Torture Squad: desbravando o mundo e o Brasil com seu Metal

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Por Vicente Reckziegel, Fonte: witheverytearadream
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O Torture Squad é quase uma instituição do Metal nacional. Porém, assim como tantas bandas, sofreu seus reveses e algumas mudanças de formação durante suas mais de duas décadas de trajetória.

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Entretanto, a chama continua a arder firmemente, agora voltando a ser um quarteto, formado por Mayara Puertas (Vocal), Rene Simionato (Guitarras), Castor (Baixo) e Amilcar Christófaro (Bateria), que concedeu esta entrevista no final de 2016, onde falam sobre o atual momento do Torture Squad, os planos da banda para o futuro próximo, e a vida na estrada, visto que a banda vem tocando incessantemente tanto no Brasil quanto no exterior. Confiram o que uma das melhores bandas nacionais tem a dizer, e ainda a mostrar para seus fãs...

Vicente – Vocês estão nesse momento em uma turnê na Europa (a entrevista foi realizada no final de 2016). Como tem sido esses shows no exterior?

Amilcar Christófaro – Tem sido muito bom. Foram dezenove shows em sete países. Tocamos desde lugares de médio e pequeno porte, sendo headliner em um festival em Bilbao na Espanha, até em squats Punk, como em Barcelona e Berlim. Aliás, o trabalho que o Xandão (Andralls e Nuclear Warfare), dono da On Fire Booking Agency tem feito com as bandas brasileiras na Europa é genial e merece todo reconhecimento. A cena metal brasileira deveria dar um prêmio a ele pelos bons serviços prestados ao metal nacional pelo mundo (risos). E em alguns dias vamos soltar no canal do Youtube oficial da banda (www.youtube.com/torturesquadband), um diário em vídeo sobre essa tour.

Vicente - E como tem sido a receptividade do público europeu com o Torture Squad?

AC – Os bangers tem curtido muito a voz da Mayara e o trabalho do Rene na guitarra. Muitos fãs das antigas vinham falar que sentem a gente num momento muito especial, se não no melhor momento da banda, e isso casa com o que eu acho, pois sinto que estamos firmes e fortes, e isso me deixa feliz.

Vicente – Qual acredita ser a principal diferença de tocar no exterior e no Brasil. Em que parte acha que ainda temos de avançar para fazer um trabalho verdadeiramente profissional?

AC – O Brasil está evoluindo sim e a tour brasileira do EP, que fizemos entre agosto e setembro desse ano, é uma grande prova disso. Aliás, muitos fantasmas foram deixadas para trás depois dessa tour, porque até então, todos sem exceção, não acreditavam que no Brasil poderia ter show durante a semana, começando e terminando cedo, com equipamento bom, com público, sem ninguém passar a perna em ninguém, e foi exatamente assim que rolou. Todos os shows foram muito bons, mas os de segunda, terça e quarta foram memoráveis! Nunca vou me esquecer da primeira segunda feira da tour, que foi em Vitória da Conquista na Bahia, estava lotado, e assim como aconteceu em outras cidades, nem os promotores e os bangers locais estavam acreditando na força da própria cena, todos lá em um show de uma banda brasileira, numa segunda feira. Foi mágico! Porque sempre trabalhamos para que um dia rolasse uma tour nesses moldes, de como se faz desde sempre fora do Brasil. E conseguimos também graças a um conjunto de coisas, como o belo trabalho da Restless Booking agency, a banda sempre trabalhando com o pé no chão em relação a valores, os promotores que acreditaram junto, e claro, o mais importante, que foram os bangers que compraram e abraçaram a ideia, indo ver a banda na estrada que estava passando pela cidade independente do dia. Isso é um grande sinal de evolução no nosso país, assim como lugares já mais bem estruturados e equipados para a banda fazer um show digno, que também já é uma grande realidade no Brasil. Fico muito feliz com esses sinais de avanço porque, mesmo o Brasil sendo um país novo perto de continentes e países ultra velhos, já estava na hora de termos nossa cena costurada por um circuito estruturado funcionando sem parar. Será bom tanto para as bandas brasileiras quanto para as gringas. Todo mundo sai ganhando em todos os sentidos.

