Lamb of God: Banda continua sem decepcionar em novo disco
Por Gabriel Sacramento
Postado em 02 de agosto de 2015
Nota: 9 ![]()
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Depois do difícil momento da prisão do vocalista Randy Blythe, por um acidente ocorrido na República Checa em 2013 que resultou na morte de um fã, muitas expectativas foram criadas sobre o lançamento do novo disco da banda intitulado VII: Sturm Und Drang (algo como tempestade e estresse, em tradução livre). Essas duas palavras descrevem bem os sentimentos que norteiam o disco, baseados nas experiências do vocalista e letrista do grupo.
Blythe afirmou que o disco não seria uma retratação exata do momento díficil do cantor, assim como em seu livro - Dark Days: A Memoir. Mas que ele escreveria sobre coisas que o afetou diretamente, durante estes três anos.
Para os fãs que acompanham a carreira da banda, pode-se esperar uma evolução natural dos discos "Wrath" e "Resolution", que traziam mudanças na sonoridade pela qual a banda ficou conhecida no violento "Ashes of The Wake".
"Still Echoes" foi o primeiro single liberado pela banda em maio desse ano. Traz um ótimo trabalho de Chris Adler na bateria, com boas levadas groovadas que se encaixam com os riffs tocados por Willie Adler e Mark Morton. A dinâmica da música é interessante, com momentos mais calmos alternados com momentos mais intensos. É possível ouvir, inclusive, com nitidez o baixo do Campbell, que ressalta o ótimo trabalho na mixagem do produtor Josh Wilbur.
"Erase This" é empolgante com seus riffs pesados, típicos da sonoridade da banda. Traz outro trabalho excelente de Adler nas baquetas. Possui um refrão legal, com os instrumentos bem sincronizados, um peso bem marcado pelo groove. Eles experimentam com um riff adicionado de um efeito bem interessante no interlúdio.
"512" também é um dos singles. Possui uma base composta por riffs mais simples, com ênfase maior nos vocais e na letra. Esta que por sua vez, é bem confessional e se relaciona diretamente com o período conturbado de Blythe na prisão. Ele descreve a sensação de ser incriminado e ter que deixar tudo para viver confinado atrás das grades. Possui um dos melhores refrões do disco.
"Embers" possui a participação do vocalista do DEFTONES, Chino Moreno. Traz um refrão bem expressivo. Possui vocais limpos em boa parte da música, executados aqui pelo vocalista convidado.
"Footprints" permanece no bom padrão do disco, com gritos agressivos, bons riffs e boas levadas de bateria. É notável a ênfase nos vocais e na letra. Aqui, Blythe experimenta um pouco gritos mais agudos.
Talvez a mais impressionante até aqui, "Overlord" traz vocais limpos do Blythe em boa parte da música, lembrando um pouco o ALICE IN CHAINS. Traz uma pegada arrastada que aos poucos vai crescendo e se intensificando. Possui um bom refrão e progride para uma parte mais pesada, com os típicos gritos roucos do vocalista. Essa faixa é bastante diferenciada por misturar uma sonoridade mais lenta e calma com momentos mais agressivos como nunca feito na carreira desses caras.
"Anthropoid" também é empolgante, no padrão do disco. Possui uma boa participação de backing-vocals no refrão. Assim como "Engage the Fear Machine", que possui o melhor solo de guitarra do álbum.
Em "Delusion Pademic", é (mais uma vez) notável a maior ênfase nos vocais e menos nos riffs e bases. Possui uma parte falada muito boa, que evolui para um breakdown típico do metalcore.
"Torches" Possui a participação do vocalista Greg Puciato do THE DILLINGER ESCAPE PLAN. Traz vocais falados roucos do Blythe, em um clima tenso e arrastado. Também traz vocais melódicos com um efeito, como se estivesse sendo executado de trás para frente, um tanto hipnótico e psicodélico. Traz momentos mais intensos, com uma sonoridade um pouco diferente do padrão musical da banda.
Esse disco representa a evolução musical do grupo. Novos elementos estão sendo adicionados à sonoridade típica que nos foi apresentada no "Burn The Priest", primeiro álbum. É possível sim dizer, a cada álbum, eles nos surpreendem com arranjos diferenciados, mas sobre a já conhecida (e apreciada) base musical. É uma melhora constante, a cada trabalho.
O amadurecimento do grupo, diante até mesmo, de situações como a que aconteceu com o Randy Blythe, permitiu a criação de um excelente disco. No qual, o vocalista e letrista compila suas experiências em letras que são gritadas, exprimindo desespero e agonia, sentimentos coerentes com o título do disco. Além das letras confessionais, Blythe nos presenteia com um trabalho consistente nos vocais, com seus famosos guturais, que soam cada vez melhores, muito bem controlados e com vocais melódicos. As melodias são inseridas aos poucos, sem assustar os fãs mais incautos.
As guitarras são muito bem executadas, como sempre, no padrão da banda. Riffs pesados e groovados que prendem a nossa atenção estão aqui. Ouso destacar, este não é o melhor trabalho de guitarras da carreira, que se deu em "Ashes of The Wake", mas o que foi feito aqui é convincente e admirável. Os solos, cada vez mais presentes, são interessantes e acrescentam um algo mais às canções. Como disse antes, as bases são mais simples, uma vez que, as letras e os vocais ganham mais ênfase, mas não deixam ser bem feitas. As bases não sacrificam o peso e agressividade, no geral. As partes instrumentais continuam impecáveis, bem estruturadas, pesadas e remetem aos melhores momentos da carreira do grupo.
Aqui é possível ouvir mais o baixo de John Campbell, um interessante fato positivo sobre a produção do disco. O trabalho do Adler nos tambores é extremamente convincente. O baterista trabalha bem um dos seus pontos fortes, o pedal duplo, com boas levadas e variações cheias de groove.
No geral, esse disco vale a pena ser ouvido. Uma continuação natural do que a banda já vinha fazendo, com excelência e a qualidade de sempre. A banda mostra que não abateu com o triste ocorrido e continua firme surpreendendo com sua sonoridade pesada, fazendo o que eles fazem de melhor.
VII:Sturm und Drang - Lamb of God
(Nuclear Blast - 2015)
1. "Still Echoes"
2. "Erase This"
3. "512"
4. "Embers" (com Chino Moreno of Deftones)
5. "Footprints"
6. "Overlord"
7. "Anthropoid"
8. "Engage the Fear Machine"
9. "Delusion Pandemic"
10. "Torches" (com Greg Puciato of The Dillinger Escape Plan)
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