A carreira solo de Andre Matos não foi uma escolha
Por Pedro Zambarda de Araújo
Postado em 11 de dezembro de 2013
Conversamos com o cantor e compositor Andre Matos, fundador das bandas Angra e Shaman, que atualmente segue em carreira solo comemorando os 20 anos do disco Angels Cry, lançado em 1993.
Entrevista por Pedro Zambarda de Araújo.
Via Ultimate Music Press.
1 - Hoje, tocando uma carreira solo, você se sente como um músico livre, por mais que tenha arranjado conflitos durante sua carreira?
Andre Matos - Se houve alguns conflitos durante minha carreira foi por tentar fazer, e às vezes até impor, o que considerava certo, tanto musicalmente, quanto moral e profissionalmente. Nunca busquei quaisquer conflitos, mas eles são comuns em qualquer profissão que se escolha. Há de saber aceitá-los como parte da vida e usá-los a favor de um maior auto-conhecimento.
A carreira solo não foi uma escolha, mas uma necessidade. E, sem dúvida, por mais que isso me acarrete mais responsabilidades hoje em dia, sinto-me bem mais livre. Hoje, se houver dúvidas ou conflitos, eles são resolvidos imediatamente, de maneira clara. Do ponto de vista musical, a liberdade é ainda maior. Minha banda abarca uma carreira de 25 anos e podemos passear por todo o repertório com tranquilidade, além de produzir sempre material novo, pois já estamos no terceiro álbum de estudio. Foi difícil no começo, no entanto, agora posso dizer que a carreira está solidificada e é definitiva.
2 - Sua volta ao Viper em 2012, celebrando discos como Soldiers of Sunrise, foi uma espécie de preparação para as comemorações da estreia do Angra?
AM - Sem dúvida, porque foi aí que nasceu a ideia de uma turnê comemorativa também em 2013. A turnê do Viper estava prevista para durar apenas um mês e acabou se estendendo por cinco! E o mesmo aconteceu com a turnê atual da banda solo, pois sabíamos que iríamos participar de festivais como Abril Pro Rock e Rock in Rio, mas não imaginávamos que permaneceríamos ocupados até os últimos dias do ano, quase ininterruptamente. A tour foi um sucesso e o tributo ao Angels Cry teve uma importância crucial, porque era algo que as pessoas estavam esperando. Se vamos continuar fazendo turnês comemorativas ou não, isso não ouso afirmar.
3 - Você sabia o que Angels Cry se tornaria, 20 anos depois?
AM - Não tinha a menor ideia. Assim como não tinha em relação ao Theatre of Fate, ao Ritual, ao Virgo, ao Time to be Free. Cada álbum tem o seu tempo de maturação e a sua maneira particular de entrar para a história. Muitas vezes um álbum é composto e produzido não exatamente de acordo com o tempo presente, mas mirando o futuro, à frente de seu tempo.
4 - Como está sendo tocar Angels Cry sem seus antigos companheiros do Angra? Foi por opção? Bate uma nostalgia ao tocar Angels Cry na íntegra?
AM - O clima que percebo não é de nostalgia, mas sim de celebração. É muito empolgante ver a resposta do público às músicas deste disco que fez história no Brasil e no mundo. Quanto aos músicos que me acompanham, estou mais que satisfeito com a performance da banda solo porque eles estão tocando as composições com perfeição. Não me recordo dos arranjos soarem tão precisos ao vivo em toda a carreira, e estamos agradando por onde passamos. A escolha deste tributo foi uma sugestão já antiga. A ideia se provou viável depois da turnê de reunião do Viper, com Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate ao vivo. A única condição para se fazer o Angels Cry era a de tocar o disco na íntegra, do início ao fim. Deste ponto de vista, foi um grande desafio, mas que acabou se transformando em diversão no decorrer dos shows.
5 - Como é competir com shows internacionais no Brasil hoje?