Vicente – Em 2016 vocês lançaram o EP “Return of Evil” Como foi o processo de composição e gravação deste disco?

AC – A gente estava divulgando o cd e dvd ao vivo Coup D État Live (2015) quando aconteceu toda a mudança na banda, e assim que a Mayara e o Rene entraram, a gente continuou a divulgação do material ao vivo, mas naturalmente sentimos uma necessidade de mostrar algo com a nova formação, daí veio a ideia de gravar um EP com quatro musicas, pois não te toma muito tempo, dinheiro, e em pouco tempo você já tem um novo trabalho em mãos.
Das quatro músicas do EP, a Return of Evil, Swallow your Reality e a Iron Squad são inéditas e a regravação de Dreadful Lies que é uma música do primeiro álbum Shivering. A Return of Evil e a Iron Squad já tem um pouco de todos nós trabalhando juntos enquanto a Swallow Your Reality era da nossa época de trio e a Dreadful Lies, como disse, é uma regravação.
A gravação foi com a Loud Factory no Na Cena estúdios em São Paulo, em dezembro de 2015, tendo a produção do Wagner Meirinho e o Tiago Assolini como engenheiro. Gravamos somente em um dia do jeito mais “old school” possível, com os três tocando ao mesmo tempo, e depois acrescentando vozes e solo de guitarra. No outro dia fomos para Parelheiros, em SP também, para a gravação do vídeo clipe da Return of Evil que teve produção do Cristiano Reis do Hollines. Fechamos um package de álbum e vídeo e deu tudo certo, por isso saiu tudo muito rápido.

Vicente- Algum motivo em especial para o titulo?

AC – Na verdade tem motivos (risos). A letra da música fala um pouco da história do Genghis Khan e o título tem a ver com a história dele. Também a gente pode associar ao momento em que a banda está passando, com o retorno da voz Death Metal que sempre foi característica no Torture Squad, voltando aquela agressividade da voz mais brutal.
Mas o nome realmente surgiu depois que o grande mago Toninho Iron viu um show da gente e me disse, “isso foi o resgate da maldade!”. Achei uma expressão muito foda que não poderia passar em branco.

Vicente – Torture Squad está com uma nova formação. Como tem sido a receptividade dos fãs para com os novos integrantes da banda?

AC – A receptividade tem sido animal, e por isso, posso falar que eles estão aprovando a nova formação, e isso me deixa muito feliz porque realmente estamos nos sentindo muito bem como banda. Tanto na relação musical quanto pessoal.

Vicente – E os próximos passos da banda, podemos ter um novo álbum em breve?

AC – Com certeza. Vamos entrar em estúdio em abril de 2017 para lançá-lo em julho. Antes disso temos uma mini tour pelo interior de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná, sendo marcada pela Restless também e que acontecerá em fevereiro de 2017. Fora outros planos de turnês e vídeo clipes para trabalhar durante o ano.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:
Kreator – O melhor do Thrash Metal da Alemanha
Slayer – Os pais do Death Metal com o mestre de todos...Dave Lombardo
Exodus – Gigantes do estilo
Sepultura – Mais que música. Um sinal verde para a vida.
Nervosa – A mais nova potência metal brasileira

Vicente – Por fim, deixem um recado para os fãs da banda e para todos aqueles que querem conhecer mais sobre o Torture Squad

AC – Eu não tenho nem palavras para dizer o que sinto em relação as pessoas que curtem a nossa música, que tem comparecido nos shows, pegado nossos discos e qualquer material da banda por esses vinte e três anos. Essa tour brasileira que fizemos foi o auge da demonstração de carinho pelo nosso trabalho. Essa troca de energia que temos com vocês durante o show é o que faz tudo valer a pena. A cada bangueada sua no meio da nossa música, é um “level” de vida que sobe na gente, pois sua atitude está sendo muito verdadeira com o que você está sentindo, que no fim de tudo, é o porquê de se curtir metal. Honrado em fazer parte da vida das pessoas que curtem a nossa música.

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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