta se você vai trazer o Photoshoot pro Brasil alguma vez.

Simone Simons: Eu quero fazer o Photoshoot, mas o problema é que quando eu viajo de avião não posso levar muita coisa comigo. E quando fazemos turnês como essas, nós passamos a maior parte do tempo no hotel, não vamos muito aos locais. E nas turnês em que fazemos o Photoshoot nós temos um ônibus à disposição. Então chegamos ao local muito cedo e eu posso planejar tudo muito antes no dia, antes que façamos a checagem de som, etc. Nesta turnê na América Latina nós vamos de avião, então, chegamos normalmente às cidades no dia do show, então há muito pouco tempo livre para que eu planeje tudo assim, mas eu vou ver como está a agenda e se eu encontrar algum tempo eu provavelmente vou fazer uns dois Photoshoots, mas sem as sessões de maquiagens que eu tenho feito, porque isso leva muito tempo e nós podemos não ter muito espaço para encaixar. Seria divertido fazer isso, mas um pouco mais complicado para organizar.

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Foto: Fernando Yokota
Foto: Fernando Yokota

[Nota: Simone faz eventos em que dedica-se à fotografia e maquiagem. Para saber mais, confira o blog pessoal dela. Ainda sobre fotografia, em outra entrevista, link abaixo, Simone já tinha me falado que, se não fosse a vocalista do EPICA, ser fotógrafa poderia ser um dos caminhos que poderia seguir]

Epica: e se Simone Simons não fosse a vocalista da banda?Epica
E se Simone Simons não fosse a vocalista da banda?

Daniel Tavares: Mesmo sendo o EPICA uma banda relativamente nova quando comparada com outras como JUDAS PRIEST, IRON MAIDEN e até mesmo NIGHTWISH, os fãs do EPICA compartilham de um grande amor e admiração pela banda e ficam interessados em qualquer pequeno aspecto da sua arte. Não só as canções em si, mas também as letras, as ideias e até as suas vidas pessoais, às vezes. O que esse amor dos fãs significa pra você.

Simone Simons: É um sentimento ótimo que as pessoas se sintam tão conectadas à nossa música e à gente como pessoas. A música é uma ferramenta poderosa que realmente, como dizer, enfatiza suas emoções e pode fazer você se sentir forte, pode fazer você se sentir triste e pode ser... Eu diria que a música é como se fosse o seu amigo invisível pela vida inteira. É uma coisa ótima pra gente poder trabalhar nessa área em particular, trabalhar na indústria da música. Quando eu era mais jovem, eu procurava por artistas e meio que os amava, embora não os encontrasse pessoalmente, mas amava a sua música que eles criavam, então amava aquela parte da mente deles. E ter as pessoas pensando na gente dessa forma ainda é algo que algumas vezes ainda não compreendo que é a minha vida porque, apesar de estar na mídia, ainda sou uma pessoa muito recolhida. Eu gosto de ficar comigo mesma, com minha família e entre amigos. E quando estou no palco é que viro a cantora, a face da banda. É muito contrastante com o que eu realmente sou.Mas eu sou muito grata, muito agradecida por termos tantos fãs e que possamos fazer alguma coisa com um propósito maior na vida, porque é realmente um dom que você possa gostar de música e que as pessoas possam gostar da sua música e que você possa estar na mente deles, enquanto eles escutam a sua música. É uma coisa realmente bonita.

Foto: Fernando Yokota
Foto: Fernando Yokota

Daniel Tavares: Foi uma boa resposta. E você me deu até a headline desta entrevista.

Simone Simons: Ok, qual vai ser? [risos]

Daniel Tavares: Que a música é seu amigo pessoal pela vida.

Simone Simons: Legal.

Daniel Tavares: E sobre meet and greet. Hoje, que as vendas de álbuns não são tão grandes, o streaming não paga tudo o que deveria e também há os downloads e etc., você considera que esta é uma nova maneira de viver pela música. Você costuma se divertir durante as seções de m&g também?

Simone Simons: Eu vejo mais o Meet & Greet como um tempo para encontrar os fãs e conversar com eles, num tempo conveniente para os fãs e para a gente, porque depois dos shows nós estamos normalmente cansados, temos que ir para o avião, temos que dormir umas poucas horas e você está suado, fedendo, você quer tomar um banho e tudo o que quer é um pouco de privacidade. [risos] Então, normalmente não é uma boa hora pra mim para estar com as pessoas. Mas durante o dia, é legal. Os fãs podem levar os CDs e suas... É muito mais agradável quando encontramos um pequeno grupo de pessoas, nós agendamos uma hora para isso, nós tiramos fotos, nos abraçamos, compartilhamos histórias e nos conectamos com os fãs. Eu gosto muito mais pessoalmente do que encontrar um monte de pessoas no aeroporto, porque nessa hora nós estamos com pressa, nós temos que partir, os locais dos shows estão esperando e os fãs, sabem, em ocasiões assim, muitos ficariam chateados. E nos Meet & Greet, é um boa forma de ficar de boa, em um ambiente relaxado. E hoje em dia, nesse mundo digital em que vivemos, as pessoas fazem downloads e, embora não consigamos muito dinheiro com o Spotify, os fãs ainda sabem que, nesta época, em que eles sabem que a música é barata, eles ainda pagam pela música. É o mesmo com o Netflix e todos esses serviços de streaming de filmes. Você paga tão pouco pelo que eles realmente valem, mas, enquanto eles pagarem por isso, nós não perdemos o conhecimento de que aquilo custa alguma coisa. No passado, eu já fiz downloads, mas eu parei, por respeito a meus colegas, por respeito a mim mesma. Eu sou uma grande admiradora de filmes. Eu estava em turnê uma vez e completamente envolvida pela série Aliens, tinha os DVDs em casa, mas não os tinha como MP4, então eu comprei tudo no iTunes ao invés de fazer o download. Muitas pessoas pensam: "ah, mas eu tenho os DVDs, eu posso fazer o download", mas eu pensei. "Não, eu vou comprar, porque eu sei o quanto trabalho eles tem ao criar uma mídia". Nós fazemos vídeos, não fazemos filmes, mas eu já sei o quanto de trabalho que isso dá, então eu tenho respeito pelo artista. Eu apenas compro. E sempre brigo com outras pessoas quando eles dizem que baixam tudo da Internet, até com minha família e meus amigos mais próximos. Pra mim isso é literalmente desrespeitoso comigo, com quem eu sou, com o que meu trabalho é, sabe? Então, este é um assunto muito complexo.

