Epica: e se Simone Simons não fosse a vocalista da banda?

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Metal Militia
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São Paulo recebe este mês a edição nacional do festival da banda EPICA, que não ficará devendo em nada à versão holandesa. O line-up é composto pelas bandas PARADISE LOST, da Inglaterra, FINNTROLL, da Finlândia, XANDRIA e THE OCEAN, da Alemanha, das brasileiras TUATHA DE DANANN e PROJECT46, além de, obviamente, da anfitriã EPICA. Embalados pela temática de realidades paralelas descrita no mais recente disco da banda, lançado na última sexta-feira (que já resenhamos aqui), conversamos com Simone Simons e quisemos saber o que aconteceria em realidades alternativas (se o EPICA não tivesse os elementos sinfônicos, o que seria? Se você não fosse vocalista, o que seria?). Obviamente também conversamos sobre o vindouro festival. Simone também deixou transparecer toda a sua preocupação ao falar da crise dos refugiados na Síria, tema de uma das canções de "The Holographic Principle". E aos fotógrafos, um aviso: "me peguem de um bom ângulo em suas fotos". Confira a conversa, na íntegra, logo abaixo.

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Daniel Tavares: Você tem uma estória aqui com o Brasil. Muitos fãs, shows e também esteve presente no álbum "Secret Garden", do ANGRA, cantando a faixa-título. Como você se sente ao voltar no mês que vem para o nosso país?

Simone Simons: Eu me sinto muito empolgada. Nós sempre passamos por bons momentos no Brasil. Os fãs são maravilhosos. Os shows que tivemos foram maravilhosos também. Então, eu mal posso esperar para tocar canções do "Holographic Principle" para os fãs.

Daniel Tavares: Ok, esta era a minha próxima questão. Se vocês tocariam algo do "Holographic Principle". Então, você pode explicar um pouco mais sobre a decisão de ter seu próprio festival, o Epic Metal Fest?

Simone Simons: Bem, é algo em que temos pensado muito por um tempo. Ao invés de fazer apenas um show, nós descobrimos que podemos fazer algo ainda melhor, do jeito que gostaríamos que fosse organizado. Contatamos vários parceiros comerciais no ano passado, ficamos empolgados, querendo que fosse como teria que ser e gostaríamos que fosse internacional. E seria bom que fosse na América Latina, onde temos uma grande base de fãs. Obviamente, esta é a melhor parte do show.

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Daniel Tavares: E como vocês selecionaram as bandas? O que mais você pode nos dizer sobre PARADISE LOST, XANDRIA, e especialmente o TUATHA DE DANANN e PROJECT 46.

Simone Simons: Bem, nós, meio que, tentamos juntar bandas boas para os shows no Brasil, tentamos selecionar bandas locais e bandas que fazem sucesso na Holanda, na Europa, bandas que tivessem um bom apelo. A ideia também era ter sons diferentes, de bandas novas num grande evento.

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Daniel Tavares: Da última vez que vocês vieram aqui, eu fiz uma pergunta para o Mark e ele me falou que, se tirássemos os sons orquestrais do EPICA, seu canto doce, o som do EPICA seria quase tão pesado quanto o da nossa SEPULTURA. Você concorda com ele?

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Simone Simons: Se o EPICA é tão pesado quanto o SEPULTURA? Bem, seria uma outra banda. Eu acredito que até poderia ser tão pesada, mas, se tirássemos todos os orquestrais, não seria EPICA, seria alguma outra banda de Heavy Metal. Não conheço tanto o trabalho do SEPULTURA para fazer algo como eles, mas definitivamente somos uma banda de Heavy Metal.

Daniel Tavares: Como foi tocar com o ANGRA na faixa-título do "Secret Garden"?

Simone Simons: Sim, eu gravei os vocais no meu estúdio em casa. Eu fiz todos eles. É uma balada realmente bela. Se tornou realmente uma coisa boa.

Daniel Tavares: Eu sempre faço esta pergunta no final de todas as minhas entrevistas, mas, já que estamos falando tanto de bandas brasileiras, já falamos do TUATHA, do PROJECT 46, do SEPULTURA, do ANGRA, vou fazer agora. Que outras bandas brasileiras você conhece, gosta de ouvir em casa?

Simone Simons: Bem, as outras bandas de metal que eu escuto... não tenho realmente muito tempo para ouvir músicas e o OPETH e LACUNA COIL são algumas das últimas que eu tenho ouvido. Eu conheço o SEPULTURA, sei que são uns caras bacanas, mas realmente não escuto a música deles. Eu acho que os caras na banda, o Isaac e o Mark, eles são mais chegados a música deles. Talvez quando cheguemos a São Paulo e vermos os outros caras tocando será legal. Saberemos se são caras legais.

Daniel Tavares: Vamos falar agora sobre o próximo álbum do EPICA, "The Holographic Principle", que está para ser lançado. Eu li que é, de certa forma, um álbum conceitual sobre tecnologia, com algo [dos filmes] Matrix, Inception, alguma coisa do Exterminador do Futuro talvez. Você pode explicar um pouco mais?

Simone Simons: Bem, o título, "The Holographic Principle" vem do Mark. Ele tem muitas dessas ideias. E o princípio holográfico quer dizer que nós podemos estar vivendo em um holograma. A tecnologia moderna, os óculos de realidade virtual... você põe esses óculos e pensa que está em uma realidade virtual que é tão realística que quando você os tira você não tem mais certeza de em que realidade você está. Talvez você possa perceber que o que é a realidade também possa ser virtual, gerada pela tecnologia. Combinando isso tudo com o que vemos na TV, a política moderna, os refugiados, a tragédia quando algo acontece com os botes, as letras falam de tudo isso.

