Andre Matos: "Blaze me disse que eu deveria ter entrado no Maiden"

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Por Marcus Vinicius Magalhães
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Prestes a completar 30 anos de carreira, desde a formação do Viper, em 1985, Andre Matos participou, no último dia 3 de outubro, do concerto da Banda Sinfônica Jovem do Estado, que apresentou a obra Os mitos e lendas do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, de Rick Wakeman, no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer. Antes disso, o vocalista concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Marcus Vinicius Magalhães.

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Bastante solícito durante o bate-papo, Andre falou um pouco sobre o início de carreira, sua formação em música erudita, a entrada frustrada para o Iron Maiden, a conversa que teve ao pé do ouvido com o Blaze Bayley e de ter dividido o palco com seu grande ídolo, Bruce Dickinson. O ex-vocalista do Viper, Angra e Shaman ainda aceitou o pedido do repórter para fazer uma trilha de Living for The Night (confira o vídeo no final da matéria), música que o apresentou para o cenário mundial da música com apenas 17 anos.

Considerado um dos maiores vocalistas do mundo, Andre Matos iniciou sua vida musical no início da adolescência. “Comecei tocando piano aos 10 anos, mas aos 12 eu já estava envolvido em um primeiro embrião de banda. Eu era um tecladista sem ter o teclado. Eu tinha um piano, então a banda sempre tinha que ensaiar na minha casa e, eventualmente, as apresentações também aconteciam em minha casa. Esse foi meu primeiro embrião de banda, que durou aproximadamente 1 ano e meio, até eu entrar no Viper, que era uma banda que estava se formando ao mesmo tempo”, conta.

Formado em composição musical e regência orquestral, com habilitação em canto lírico e piano erudito, Andre Matos conta que sua especialização, aparentemente contrária ao estilo que escolheu para sua carreira, foi e ainda é muito importante em todos os trabalhos que realizou na música, principalmente com o Viper, banda pioneira em misturar estilos de rock com música erudita no Brasil.

“Quando eu tinha 17 anos, que gravamos o álbum Theatre of Fate, que considero até hoje um disco super atual, no que refere-se ao som e as interpretações, eu já havia decidido que era mesmo a carreira de músico de rock que eu queria para minha vida, mesmo fazendo faculdade de música e cursando piano erudito. Então, eu cheguei a pensar que talvez eu fosse um péssimo pianista, ou então eu descobri que tinha muito mais a aprender do que em um curso de três anos de instrumento. Então, fiz mais três anos de regência e composição. Eu nunca trabalhei como compositor ou regente erudito, mas sempre fui apaixonado por isso, pois isso me abriu um universo e portas para um mundo completamente novo e vasto, me ajudando 100% no que eu faço hoje. Eu escolhi trilhar o mundo do rock, mas sempre carregando a música clássica do lado, que é minha formação principal”, conta.

Ainda no início da faculdade e com dois discos lançados pelo Viper (Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate), Andre conta ainda que o ano de 1989 foi decisivo para sua carreira decolar, principalmente pela motivação que tinha em investir pesado naquele momento. “Nessa época, minha cabeça ficou pipocando idéias de arranjos e composições. Então, eu já estava querendo colocar em prática todos meus ensinamentos. Sendo assim, no disco Theatre of Fate eu fiz todo o arranjo e convidei um quarteto de cordas para fazer a performance. No estúdio, tinha um ótimo piano, que eu pude desenvolver umas partes e tocar nesse disco. Então tudo começou assim e nunca mais parei”, complementa.

Um dos episódios bastante especulados em sua carreira, a entrada para o Iron Maiden no final de 1993, após saída do Bruce Dickinson do grupo britânico, já rendeu bastantes comentários sobre o que realmente aconteceu para não ter sido concretizada. Apesar disso, Andre Matos, que comandava o Angra na época, tratou de resumir o ocorrido. “Eu realmente era o primeiro nome para entrar no Iron Maiden, após a saída do Bruce, mas, por ser uma banda britânica, houve uma rejeição em colocar um vocalista latino para integrar o grupo”, revela.

Apesar disso, Andre não se sentiu frustrado, até porque tinha seu nome bastante prestigiado no cenário musical e vivia uma grande fase no vocal do Angra. Mesmo assim, ele não guardou mágoas e também não descartou a possibilidade de ainda cantar no Iron Maiden, caso surja um convite. “Se eles me chamassem hoje, eu aceitaria com o maior prazer”, conta.