Foto: Leandro Anhelli
Foto: Leandro Anhelli

Daniel Tavares: Este é o último dia de trabalho do ano. O que você gostaria que acontecesse em 2018?

Simone Simons: Bem, eu gostaria de estar com saúde, eu, minha família e amigos e eu adoraria ter um pouco mais de tempo para relaxar, porque 2017 foi um ano muito cheio. Sim, nós vamos compor um novo CD e eu espero que tenha belas melodias e letras, que ideias cheguem a mim, que eu esteja inspirada. Também eu gostaria de evoluir como fotógrafa. Este é como se fosse o meu segundo emprego agora. Eu gosto de trabalhar com músicas diferentes, com diferentes músicos. Eu tenho um monte de planos, mas gostaria de relaxar um pouquinho mais, estar em casa um pouquinho mais.

Daniel Tavares: Que música vocês não costumam tocar, mas você gostaria de ter novamente nos setlists?

Simone Simons: Esta é uma boa questão. Eu gostaria mesmo de tocar ou "In All Conscience", do "Quantum Enigma". Ou "Mirage of Verity". Essas duas canções são do "Quantum Enigma", mas saíram como faixas bônus. Nós nunca as tocamos ao vivo e muitos fãs dizem que essas são suas canções favoritas do "Quantum Enigma". E eu concordo. Elas são também algumas das minhas favoritas, mas nós nunca as tocamos ao vivo. E eu as postei no Twitter alguns dias atrás dizendo que adoro essas músicas e muitos fãs concordaram e disserem que deveríamos tocar ao vivo, que eu deveria tentar convencer os caras a fazer isso.

Daniel Tavares: Toque-as em Fortaleza.

Simone Simons: Sim. A única coisa é que eu acredito que os caras falaram que, em relação às guitarras ou ao baixo, elas são afinadas em uma escala diferente, então nós teríamos que levar um pouco mais de equipamentos. Então, esta é um pouco da razão porque nós não fizemos isso antes.

Daniel Tavares: Eu entendo.

Simone Simons: Mas, sabe, quando estamos fazendo uma turnê na América Latina, nós viajamos de avião o tempo todo. Seria mais quando estivéssemos fazendo uma turnê com ônibus de turnê e não tivermos que nos preocupar com quanto equipamento estamos levando, quantos itens, quantos quilos. Mas nosso técnico de guitarra é muito bom também. Então ele pode aparecer com uma solução. Mas por enquanto, nós temos que ensaiar as canções do EP japonês "Atack on Titan", que nós lançamos e vamos tocar no Japão. Nós temos que tocar algumas canções do EP e temos que praticar isso. E entre o natal e o reveillon temos que ficar bêbados e isso tudo.

EPICA - Decoded Poetry

Daniel Tavares: Ok, nosso tempo está acabando. Como sempre, eu gostaria que você mandasse uma mensagem para os seus fãs, mas, especialmente para aqueles de Fortaleza, onde eu moro, e pra Recife, Manaus e todas as cidades em que vocês nunca estiveram.

Simone Simons: Sim, nós estamos super empolgados de voltar ao Brasil. Nós vamos nos divertir, eu tenho certeza. É maravilhoso que possamos ver novas cidades, novos fãs e eu desejo a todo mundo um feliz ano novo e nos vemos em 2018.

Foto: Kennedy Silva
Foto: Kennedy Silva

A Liberation Tour Booking é a produtora responsável pela maior turnê da aclamada banda holandesa Epica pelo Brasil, com a turnê mundial "THE ULTIMATE PRINCIPLE" pelo País. A turnê brasileira vai estremecer Belo Horizonte (09/03 - Music Hall), São Paulo (10/03 - Tropical Butantã), Rio de Janeiro (11/03 - Circo Voador), Porto Alegre (13/03 - Opinião), Curitiba (14/03 - Spazio Van), Manaus (16/03 - Teatro Manauara), Fortaleza (17/03 - Espaço Jangada) e Recife (18/03 - Clube Português do Recife).




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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