Imperium Infernale: entrevista com o líder e mentor da banda

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Por Vitor Franceschini, Fonte: Blog Arte Metal
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Não tenho dúvidas quanto à qualidade do Black Metal nacional. Desde os primórdios com nomes como Sarcófago, Vulcano e Mystifier o gênero sempre foi bem representado por aqui, porém um tanto quanto subestimado pela mídia especializada. Nomes como Mysteriis e Unearthly são grandes exemplos de que o Black Metal tupiniquim perdura e agora, reforçando ainda mais essa vertente, temos o Imperium Infernale. O atual quarteto formado por Áscaris (vocal), Mórbius (guitarra), Salles (baixo) e Impaler (bateria) tomou real forma após o lançamento do excelente "Primitivo" (2012), já que apenas os dois primeiros gravaram o trabalho que vem tendo ótima aceitação no underground. Falamos com o líder e mentor Áscaris sobre o primeiro álbum e diversos assuntos que circundam a banda, confira nas linhas abaixo.

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Primeiramente conte-nos como foi a concepção geral de "Primitivo". Qual é a forma de vocês para compor desde a parte instrumental até a lírica?

Áscaris: Quando decidi retomar o I.I, foi justamente para por em prática minhas ideias que são mais simples e não tão refinadas como fazíamos na Eternal Malediction. Peguei então algumas destas ideias guardadas e comecei a criar novas, sempre me focando no Black Metal mais cru. Consegui que Morbius se juntasse a mim e ele transformou ideias por vezes "toscas" em algo mais trabalhado e bem arranjado. E é assim que trabalhamos para as músicas do disco. Quanto às letras, boa parte são ideias antigas que venho guardando há algum tempo e ao alimentar ódio por alguma coisa, é preciso expeli-lo de algum modo ou se tornará um psicopata matando gente pelas ruas (risos), então, toda vez que essa raiva chega à minha mente, a busca por motivação para passar por cima de quem se opõe a mim, ou a simples decepção com o mundo atual que está chegando ao seu fim, uma letra nasce na minha cabeça, por vezes muito antes que qualquer música. Algumas fiz questão de serem bem claras e escrachadas, em outras eu preferi ser mais subjetivo e trabalhar com metáforas.

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O Imperium Infernale é composto inicialmente por uma dupla, você e o Morbius. Como é trabalhar desta forma, quais as vantagens e desvantagens?

Áscaris: Na verdade isso acabou ocorrendo porque tanto na época de nosso Demo-CD quanto agora neste retorno às atividades, a ideia era apenas uma dupla. Posteriormente eu achei interessante transformar o I.I em banda, para que possamos fazer shows. É vantajoso manter um núcleo pequeno de criação justamente para não sair do foco e isso sem muitas discussões para tal, por outro lado, são menos pessoas para inúmeras atividades, apesar de eu ter assumido a frente da quase todas elas afora à música. Mas agora há uma banda, uma puta vontade de tocar e não há regras que digam que o núcleo criativo deve continuar apenas entre Morbius e eu. Vamos ver em breve como será...

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A sonoridade de "Primitivo" caminha pelos trilhos mais diretos e crus do Black Metal. Como você definiria isso?

Áscaris: A crueza acaba ficando pela ausência de muitos arranjos elaborados, o que foi justamente para deixar o som mais direto. Mais a tendência é fazermos nosso som ainda mais cru daqui por diante.

Além disso, o som de vocês possui a técnica necessária para se desenvolver o Black Metal e há um pouco de melodia nas composições que não deixam de ser agressivas. Fale-nos um pouco sobre isso.

Áscaris: Bem, aqui não se encaixa aquele discurso de que tudo foi natural, porque muita coisa foi pensada para ser deste modo. A ideia foi fazer de 'Primitivo' um álbum que passasse por diversas vertentes do próprio Black Metal, ou seja, desde as mais melódicas como Symbol of Victory e Death in Honour, como as mais ríspidas como Satan's Child ou Escolhido Imortal. Tecnicamente, poderíamos ir bem além, mas temos um foco e o seguimos, mesmo que isso limite alguma criatividade.

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Outro fator preponderante é a boa qualidade sonora. Muitas bandas do estilo não priorizam muito isso. Como foi feito o trabalho de produção de "Primitivo"?

Áscaris: Total mérito de nosso produtor Rafael Augusto Lopes. O material foi entregue a ele com total liberdade para que ele fizesse o que achasse mais conveniente ao que ouviu nas composições. Ele sabia que o foco era a crueza e um som que, apesar das influências da velha escola, é mais contemporâneo. Quando ouvimos o resultado, pedimos algumas alterações, mas a maior parte das ideias dele assumiu a produção. Talvez em um próximo tudo soe de outra forma, conforme a demanda do estilo das composições, mas com certeza Lopes estará no comando da produção novamente, já que foi meu primeiro parceiro na banda e sabe bem o que queremos pra ela.