Com a resistência ao nome de Andre Matos, o Iron Maiden colocou o vocalista Blaze Bayley para cantar pela Donzela de Ferro. Após quase cinco anos com o grupo e de ter lançado apenas dois discos (The X Factor em 1995 e Virtual XI em 1998), Blaze foi dispensado da banda, que contou com o retorno de Bruce Dickinson em 1999. Em um encontro ao pé do ouvido com Andre Matos, Blaze Bayley fez uma revelação um tanto quanto intrigante. “Eu me encontrei com o Blaze na estrada e ele me disse que eu deveria ter entrado no Iron Maiden no lugar dele. Eu fiquei muito feliz com o reconhecimento dele”, conclui.

Andre nunca escondeu que o Iron Maiden foi a principal referência em música no seu início de carreira. Em 1985, durante o Rock in Rio I, Andre foi ao festival, ainda adolescente, para acompanhar o show do grupo britânico e do Queen. Nessas idas e vindas do mundo musical, Andre Matos contaria com a participação especial de Bruce Dickinson durante uma apresentação do Angra na França. “Tocar com o Bruce foi muito legal, pois ele, na ocasião, participou do nosso show como convidado. Eu não acreditava, pois ele era meu grande ídolo. Ele foi o cara com quem comecei a me basear e depois vieram outros ídolos. Mas, ele foi o primeiro grande ídolo que eu tive. Isso eu não escondo. Falei isso para ele com o maior prazer, falei para o Eric Adams, Ian Gillan, enfim, todos os caras que me influenciaram naquela época. Infelizmente, não pude falar com o Freddie Mercury. Eu o vi naquele Rock in Rio, mas não deu para conhecê-lo”, conta.

Curiosamente, em 2013, no mesmo Rock in Rio, Andre Matos se apresentou no Palco Sunset no mesmo dia que o Iron Maiden, que encerrou o festival naquela noite no Palco Mundo. O músico conta que foi cumprimentar pessoalmente o Roberto Medina, idealizador do maior festival de rock do mundo. “Eu tive a oportunidade de chegar para o Roberto Medida, que é o cara que trouxe o festival para o Brasil na loucura, e disse ‘Roberto queria te agradecer não por ter me convidado para tocar aqui neste Rock in Rio, mas sim por ter feito o primeiro em 85’. Ele gostou muito de ouvir isso, pois disse que foi muito difícil fazer o festival naquele ano, pois ainda era época da ditadura militar no país e entrar com toda aquela parafernália aqui não era fácil. Por conta disso, por um triz, quase não aconteceu o Rock in Rio de 85. Graças a Deus aconteceu e hoje estou aqui fazendo o que eu faço”, revela.

Perguntado se sua pretensão seria ser convidado novamente para o Rock in Rio, mas para se apresentar no Palco Mundo, Andre Matos disse que o palco não interfere na emoção de se apresentar no festival. “Se não for no Palco Mundo, que continue sendo no mesmo palco que a gente tocou no ano passado, que é maravilhoso. Contanto que a gente esteja lá, estarei feliz. A gente foi muito bem falado sobre o show e espero estar lá novamente”, finalizou.

No início desta entrevista, Andre Matos aceitou gentilmente o pedido do jornalista Marcus Vinicius para tocar um trecho da principal música de sua carreira Living for the Night, que abriu definitivamente as portas para seu reconhecimento mundial. O pedido veio após o vocalista lembrar da importância da música em sua carreira. Confira:

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Sobre Marcus Vinicius Magalhães

Marcus Vinicius Magalhães: jornalista formado pela FIAM, com especialização em Políticas Públicas Sociais pela USP, foi redator, repórter e colunista nas redações da Band, Rede Record, Editora Abril, Climatempo Meteorologia, Rede Internacional de Televisão, Portal Terceiro Tempo e Editora Moderna. Pela música, tenta, desde criança, ser guitarrista, violonista e baterista. Além de já ter se apresentado em grandes rock bares de São Paulo com seu cover Symphony Maiden, atua como assessor de imprensa do grupo de rock nacional Marques Geraldo. Atualmente Marcus é o jornalista responsável pela área de comunicação da EMESP Tom Jobim (Escola de Música do Estado de São Paulo). Entre em contato com o jornalista no blog www.jornalistamarcusvini.com.

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