Anthrax: o Iron Maiden sempre teve grande impacto em nossas vidas, diz Benante

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O ANTHRAX está prestes a desembarcar mais uma vez no Brasil. E dessa vez, o quinteto americano chega em nosso país a bordo de, talvez, um dos mais famosos aviões do mundo, o gigantesco Ed Force One, pilotado por ninguém menos que Bruce Dickinson. Conversei com Charlie Benante, baterista do ANTHRAX, sobre como ele estava se sentindo ao excursionar com o IRON MAIDEN, sobre o novo álbum, 'For All Kings', sobre o Big 4, sobre o S.O.D. e, acreditem, sobre café. Confiram abaixo como foi o nosso bate-papo.

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Daniel Tavares: Eu sei que a primeira canção que você tocou com Scott Ian foi uma canção do IRON MAIDEN, correto? O que você está esperando dessa turnê? Eu vi isso em um vídeo, eu acredito que tenha sido no vídeo que está no Smithsonian. [Nota: o Smithsonian Institute é um conjunto de museus controlado pelo governo norte-americano. O vídeo de que falei é o que está no verbete referente ao ANTHRAX no Museu Nacional de História Americana].

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Charlie Benante: Oh, sim, eu acho que a primeira canção foi 'Invaders'. Nós somos grandes fãs do IRON MAIDEN. O IRON MAIDEN teve um grande impacto em nós dois, em nossas vidas e, realmente, o caminho que nós tomamos musicalmente foi o mesmo caminho que o IRON MAIDEN tomou, na forma como nós o abordamos, sabe? Nós já fizemos muitos shows com o IRON MAIDEN no passado e sempre foram alguns dos nossos melhores shows.

Daniel Tavares: Você pode nos dar algum detalhe dos shows da turnê? O que os fãs podem esperar, o que os fãs do ANTHRAX podem esperar?

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Charlie Benante: Eu sei que nós vamos tentar incluir algumas novas canções, porque nós realmente gostamos delas e achamos que nossos fãs vão realmente gostar delas também. E nós vamos também tocar as canções velhas, os clássicos. Então, eu acho que vamos tentar fazer um pouco de tudo para fazer todo mundo muito feliz.

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Daniel Tavares: Na data de hoje, você ainda não voôu no Ed Force One, certo? [Nota: a entrevista foi realizada em 23 de fevereiro] Pelo que eu saiba o primeiro show será no dia primeiro de março. O que você acha do avião e de ter um colega de turnê como piloto desse avião?

Charlie Benante: [Risos] Sabe, eu tive uma vez uma longa conversa com o Bruce Dickinson sobre voar, sobre aviação...Ele me contou algumas coisas que me fizeram sentir ok. Eu me sinto mais confortável agora. Pelo que eu ouço, ele é um grande piloto e tem feito isso já há alguns anos, tem muita experiência, então, estou ok.

Daniel Tavares: O ANTHRAX tem um novo membro na formação, Jonathan Donais, que substituiu Rob Caggiano, que saiu para tocar com o VOLBEAT. Como Donais está se saindo?

Charlie Benante: Jon é um guitarrista incrível. Ele é muito especial no seu modo de tocar guitarra. Ele toca as canções com muito fogo sob ele e ele toca no novo álbum e é provavelmente um dos melhores guitarristas que tivemos na banda.

Daniel Tavares: Isso é bom. O ANTHRAX foi a primeira, ou uma das primeiras bandas a introduzir o rap no metal, com 'I Am The Man' e o que veio depois. Eu não tenho visto nada parecido em sua música ultimamente. Você acha que nós vamos ter algo como aquilo novamente?

Charlie Benante: Eu acho que vai acontecer de novo. Eu não acho que tenhamos fechado mesmo a porta para isso. Sabe, nosso ponto de vista foi sempre se não pudermos fazer algo melhor que 'Bring The Noise', nós não faremos. Mas, eu acho que nós temos algo em que temos trabalhado que nós podemos lançar no futuro.

Daniel Tavares: Ok. E existe alguma chance de um retorno do STORMTROOPERS OF DEATH com o Scott Ian aos palcos.

Charlie Benante: Não, eu acho que não.

Daniel Tavares: E vamos falar sobre o Big 4. Como é pra você, pra vocês como banda, ser considerado uma das quatro maiores bandas de Thrash Metal no mundo inteiro, ao lado de METALLICA, MEGADETH e SLAYER? Existe alguma chance de uma nova turnê como aquela?

Charlie Benante: Eu esperaria que fizéssemos mais alguns daqueles shows, mas eu acho que não vai acontecer de novo.

Daniel Tavares: Ok. Eu vou usar essa oportunidade para falar algo que você provavelmente não sabe sobre o Brasil, você e o METALLICA, que é um exemplo perfeito da expressão 'Lost in Translation'. Existe um vídeo do METALLICA chamado 'A Year And a Half In The Life parte I' em que Bob Rock brinca com Lars Ulrick, que estava ficando frustrado por não conseguir fazer uma parte de bateria. Bob Rock disse: 'é melhor você fazer isso certo, senão vamos chamar o Charlie Benante pra fazer isso pra você'. Um baterista brasileiro muito conhecido estava em Miami e tomou conhecimento disso. Mas ele não falava inglês muito bem e não entendeu a estória corretamente. Quando ele voltou ao Brasil, contou pra todo mundo que você seria o próximo baterista do METALLICA. E todo mundo acreditou. Então, pelo menos no Brasil, naquele momento, muita gente pensou que você iria fazer parte do METALLICA.