Daniel Tavares: Ok, vocês também tem o "Divide and Conquer" sobre o Oriente Médio, vocês também tem "Dancing in A Hurricane", eu acho que é sobre as crianças na Síria. Eu sei que isto é pessoal, mas, você é uma mãe agora. Eu também tenho um pequeno garoto. Nós tentamos alimentá-los, educá-los, protegê-los, mas, as crianças na Síria vivem como se a qualquer momento uma bomba possa cair sobre suas cabeças. Todas as notícias sobre a Síria são tristes e, depois que nos tornamos pais ou mães, nós ficamos ainda mais tristes com todas essas notícias. Eu gostaria de saber se você concorda comigo nisso. E o que mais você gostaria de falar sobre este tópico e se você acredita que há alguma esperança para a humanidade ou nós apenas vamos andando em círculos, hoje é a Síria, amanhã vai ser em algum outro lugar?

Simone Simons: Sim, isto está ficando pior. Mas a última coisa que você deve perder é a esperança, eu acho. Quando alguém me fala essas coisas, eu acho que tenho que concordar. Como mãe, sabe, eu me vejo sofrendo mais ainda, sofrendo com essas pessoas. Nós nos sentimos seguros, mas nesses lugares muitas coisas ruins estão acontecendo, crianças estão morrendo. O que está acontecendo nesses países é terrível. Eu espero que tudo volte a ficar em paz de novo, mas eu tenho medo da forma como as coisas estão acontecendo.

Daniel Tavares: Ok, vamos mudar de assunto agora. Este é um assunto inevitável, falar sobre mulheres no rock. A lista de bandas feitas na maior parte de rapazes mas com vozes femininas no microfone principal é extensa. Temos o EPICA, temos o NIGHTWISH, temos o WITHIN TEMPTATION, temos o GARBAGE, que vai mais pro lado do rock alternativo... Você acha que ainda há algum preconceito ou dificuldade para as mulheres no rock hoje ou você acha que é quase a mesma coisa que as bandas que são formadas completamente por homens?

Simone Simons: Bem, sabe, sendo uma mulher sempre estive em minoria, porque, mesmo com as mulheres no papel de vocalista, ainda existem de quatro a cinco rapazes na banda, apesar que existam bandas com mais mulheres, duas mulheres, o que é muito legal. Mas não acho que seja mais difícil ter o meu lugar na banda ou me sinto discriminada ou mal tratada por ser uma mulher. Temos que usar isso em nosso benefício. Eu me sinto como se estivesse em casa. Eu sempre prefiri trabalhar apenas com caras do que com mulheres, porque os caras são mais fáceis. Sim ou não, Branco ou preto, não tem cinza. [risos]

Daniel Tavares: Sim. Mais como uma curiosidade. Você tinha apenas 17 anos quando se juntou à banda. Se você não tivesse se juntado ao EPICA, o que você seria? Seria uma médica, uma arquiteta, que profissão você seguiria se não fosse a vocalista do EPICA?

Simone Simons: Ah, esta é realmente uma boa questão. Eu às vezes a faço pra mim mesma. Eu simplesmente amo a criatividade que corre através de mim. Eu sempre fui uma pessoa criativa. Sempre amei desenhar, fotografia. Se eu tivesse podido ir à universidade eu não gostaria de ficar estudando e lendo livros o tempo inteiro. Eu preciso fazer algo em que eu possa criar. Eu gostaria de criar alguma coisa.

Daniel Tavares: Ok. Foi um prazer falar com você. Eu gostaria que você deixasse sua mensagem para os fãs do EPICA e os convidasse para o EPIC METAL FEST. E, como você disse que seria uma fotógrafa, queria que você também falasse algo especial para os fotógrafos que vão te fotografar no palco em 15 de outubro.

Simone Simons: Ah, me peguem de um bom ângulo eu diria. [risos] Algumas fotos são tiradas de baixo ou de 200m de onde realmente estamos...

Simone Simons: Então nós estamos indo para o Brasil em 15 de outubro para o Epic Metal Fest. É algo que temos esperado bastante. Estamos muito empolgados e será maravilhoso que todos nós possamos nos divertir muito em São Paulo.

Daniel Tavares: Obrigado [em português]

Simone Simons: Obrigado, tchau [em português]

Serviço EPIC METAL FEST BRAZIL 2016

Data: 15 de outubro de 2016

Local: Audio

Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 694 (próximo ao Terminal Rodoviário/Metrô Palmeiras - Barra Funda)

Abertura da casa: 13h | Início dos shows: 14h30 | Previsão de término: 21h30

Evento Fb:
https://www.facebook.com/events/844867092307384

Classificação etária: 16 anos

Menores de 16 anos: entrada permitida com responsável legal, mediante apresentação de documento

INGRESSOS:
Pista Promocional*: R$ 220,00
Pista Promocional* + CD: R$ 260,00
Mezanino - ESGOTADO
Pista Premium - ESGOTADO

* O ingresso promocional antecipado é válido mediante a entrega de 1 kg de alimento não-perecível na entrada do evento. Tudo que for arrecadado será doado ao projeto Pari Sem Fome, que auxilia moradores de rua e refugiados estrangeiros nas regiões do Pari, Canindé e Centro

Venda online (com taxa de conveniência):
https://www.ticket360.com.br/evento/5726/epic-metal-fest

Ponto de venda (sem taxa de conveniência): Bilheteria da Audio (Horário de funcionamento: de Segunda à sábado das 13h às 20h)

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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