AM - Não podemos competir, mas sim conviver com eles. A verdade é que os shows internacionais tornaram-se tão ou mais freqüentes quanto as apresentações de bandas nacionais. Então, tudo passa por uma questão de qualidade. Ofereça a mesma qualidade e mantenha o seu público fiel, para não haver a necessidade de competição. Obviamente, é aconselhável optar por datas que não sejam conflitantes, para não colocar o seu próprio fã em xeque. Antigamente isto não era tão drástico, mas a quebra da indústria fonográfica obrigou todos os artistas a estarem na estrada o tempo todo. Veremos até onde isto deve chegar.
6 - O que os fãs podem esperar deste novo show em São Paulo e que encerra mais uma bem-sucedida turnê? Em recentes entrevistas, você declarou que a apresentação terá mais de 3h e que contará com algumas surpresas, certo?
AM - Será a grande despedida em São Paulo, encerrando a turnê, e ao mesmo tempo o último show nos próximos meses. Realizamos o penúltimo em Manaus no final de semana passada com casa lotada, o que vem sendo uma constante nesta turnê. As pessoas não querem perder o Angels Cry ao vivo e na íntegra, além dos clássicos e das músicas do álbum novo, The Turn of the Lights. Estivemos em SP bem no início da tour, logo no segundo ou no terceiro show, e posso garantir que o que o público presenciará agora é praticamente um outro espetáculo. Depois de quase 40 apresentações, as músicas pegaram energia e fluidez, além de nos sentirmos bem à vontade no palco para executá-las. Como se trata de uma comemoração de fim de ano, resolvemos incluir mais cinco músicas diferentes. Haverá surpresas inesperadas entre algumas faixas que foram pedidas ao longo desse ano e até coisas inéditas mesmo. A comemoração será pra valer. Tenho certeza de que fecharemos a noite de forma inesquecível, com tudo o que o público pode esperar. Já estamos contando as horas para pisar no palco pela última vez em 2013.
7 - Andre, você acredita que fez discípulos no heavy metal? Que novos cantores você destacaria nos últimos 10 anos? Eles foram influenciados diretamente por você?
AM - Muitos jovens vêm constantemente até mim e fazem questão de declarar que me incluem entre suas principais influências. Isso é motivo de orgulho pra mim. Não deixo, no entanto, de alertar para que cada um deles busque sempre uma identidade própria. Influências são importantes e até mesmo necessárias, mas não como um fim em si mesmas. Há diversos bons cantores e cantoras que surgiram no Brasil nos últimos anos. Citar apenas alguns seria injusto. Não deixo de valorizar também os mais antigos que continuam em constante evolução.
8 - O que falta ao heavy metal atualmente?
AM - Criatividade? Ousadia? Coragem? Sair da chamada "zona de conforto"? Não sei, retribuo esta pergunta a você e aos próprios leitores! Como costumo dizer, a última coisa "nova" que apareceu dentro da música pesada, e que me chamou realmente a atenção, foi o Rammstein. A vinda deles já faz quase 15 anos! Mas este é um ponto de vista estritamente pessoal. Gostaria, na verdade, que algo hoje em dia me surpreendesse tanto quanto eles me surpreenderam naquela época.
Quer saber mais detalhes sobre o próximo show de Andre Matos? Confira abaixo.
RockShowBiz apresenta Andre Matos
Abertura: Voodoopriest
Data: 15 de dezembro (domingo)
Local: Carioca Club
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros (ao lado do Metrô Faria Lima)
Horário: 17h
Ingressos:
Pista: R$ 40,00 (meia/estudante) | R$ 50,00 (promocional)
Camarote: R$ 70,00 (meia/estudante) | R$ 80,00 (promocional)
Passes Meet and Greet (encontro com a banda para fotos e autógrafos após o show - quantidades limitadas): R$ 50,00
Ingressos online: www.clubedoingresso.com e www.ticketbrasil.com.br
Pontos de Venda: bilheterias do Carioca Club e loja Lady Snake (Galeria do Rock)
Informações: www.cariocaclub.com.br e tel: 11 3813-8598
Classificação: 16 anos (de 14 a 16 anos: acompanhado dos pais ou responsável legal)
Imprensa: [email protected] | 11 9 6419.7206
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