Charlie Benante: [Risos] Não. Eu não sabia. [Risos]

Daniel Tavares: Vamos voltar à entrevista. Existe uma canção chamada 'Evil Twim' no último álbum que toca o assunto do Estado Islâmico. Você acredita que haverá um fim próximo à crueldade do Estado Islâmico? Como você vê o mundo hoje?

Charlie Benante: 'Evil Twin'?

Daniel Tavares: Sim.

Charlie Benante: Eu acho que 'Evil Twin', como canção é muito tópica sobre o que está acontendo, sobre o que tem acontecido no mundo, sobre estes extremistas que trazem o seu terror para pessoas inocentes que, claro, não tem nada a ver com a razão porque essas pessoas estão fazendo terrorismo com as outras. Eu apenas apenas acho que as pessoas acham que podem fazer esses atos e ser aplaudidas pelos outros terrorristas e se tornar mártires. Eles não são mártires. Eles são apenas cuzões do inferno, basicamente. É tão triste que hajam pessoas que tem que viver num lugar em que haja isso agora.

Daniel Tavares: Existe uma questão que eu sempre pergunto para todos os meus entrevistados. Existe algum artista brasileiro que você goste ou que tenha tido alguma influência na sua música ou no seu modo de tocar?

Charlie Benante: Sabe, eu sempre penso no SEPULTURA e, especialmente, no Andreas. Ele é provavelmente um dos meus guitarristas favoritos. Eu sempre amo a forma como o Andreas ataca o seu instrumentos. Ele é um daqueles verdadeiros músicos. E sempre que eu o vejo eu sempre gosto do tempo que passamos juntos.

Daniel Tavares: Ok. E quais são suas outras influências e que outros tipos de música você gosta? O que toca no seu ipod?

Charlie Benante: Oh, eu tenho muitos, muitos ipods. [risos] Eu gosto de músicas diferentes para diferentes dias. As vezes eu acordo e penso 'ah, eu gostaria de ouvir o KISS hoje'. Ah, você sabe, no outro dia, eu gostaria de ouvir FLEETWOOD MAC. E no outro eu gostaria de ouvir LED ZEPPELIN. Então, é sempre um humor diferente num dia diferente, sabe? Mas eu amo todas as formas de música. Eu não acho que devamos ser unilaterais. Nós devemos ter diferentes coisas entrando nos seus ouvidos. Assim como você deve ter coisas diferentes na sua boca, para saborear, você deve saborear diferentes coisas com seus ouvidos.

Daniel Tavares: Por último, mas não menos importante, você tem até uma marca de café. O Benante's Brand. Você pode nos contar...É uma curiosidade. O mundo inteiro da música está investindo em coisas como cervejas, vinhos, e coisas assim. Você pode nos dizer algo sobre isso? E se nós vamos poder algum dia ver isso nos supermercados, pelo menos nos Estados Unidos?

Charlie Benante: Eu gostaria. Eu gostaria que eu pudesse fazê-lo chegar aos supermercados, mas, sabe, meu café é muito, muito... o jeito como eu o fiz... é muito, muito orgânico. Ninguém veio até mim e disse 'ei, nós queremos fazer um café'. 'Ok, ótimo, façam e ponham meu nome nele'. Não foi desse jeito de forma alguma. Foi eu fazendo tudo desde o início. Eu colhi os grãos, eu selecionei que grãos entrariam nele, eu escolhi como ele seria torrado, eu escolhi os sacos, eu escolhi tudo neles. Então, vem de mim e não de outro alguém. E é delicioso. Tem um ótimo sabor e as pessoas que o tomaram disseram que ele era ótimo. E eu fiquei muito feliz com isso, com o que as pessoas pensaram.

Daniel Tavares: Ok. Traga um pouco para o Brasil.

Charlie Benante: Sim, eu vou tentar.

Daniel Tavares: Você gostaria de deixar uma mensagem para os seus fãs no Brasil, especialmente para aqueles que vão vê-lo em um dos cinco shows com o IRON MAIDEN?

Charlie Benante: Para todos os meus fãs no Brasil, muitíssimo obrigado por todos os anos de apoio. Nós gostamos de tocar pra vocês. É um dos destaques na nossa agenda de turnês ir à América do Sul. E nos vemos em breve.

Daniel Tavares: Você já viu fãs mais loucos que os sul-americanos?

Charlie Benante: Oh, os fãs aí são muito apaixonados, mais apaixonados do que eu já pude ver. E isso faz com que a gente trabalhe ainda mais duro, porque a platéia é tão maravilhosa.

Daniel Tavares: Eu gostaria de agradecê-lo. Foi um prazer conversar com você. Eu vou ver vocês em 24 de março em Fortaleza.

Charlie Benante: Saúde. Obrigado.

Créditos das imagens: páginas oficiais do Anthrax e de Charlie Benante, instagram e twitter de Charlie Benante.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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