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O título do álbum soa muito forte e impositivo. Como chegaram até o nome "Primitivo"?

Áscaris: O termo "primitivo" é relativo aos primeiros tempos, nos quais naturalmente tudo era rudimentar. Como este é o primeiro álbum da banda, quis essa ligação entre os primeiros tempos de nossa música com o conteúdo lírico que por vezes é bem direto. Além disso, queria um nome de palavra única e que fosse facilmente compreendido em qualquer língua. Acho que consegui. (risos)

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Vocês também lançaram o trabalho em 300 cópias no formato K7 (as antigas fitinhas), que foram numeradas a mão. Como surgiu essa ideia e qual o motivo de lançar "Primitivo" neste formato?

Áscaris: A Shadowthrone pertence a um grande amigo que sempre me impressionou pela quantidade de material que ele distribui de bandas de Black Metal em formato cassete. Há uma grande parcela do público que aprecia este material, como item de coleção mesmo, principalmente na Europa. Porém o lançamento em K7 está sofrendo um atraso, mas espero que o problema se resolva em breve. Normalmente isto é feito fora do país, mas a Shadowthrone quis tentar que funcionasse aqui e vem sendo uma dor de cabeça a criação desse tipo de material pela inexperiência das gráficas que temos atualmente. Para compensar o atraso, entreguei as duas faixas de nosso Demo-CD, lançado em 2006, para entrarem como bônus do lado-B do tape. Logo o cassete estará na mão daqueles que já o encomendaram e disponível para todos que apreciam. E sim, vou numerar a mão um a um, pois isso dita a limitação do material, fazendo dele algo especial para os fãs do estilo.

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Além disso o álbum teve uma prensagem limitada em 500 cópias. Por que essa limitação?

Áscaris: Na verdade tem sido um número bem comum de prensagens de CDs de Metal no Brasil. Até mesmo de bandas já renomadas como diversas da Nuclear Blast lançadas por aqui, têm prensagens de 500 cópias. Com a internet o número de vendas do formato cai a cada ano, então é melhor limitar e valorizar a compra daqueles que prestigiam o CD a fazer uma prensagem enorme que pode demorar dois ou três anos a ser vendida e sendo ainda metade disso queimada a preço de banana.

Qual a repercussão de "Primitivo" até então? Como têm sido as críticas?

Áscaris: Só recebemos críticas positivas até então e bem honestas. Nada dizendo que somos a revolução do estilo no Brasil, ou coisa assim, o que seria bem ridículo. Alguns críticos vieram falar comigo em "off" sobre o álbum e as músicas, todos elogiando bastante, e do público em geral só ouvi coisas boas. Talvez as ruins não cheguem aos meus ouvidos, mas se forem coerentes, serão bem recebidas e absorvidas, sem dúvida. Tenho trabalhado muito na divulgação de 'Primitivo' e por mais que muitos possam nunca ter ouvido o disco, já se sabe que ele existe, já se sabe que a banda existe e o foco desse lançamento era colocar a banda na cena.

O baixista Salles e o baterista Impaler já são membros oficiais da banda? Vocês pretendem fazer shows?

Áscaris: Sim. Nos créditos do álbum eles constam como a formação ao vivo porque já tínhamos gravado tudo quando os integramos. Daqui por diante eu espero poder contar com eles para todo o processo de desenvolvimento da banda. Ou seja, a banda não é mais uma dupla e inclusive está pronta para os palcos, só faltam os convites e propostas para os shows. (risos)

Este espaço é para deixar sua mensagem.

Áscaris: Primeiramente agradeço o espaço. Eu sequer conhecia o Arte Metal até pouco tempo atrás e nem por isso você deixou de me ceder um lugar no blog. Eu realmente tenho me impressionado com o número de pessoas que ainda tem ajudado a cena através de blogs, sites, revistas, zines e até rádios, pela simples paixão pela música. Também quero deixar meus agradecimentos ao Bruno do selo Soul Erazer que comprou a ideia da banda e tornou 'Primitivo' um material físico para o ouvinte. E claro, agradeço a todos que apreciam a banda. Fica o convite para curtirem nossa página oficial no Facebook:
http://www.facebook.com/imperiuminfernale?ref=hl
Assim como para assistirem ao clipe da faixa A.N.U.S. no Youtube:

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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

Mais matérias de Vitor Franceschini no Whiplash.Net.

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