Gary Holt diz que "até James Hetfield" trapaceia na palhetada para baixo
Por André Garcia
Postado em 22 de abril de 2023
Quando o assunto é downpicking, segundo o guitarrista Gary Holt, todo mundo "trapaceia"... até mesmo James Hetfield!
Downpick é o nome dado às rápidas e furiosas palhetadas para baixo, eternizada por Tony Iommi no hit "Paranoid", adotada por Johnny Ramone como marca pessoal, e turbinada por James Hetfield em inúmeras músicas do Metallica.
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Quando se fala de thrash metal, muito se fala de Metallica e Megadeth, mas não se pode esquecer da importância que também tiveram para o gênero nomes como Slayer e Exodus. E ambas as bandas possuem em comum Gary Holt, uma das maiores autoridades no assunto.
Em um bate-papo pesadão com Scott Ian e Zakk Wylde para a Guitar World, ele declarou: "Todo mundo trapaceia, até mesmo o James Hetfield, atualmente... Eu mesmo já vi isso várias vezes! Quando ele toca um trecho de downpick brutal, ele mete um 'brrrp' [faz um gesto], então aquele 'brrrp' está lá por um motivo. Isso permite que você pule umas notas.
"Não tem problema dar um respiro", acrescenta Wylde, corroborando que nem sempre guitarristas tocam ao vivo exatamente com tocaram em estúdio.
A seguir, Gary abriu o jogo sobre os problemas físicos que enfrentou em sua carreira, e como essas "trapaças" permitiram a ele seguir na estrada até hoje"
"Ficou muito difícil para mim, depois de lutar contra essa tendinite crônica no cotovelo em ambos os braços. No final do Slayer, eu estava recebendo tantas injeções de cortisona que até perdia as contas. Aquilo transforma seus tendões em geleia! Tenho um amigo cirurgião de mão do [time de baseball] San Francisco Giants que viu minha ressonância magnética e disse que eu poderia precisar de uma cirurgia Tommy John [extrema cirurgia de reconstrução do ligamento colateral ulnar, no cotovelo, feita pelo jogador em meados dos anos 70]."
"Eu não conseguia mais tocar — era tocar por 10 minutos que meus braços travavam. Já fiz fisioterapia, não recebo mais aquelas injeções, então estou bem agora. Mesmo assim, o downpicking ficou difícil do que costumava ser. A idade chega! Mesmo assim, sou grato por ainda estar tocando, dia após dia, sem injeções. Preciso que meu som esteja muito bom, assim posso continuar. Se [para isso eu] tiver que trapacear um pouquinho no downpicking… que assim seja", concluiu.
Gary Holt integrou o Exodus de 1981 a 93, de 1997 a 98, e de 2001 até o momento. Já sua passagem pelo Slayer começou como músico de apoio ao vivo de 2011 a 2013; após ser efetivado no posto, seguiu na banda até seu fim, em 2019.
Conhecido por sua precisão bizarramente alta em seu auge, nos anos 80, muito antes do Protools, James Hetfield conseguia gravar guitarras sobrepostas que beiravam a perfeição — parecem uma só! Confira alguns trechos isolados abaixo.
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