Rádios Rock: Elas querem good vibes, bandas novas devem seguir outro caminho

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Por Fernando Moraes
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Sabe aquela história de passar uma mensagem que possa motivar grandes reflexões, mudar o mundo através da música, se rebelar contra o sistema por meio do Rock? Se você quer fazer sucesso nas FMs, esqueça tudo isso. "As rádios incorporaram um tipo de Rock comercial, com características já pré-formatadas, good vibes", diz Priscila Rocha, jovem publicitária paulistana, CEO da Geração Y, que está à frente de projetos como "O Som de SP", "Manilha Sessions", "Brasileiríssimos convida" e também engajada em projetos como a Netshow.me.

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Entre um evento que organiza e palestra que se prepara para ministrar, ela concedeu uma entrevista a mim, na qual fala da falta sobre alternativas de sucesso no meio digital, no uso consciente das redes sociais e também no "boca a boca", algo que as bandas mais conectadas tem descartado, mas que ainda faz muita diferença ao divulgar o trabalho.

A maior rádio Rock do Brasil está fazendo 30 anos e ainda enfoca, em sua programação, músicas e artistas do passado. Isso, sem contar rádios que assumidamente o gênero Classic Rock e abrem pouco ou quase nenhum espaço para a novidade. É assim, com exceção de algumas rádios que ainda dão espaço para o novo na FM, como a Rádio Usp. Você acredita que ainda há espaço para o Rock nas FMs? Se não, onde os artistas devem procurar seu espaço?

Priscila Rocha: Acredito que as rádios incorporaram um tipo de "rock" que imaginam sabe? Algo bem mais comercial e que tenham as características já pré-formatadas, podemos ver isso em relação as músicas das bandas de rock que são escolhidas. Estive em um encontro de bandas onde uma profissional da área falou que ao entregar um cd de banda de rock para rádio eles avaliam primeiro quais são as músicas "good vibes" que tem a oferecer, porque é essa mensagem que tem sido mais consumida.

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Priscila Rocha: Então pra FM acredito que ou as bandas se adaptam a essas "condições" para tocar o som e conquistar um público para depois converter mostrando os outros, ou eu apostaria muito em divulgação nas plataformas digitais mesmo, streaming e parcerias mais sólidas com uma imprensa mais aberta a esse estilo de música. Hoje com as plataformas de streaming as bandas de rock conseguem estar no mesmo ambiente de outras bandas maiores e gêneros diferentes.

O que o músico independente precisa entender, se quiser obter destaque na cena musical?

Priscila Rocha: Tenho falado muito sobre essa questão, para se ter destaque é preciso se profissionalizar, encarar o sonho de viver de música de forma realista e procurar fazer por merecer. Acredito que o primeiro passo é essa compreensão e um bom planejamento de atividades e metas bem definidas e tangíveis para conseguir medir o que tem bom resultado e o que precisa melhorar.

Priscila Rocha: Com base em saber que o músico precisa empreender, ele com certeza vai enxergar melhor quais são os caminhos e as possibilidades que pode usufruir.

Como um artista independente pode começar a planejar sua divulgação pela internet?

Priscila Rocha: Primeiro estipulando bem quais são as metas e o que é o tal sucesso que ele busca, esse será o ponto inicial para qualquer atividade que o artista for fazer.

Priscila Rocha: Como falei essas metas e o sucesso precisam ser algo concreto, com números, com possibilidades tangíveis. A partir disso pegar o que tem de melhor e colocar num planejamento em relação as atividades que farão para conseguir criar postagens nas redes sociais e estratégias para atingir o público.

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Priscila Rocha: Sempre faço e aconselho a fazer um planejamento mensal de quais são os assuntos e eventos relevantes que terão e, a partir disso dividir em postagens semanais para comunicar ao público as novidades. É preciso entender o timing certo para não perder o peso e "boom" da divulgação, além, claro, de saber bem qual público quer atingir e o que tem a oferecer.

Diferentemente de lugares como Rio de Janeiro e Minas Gerais, em São Paulo o resultado do marketing virtual não se traduz na quantidade de pessoas no show, ainda. Bandas com grande número de seguidores virtuais ainda sofrem para conseguir público em suas apresentações. No que os músicos estão errando? O que é possível fazer para mudar esta realidade?

