Rob Halford: Em 1998, clássica entrevista para revista gay

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Por Victor Kataóka, Fonte: H2R
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Em 12 de maio de 1998, Rob Halford era capa da revista destinada ao público gay "theAdvocate". Interessante e reveladora, a entrevista ajuda a entender os demônios que ocorriam na vida de Halford, e que ajudaram o Metal God a canalizar toda a sua fúria no clássico "Painkiller", que para muitos é o melhor disco da história do Metal, para não citar outros exemplos. A estética do Heavy Metal que o Judas Priest ajudou a construir também foi abordada, assim como detalhes dos bastidores e vida pessoal de Halford.

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A entrevista acabou passando despercebida por fãs e mídia especializada, o que foi uma pena, visto que Halford soltou algumas informações de conhecimento restrito a quem as biografias da banda.

A seguir, a primeira parte da longa entrevista, que foi traduzida na íntegra e publicada com exclusividade pelo H2R.


A ambiguidade sexual é comum no glam, disco, e até mesmo no rock alternativo. Mas nunca no heavy metal. Até agora...

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Por Judy Wielder

O significado de uma estrela do heavy metal metal tomando essa atitude é incalculável. No mundo do heavy metal (um termo cunhado por William Burroughs em Naked Lunch) - com o seu culto do demônio, e imagem dominada pela guitarra, músicas "me arrange algumas garotas", e uma base de fãs extritamente heterossexuais, a homofobia é galopante.

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Por que um homem gay ousaria arriscar a sua carreira? Mesmo Freddie Mercury do Queen se isolou de fazer uma declaração pública. Mas agora, depois de quase três décadas vivendo em sua vida sexual de estrela do rock em um cauteloso silêncio, RobHalford, o vocalista do Judas Priest, considerado por muitos como referência no metal, bate a sua cabeça na mais fechada porta do rock, e sai quebrando tudo.

Muito antes dos "mosh pits" com fãs de rock suados batendo juntos os seus corpos, muito antes do grito irado de bandas de heavy metal como Guns N' Roses, Metallica, Ozzy Osbourne, ou Van Halen, existia o Judas Priest.

Vindo das duras regiões industriais do norte da Inglaterra, o Judas Priest era uma gangue de 5 caras furiosos, cheios de rancor acumulado.

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Típico de tantas bandas que mudaram a cara do rock para sempre (os Beatles de Liverpool, Led Zeppelin de Birmingham), o Judas Priest veio de uma parte da Inglaterra tão brutal e opressiva como as próprias guitarras distorcidas da banda.

Conectando ferozmente com a raiva da classe trabalhadora de fãs ao redor do mundo que sentiram que não tinham um futuro brilhante, o Priest começou seu impulso desafiador para o sucesso em 1969.

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Após dois anos de falsos começos e gravadoras pequenas, a banda substituiu o vocalista por um técnico de iluminação teatral vindo de Birmingham chamado Rob Halford. Com seu senso de escrita afiada, pulmão ensurdecedor e couro, Halford foi a magia que lançou a banda e todo um gênero de rock chamado de heavy metal - uma bombasticamente amplificada parede de amplificadores, guitarras, e some a isso um vocalista poderoso o suficiente para acabar com tudo.

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O Judas Priest foi uma força semelhante aos ruídos estridentes dos moinhos de metal nas usinas de aço que habitam o país frio do norte da Grã-Bretanha,

Capitalizado sobre a vestimenta sadomasoquista de couro de Halford (completada pela Harley que ele dirige no palco todas as noites), o Judas Priest vendeu milhões de álbuns e encheu arenas quase que completamente com desagradáveis​​ rapazes heterossexuais bebedores de cerveja e batedores de cabeça.

A banda tocou tão alto que diziam que eles provocavam evacuações involuntárias - assim, quem teria jamais pensado que a peça central era um homem gay?

"Sim, mas olhe para o homoerotismo do heavy metal", diz Jon Ginoli, frontman da banda de rock gay Pansy Division. Ginoli e seus companheiros de banda foram os responsáveis por trazer Halford fora do armário, depois de conhecê-lo em um bar de San Francisco em 1997.O vínculo que formaram era tão forte,que Halford realmente arriscou tocar ao vivo com eles em três eventos do orgulho gay no ano passado - embora ele ainda não estivesse pronto para sair do armário.

Parte do motivo para a indecisão de Halford era sua nova banda e contrato com a gravadora. Depois de um encontro casual com o vocalista do Nine Inch NailsTrent Reznor em Nova Orleans, a recém-formada banda de Halford, o Two, assinou com o selo de Reznor. Em março, o Two lançou seu primeiro álbum, Voyeurs, e em abril começou sua turnê pelos EUA em primeiro lugar.

Para ajudar a lançar a banda, o mestre do pornô ChiChi LaRue foi convocado para dirigir o primeiro vídeo da banda,"I am a Pig".

"Quando o vi pela primeira vez", diz LaRue, "Eu vi um superstar, tatuado, grande e assustador-. E o homem mais doce que eu já conheci"

A observação de LaRue é apenas mais uma dicotomia sobre Halford. Apesar de fazer um ensurdecedor barulho por quase três décadas, houve sempre um silêncio que o roqueiro deixou intacto. Agora, com esta entrevista exclusiva para a Advocate, esse silêncio foi quebrado para sempre.

