Phil Anselmo: Zé do Caixão, Black Metal e sanidade mental

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Por Fernando Portelada, Fonte: blabbermouth, Tradução
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Dr. Abner Mality, do webzine Wormwood Chronicles, recentemente conduziu uma entrevista com o Philip Anselmo do DOWN/PANTERA, sobre seu vindouro Housecore Horror Film Festival, o longo caso do vocalista com filmes de terror e seu álbum solo. Alguns trechos desta conversa estão disponíveis abaixo.

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Wormwood Chronicles: Fazer algo como o Housecore Horror Film Festival não é uma coisa fácil. Quais são as logísticas de implementar um evento assim?

Anselmo: “Esta é uma questão muito interessante. Eu acho que muitas das coisas ainda estão em produção. Estamos tentando trabalhar com estes diversos patrocinadores. Não me entenda mal, nós temos várias questões a serem respondidas... E perguntadas! Mas nós temos comprometimento com várias merdas incríveis que eu jamais teria imaginado. Nós temos diretores como Zé do Caixão [Coffin Joe] do Brasil. Na verdade, eu estava em turnê com o DOWN no Brasil e ele veio ao show e nos conhecemos. Ele me trouxe alguns inestimáveis pôsteres autografados e livros, e coisas assim. Então ele se comprometeu comigo e ele está trazendo filmagens inéditas que ele fez, alguns filmes loucos que eu nunca ouvi falar. Foi louco descobrir sobre esse cara. Ele fez filmes tão diferentes, de formas tão diferentes... Desde o soft porn a filmes infantis. E também tenho um cara como Jorg Buttgereit vindo da Alemanha, que fez o infame “Nekromantik”. Para mim Isto é incrível, porque ele vai mostrar os filmes em 35mm, assim como outro filme que ele fez, chamado “Schramm”. No final dos anos 80 começo dos 90, eu estava obviamente com o PANTERA, minha banda na época, e nós fizemos várias turnês com o WHITE ZOMBIE. Eu fiquei bem próximo de Rob e Sean do WHITE ZOMBIE. Eu lembro que uma vez nós estávamos em Los Angeles e eu estava em seu apartamento. Isso foi antes de qualquer um de nós ter qualquer fama. Rob disse: ‘Eu conheço esta incrível loja de vídeos.’ E eu disse: ‘Vamos fazer um acordo. Você me compra um filme que você quer que eu assista e eu te compro um vídeo que quero que você assista.’ Ele me comprou ‘Spider Baby’, que eu adoro, com Lon Chaney, e eu o comprei ‘Nekromantik 1’, porque para mim este filme é absolutamente extremo.”

Wormwood Chronicles: Phill, houve várias provações em sua vida. O quão importante foram os filmes de horror para estes momentos?

Anselmo: Esta é uma pergunta estranha, mas você quer saber, vou torná-la pessoal. Eu poderia estar com o pior humor do mundo. Se estou saindo de uma turnê, e estou exausto e só não quero que ninguém me incomode, eu sempre entrava no meu quarto, em minha própria atmosfera, em meu próprio elemento, colocava um filme de horror e então me entregava a este maravilhoso mundo que fazia tudo sumir. Eu pegava estes pensamentos ansiosos e os colocava em espera por um tempo. Agora eu estou saindo de uma maratona, onde assisti cerca de 10 filmes de horror em 2 dias. Eu estou assistindo envios à convenção Housecore, e às vezes eu tiro uma folga e assisto algo no Netflix. Essa merda está ficando fraca, porém. Eu poderia falar mas sobre isso, mas tanto faz. Ainda há algumas surprsas no Netflix, mas não muitas. Cara, eu sou um viciado.. e uso esse termo bem livremente... em filmes de horror.

Wormwood Chronicles: Deixe-me trocar de marcha agora. Aonde você está musicalmente? Eu acredito que você tem um álbum solo saindo em breve?

Anselmo: “Sim, eu tenho.”

Wormwood Chronicles: Isto está deixando você fazer algumas coisas que não conseguiu fazer antes?

Anselmo: Você sabe, a audiência geral, que está comigo há 30 anos, eles conhecem meu trabalho com o PANTERA, que era bem heavy metal e metálico, mas estamos cada vez mais diversos do que as pessoas acham. Nós levamos o material de ‘Cemetery Gates’ a um novo nível. Nós temos muita variedade. Eu fiz vários projetos que nem apareceram na mídia. Flertei com o Black metal no começo dos anos 90 com o CHRIST INVERSION...”