Priscila Rocha: Minha visão é que os músicos erram em esperar que realmente o trabalho online traduza todo o retorno físico para esses eventos. Primeiro é preciso entender que as redes sociais possuem um alcance orgânico bem ruim (principalmente o facebook), logo ou você fará um investimento para alcançar o máximo de pessoas que puder ali, ou você cria outras maneiras de se tornar mais presente na vida dessas pessoas. Não adianta ter números grandes se não existe RELACIONAMENTO.

Priscila Rocha: Eu particularmente tenho apostado muito mais na segunda opção, é importante sim estar nas redes sociais, mas mais do que isso é importante saber que as formas de divulgações mais diretas e pessoais tem funcionado e ao meu ver continuará existindo enquanto tiver pessoas que apreciam e preferem mais o contato olho no olho. Então, acredito que o ideal é fazer shows mais pontuais e tornar o mais atrativo possível para converter em pessoas reais nele desde família à amigos e amigos de amigos.

Priscila Rocha: Lembro que em 2009/2012 muitas bandas faziam encontros de fãs em parques e shoppings aqui em São Paulo, e que por mais que o primeiro tivesse pouca gente, eles insistiam até ter mais pessoas. Outra coisa que acredito que role muito é você ter um contato mesmo digital mais próximo, enviar mensagem inbox sem aquelas frases padrões, criar um relacionamento. As pessoas estão muito fissuradas em coisas da internet que esquecem um pouco como antes as coisas aconteciam sabe?

É evidente que aquele modelo "assinatura com gravadora, jabá em grandes rádios, sucesso em emissoras de TV e, depois, shows lotados" está desgastado. Quais as alternativas para o músico que pretende obter reconhecimento e como ele pode fazer isso com baixo custo?

Priscila Rocha: Como disse, primeiro ele precisa entender o que é esse sucesso, e acredito que muito é consequência de um trabalho feito com verdade e profissionalismo. É importante entender também que é preciso um passo de cada vez. Vejo muitos músicos ansiosos em já conquistar grandes coisas sem ao menos ter ralado um pouco para errar também sabe? No meu caso os grandes aprendizados vieram com erros, é importante um passo de cada vez e seguir todos alinhados com o propósito.

Priscila Rocha: Um primeiro passo para começar a conquista do seu objetivo é firmar parcerias, conhecer muitos outros artistas, produtores, frequentar mesmo esses ambientes em que tanto os parceiros como público estarão. Depois acredito que um pequeno material de divulgação física também funciona, domingo agora vi o Ivo Mozart na saída do metrô Vila Madalena vendendo um combo de ingresso e CD para seu próximo show. Achei incrível a atitude, porque mesmo depois de ser muito conhecido ele não deixou aquelas primeiras atitudes de lado e isso mantém a galera mais perto dele possível.

Priscila Rocha: É preciso se reinventar e colocar ações "fora da caixa" para conseguir se destacar com baixo custo, e isso não é impossível.

O Rock nacional surgiu entre os anos 60 e 70, na década de 80 se tornou pop, sobreviveu entre os anos 90 e perdeu espaço nos últimos anos. Como vê o Rock nacional na próxima década?

Priscila Rocha: Apesar de ter perdido espaço, felizmente ele ainda não morreu. Rock para mim é atitude, e tenho visto e conhecido muitos músicos com atitude. Estamos numa leva de perceber o que a internet pode ajudar e o se pode fazer para mostrar que temos uma nova geração de bandas tão dispostas quanto as que seguraram essas décadas.

Priscila Rocha: Estou bem otimista com o que teremos, acredito que teremos uma década com músicos focados em profissionalização e mais do que isso, em empreendedorismo musical. Pessoas dispostas a se reinventar para poder chamar mais a atenção das pessoas com a verdade eles e fazer um legado, ou mesmo parte da vida de algumas pessoas.




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Sobre Fernando Moraes

Jornalista e Relações Públicas, Fernando Moraes é também músico independente, vocalista e guitarrista da banda paulista Rota Ventura. Amante de Rock, de música de qualidade e entusiasta dos artistas autorais, seus artigos falam sobre o cenário do novo Rock Nacional e os desafios daqueles que fazem de tudo para que grandes bandas continuem surgindo e mantendo vivo o estilo de som mais amado de todos os tempos.

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