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Advocate - Por que você escondeu isso até agora?

Essa dúvida realmente habitou dentro de mim por muito tempo.O que eu vou ganhar? O que eu vou perder? Eu acho que é verdade, que quando você se torna bem sucedido no mundo da música, você provavelmente entra mais ainda no armário.Você fica dentro do armário por causa da homofobia que ainda existe na música rock. Você pode perder um contrato de gravação, uma base de fãs. É realmente difícil para qualquer músico sair.

Advocate - E especialmente neste gênero de música, que você ajudou a criar.

Yeah. Eu pensei em sair há cinco anos, o que seria muito difícil. Mas agora eu estou experimentando as mesmas emoções que os meus amigos me disseram que sentiram quando eles saíram: esta grande clareza e essa grande paz.

Não houve repercussão, nem e-mails de ódio. Acho que as pessoas tiveram tantos bons momentos com a minha música que a minha revelação é mais fácil para eles aceitarem. É como, "Bem, olhe para a grande música, olhe para os grandes shows – Isso realmente importa?".

Advocate - Como você escondeu sua homossexualidade do Judas Priest todos esses anos?

Todo mundo do Priest sempre soube que eu era gay.

Advocate - O quê? O Priest sabia que você era gay?

Sim, eles sabiam porque a forma como eu comecei no Priest foi através da minha irmã, que estava namorando o baixista, Ian Hill. Ela disse a Ian sobre as minhas habilidades de canto e, eu acho, que sobre mim.

Advocate - Como é surpreendente que eles não tenham tido medo de ter um homem gay liderando sua banda.

Eu nunca experimentei a homofobia de ninguém no Priest. Eu acho que se eu sentisse que eles tinham algum problema com isso, eu não teria entrado para a banda - apesar de, obviamente, ter sido a melhor coisa que já aconteceu comigo.

Advocate - Eu costumava entrar em contato com a sua acessoria de imprensa para fazer uma entrevista com você para o The Advocate. Você sabia disso?

Oh, poderiam ter existido coisas acontecendo que eu não estava ciente: ligações para o empresário, para a gravadora, pessoas dizendo que nós queríamos falar sobre a sexualidade de Rob. Mas o Priest nunca se envolveu em discussões político-sociais.

Advocate - Alguma vez você fingiu que tinha namoradas?

Não, eu nunca fiz isso. Eu nunca fui a uma festa de lançamento de disco com uma loira no meu braço ou aquele tipo de coisa. Eu nunca senti que eu estava criando uma cena.

Advocate - De minhas próprias experiências de viagem com bandas de metal em ônibus de turismo como jornalista, eu me lembro que, muitas vezes um membro de uma banda iria se apaixonar por uma moça e levá-la na estrada.

Isso é exatamente o que eu fiz.

Advocate - Com um rapaz?

Sim. Absolutamente. Isso é exatamenteo que eu fiz. O cara que eu tive um relacionamento desde os últimos três anos estará saindo na estrada comigo nessa turnê-embora tenhamos ido além da coisa sexual agora, nós somos apenas amigos platônicos. Mas vivemos juntos, e nós não queremos realmente deixar o outro ir embora.

Eu tive apenas um punhado de relacionamentos sérios. Felizmente, eu poderia levar estes indivíduos na estrada.

Advocate - Quando revistas de rock entrevistam você na estrada, você esconde seu companheiro?

Você quer dizer, "É melhor você ficar no quarto e não mostrar o seu rosto até que a entrevista tenha acabado"? Não, mas não foi um ato impetuoso de "Ei, veja o meu namorado na estrada comigo." Era a coisa típica Elton John.

Você sabe, o amor de Elton está com ele agora na estrada tomando conta dele. Você não é tão solitário com todas aquelas pessoas de rock heterossexuais em torno de você, sem saber que você é gay.

Advocate - Diga-me sobre se sentir isolado com todos os roqueiros heterossexuais.

É horrível. O show termina, todo mundo vai para o bar ou a um strip clube, e todos eles pegam um monte de garotas e levam para seus quartos.

Isso não sou eu. Eu sou um homem gay. Então foi um tipo muito isolado, solitário da experiência. Você faz um grande show na frente de milhares e milhares de fãs adoráveis...

Advocate - E muitos deles são homens!

Sim. Não é louco? Todos esses caras, e eu vou voltar para o meu quarto sozinho. É 11:30; você fecha a porta e assiste The Tonight Show e adormece enquanto todo mundo está curtindo, fazendo orgias rock-and-roll.

Continua...

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Sobre Victor Kataóka

Kataóka representa aqueles que prezam por nomes como Saxon, Accept, Manowar, Judas, Virgin Steele, Alice Cooper, Queensryche, Warlock, Savatage, Budgie, Dio e etc. Trajando o manto do Fortaleza EC, conseguiu ver com muito sacrifício quase todas as suas bandas favoritas ao vivo, e acredita que acima do AC/DC, somente os Beatles. Com o H2R, resenha Heavy Tradicional, Hard Rock, e o seu vício: N.W.O.B.H.M, o que não o impede de prezar demais por rock progressivo e psicodélico. Apesar de ser de 88, dentre 500GB de mp3 em um HD de valor inestimável, 95% do conteúdo vem dos anos 60,70 e 80. Não resenha Melodic, industrial, extremo, sinfônico, Power, New, Grunge e vários outros etc...

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