Wormwood Chronicles: VIKING CROWN...

Anselmo: “Mas eu nunca levei essa merda a sério. Eu fiz isso em 20 minutos e fiquei rindo, mas ele acabou sendo usado. Eu ouço bandas hoje que obviamente estão tocando com drum machines e isso não soa tão distante do que fizemos. Eu fiquei meio surpreso quando ouvi o VIKING CROWN e fiquei ‘Wow, isso passou no teste do tempo’. E então eu toquei guitarra no ARSON ANTHEM, com Mike Williams do EYEHATEGOD nos vocais. Mas a banda mais importante depois do PANTERA é o DOWN... bem, vamos colocar da seguinte forma, poucas pessoas conhecem músicas do primeiro álbum, como ‘Stone The Crow’, que é um rock mais suave do que o heavy metal... Eu nem cantava letras de verdade nesse disco. Eventualmente, com o tempo, elas se tornaram letras de verdade [risos]. As pessoas começaram a cantá-las e elas se tornaram reais. Eu amo esta parte do DOWN. Eu posso ser abstrato com o DOWN e realmente deixar o ouvinte decidir sobre o que estou falando. Eu brinco com as palavras. Adoro isso. Eu amo como as palavras ficam quando as colocamos juntas. [...]. Agora, com meu disco solo, eu sou bem direto com as letras e eu não deixo muito espaço para o mistério. Ele é bem simples, as letras são bem extremas, sem seguir qualquer regra. Eu não quero ser caracterizado como death metal ou Black metal ou qualquer subgênero disto. Eu entendo que estes gêneros existem e eu não quero copiá-los de forma alguma. Eu queria a extremidade que a música tem a oferecer e tinha esta pequena parte de mim que queria mostrar um pouco do que o PANTERA poderia ter feito.

Não tanto de como ele teria soado, mas como eles o teriam executado quanto à precisão e o modo de entregá-lo ao público. Agora eu tenho um excelente guitarrista trabalhando comigo, que é um músico incrível. Eu disse isso antes, eu escrevi todas estas músicas, eu escrevi cada merda de nota, toda assinatura, toda parte deste disco, MAS! Mas eu deixo meu guitarrista, Marzi Montazeri, colocar sua assinatura em toda esta merda de disco Eu ouço algo que ele fez e digo imediatamente que temos que usá-lo, que temos que fazê-lo. Eu conheço Marzi desde os anos 1980 e ele um destes guitarristas que eu sempre escutei Dimebag falar sobre. Dimebag tinha um dom, era um guitarrista inacreditável, com mágica em suas mãos. Ele escutava outros guitarristas de heavy metal e achava todos fracos, pra dizer o mínimo, mas quando ele ouvia Marzi, era meio inacreditável que ele elogiava o cara. Em minha cabeça isso significava que o cara era muito fodão. Bem, 25 anos depois, Marzi e eu sempre falamos sobre criarmos música juntos. Eu acho que ninguém é melhor do que ele para executar o que eu escrevi para meu disco solo."

Wormwood Chronicles: Isso com certeza me faz bem interessado em ouvi-lo.

Anselmo: “É um disco raivoso, cara. É um disco bem raivoso. O que eu quero que você entenda é que eu estou em um ótimo estado mental. Eu estou em paz com quem eu sou, estou em paz com o lugar para onde estou indo, eu entendi o que fiz no passado. Você pode não entender isto após ouvir meu novo disco, mas esta é a verdade, é assim que eu estou. Eu acho, basicamente, o que eu fiz foi escrever um disco baseado em um tipo particular de raiva que eu tinha e canalizei. Para mim esta é a maneira certa de mostrar este tipo de raiva ao invés de causar problemas como costumava fazer. Não dou um soco em anos por qualquer razão, porque eu sei que as pessoas querem me atormentar para poder me processar. Eles querem chamar a polícia e eu não jogo mais esta merda de jogo. Não sou estúpido, entende o que quero dizer?”

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Sobre Fernando Portelada

25 anos, Blogger, Podcaster, Gamer, Leitor de Quadrinhos, Ouvinte de Rock, Jornalista, e chato acima de tudo. Ouviu Imaginations From The Other Side do Blind Guardian aos 13 anos, emprestado por um amigo de escola. Ainda é um de seus álbuns preferidos.

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