As Dramatic Homage: Luta constante em prol da música

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Por Vicente Reckziegel, Fonte: Witheverytearadream
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As Dramatic Homage é mais uma daquelas bandas que mantém o nome do Metal nacional elevado, mostrando um nível de qualidade e capacidade de compreensão da música como um todo altíssimo. Para quem ainda não conhece, ou somente ouviu falar, corra atrás para conhecer o trabalho destes cariocas. Mas podem entender um pouco mais da banda também nesta entrevista que fiz com Alexandre Pontes, onde demonstra uma capacidade de discernimento acima da média, e mostra, principalmente, sua paixão pelo que faz.
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Vicente - Após 13 anos do inicio do As Dramatic Homage, como você vê a trajetória da banda até este momento?

Alexandre Pontes – A trajetória da banda sempre foi de uma luta constante, pois para manter-se firme dependemos até mesmo de certos aspectos pessoais fluindo bem, portanto ter chegado a concluir o CD é de fato uma nobre conquista que trouxe um novo ânimo e orgulho.

Vicente - Este ano finalmente rolou o lançamento de seu primeiro disco "Crown". Quando e como foi a gravação do mesmo?

Alexandre Pontes – A pré-produção começou no segundo semestre de 2010 e foram fundamentais no desenvolvimento do trabalho, já em 2011 começamos as gravações e me mantive atento a todos os detalhes, algumas linhas vocais foram sendo aprimoradas com cautela, assim como algumas linhas de guitarra até o resultado final, busquei não ter tanta pressa em terminar o material sem estar totalmente satisfeito e acredito que foi o mais correto que fiz, pois a minha dedicação foi bem intensa e valeu a pena todo esforço e atenção.


Vicente - Mesmo sendo muito cedo, como está sendo a reação e repercussão do disco junto ao público?

Alexandre Pontes – É muito recente o lançamento e estamos divulgando de forma bem moderada, ainda temos muito trabalho a ser feito, como atualizar informações sobre a banda e demais atividades para divulgar, as pessoas que já adquiriram o material tem gostado e o "feedback" tem sido positivo por parte da imprensa e isso é muito importante, pois depois de tanto sacrifício ter seu material bem recebido é realmente algo que particularmente me deixa de fato emocionado e mais forte para seguir.

Vicente - Um dos pontos altos do disco é a faixa "Monumental", que passeia por vários estilos, sem prender-se a nenhum, uma marca do som de vocês. Quais são as suas músicas favoritas em "Crown"?

Alexandre Pontes – Monumental é uma grande música que representa bem nossa proposta, mas todas as músicas são muito especiais, pois cada uma delas tem um nível de força e expressão diferentes, cada uma adequada para cada momento, porém se mantém bem conectadas em um mesmo contexto e de fácil assimilação.

Vicente - As letras também foram muito bem trabalhadas pela banda. Qual a mensagem que o As Dramatic Homage tentou passar com elas?

Alexandre Pontes – Eu tenho uma atenção muito simétrica com as letras e proponho associar e enriquecer o instrumental com elas e vice-versa, Na verdade eu não pretendo passar mensagem para as pessoas sobre o que penso e sinto, vivemos ao longo da vida tendo experiências e cada um tem sua maneira de viver e observar cada fato a sua maneira, quero apenas me expressar e caso as pessoas se identifiquem com os temas certamente fica definido que ela aceitou a música por completa e isso é muito bom.

Vicente - A capa também ficou bem bacana. De quem foi a ideia e como chegaram a esta arte?

Alexandre Pontes – A capa realmente ficou interessante e simples, porém está bem expressiva de acordo com a proposta lírica do CD. A concepção da capa foi minha e o nosso designer André Guimarães (www.guimaraes-s.com.br) trabalhou nas idéias e em conjunto fomos aprimorando tons e detalhes até o resultado final, ambos ficamos bem satisfeitos.

Vicente - Alexandre, você reformulou completamente a banda este ano. Qual o motivo e como chegou aos membros atuais do As Dramatic Homage?

Alexandre Pontes – Reformular a banda nunca foi uma questão de opção e sim de necessidades e infelizmente algumas pessoas não sabiam o que queriam com a banda e se sabiam não faziam por onde se manterem como integrantes de uma banda séria e com objetivos. Se a pessoa quer estar em uma banda e manter sua posição sem esforços para obter algum nível de status ou somente dizer que toca, não será parte desse grupo, eu construí algo com essa banda, mesmo que não seja nada para algumas pessoas, porém acho que, no mínimo, quem está comigo precisa compartilhar do mesmo respeito e luta, se essa pessoa não pode por questões que só dependem dela mesmo, ou eu vejo que não quer, mantenho a amizade normalmente porque não misturo as coisas, mas para ser um integrante da banda não é possível, eu não respeito e não considero mérito sem esforços e quando vejo e ouço cada palavra boa, um bom comentário sobre o CD, isso me deixa convicto que todo meu esforço durante esses anos valeu a pena, e não vou permitir que alguém com atitudes infantis e desanimadoras possam comprometer o fluxo de ascensão que pretendo alcançar, não é sonho de sucesso, mas algum reconhecimento mais amplo. Sobre os novos integrantes, o baterista Evanildo Gouveia está na banda desde o ano passado, eu e ele já tivemos um grupo no começo dos anos 90 e depois de muito tempo eu o convidei para tocar nas apresentações do grupo e ele aceitou, realizamos alguns shows e ele decidiu ser parte da banda, estou bem contente, pois ele adicionou bastante energia e dinâmica nas músicas, é algo que sempre busquei em um baterista, quanto ao baixista Igor Goularth, já havia convidado ele certa vez para fazer teste para a banda, mas ele não pôde na época e desta vez rolou e ele se adaptou tranquilamente, temos gostos musicais e idéias semelhantes e isso ajudou muito no período de adaptação, o nosso novo integrante é o tecladista Antony Vinco que já conhecia há certo tempo, e nunca imaginei que ele tocasse esse instrumento, certa vez desenvolvemos algumas idéias em um bate-papo na internet e ele mencionou sobre algumas experiências musicais e o convidei para ser um "live session member" pois estava com intuito de ter um tecladista na banda para as apresentações e a medida dos ensaios ele foi se adaptando a nossa música e decidiu ser parte, ele também é uma pessoa de idéias e visão que certamente irá somar nos interesses da banda, está tudo fluindo bem e estamos nos empenhando para as possíveis apresentações de divulgação do CD.

Vicente - Anteriormente, vocês haviam lançado também duas Demos e um Single. Conte um pouco sobre estes registros.

Alexandre Pontes – Acredito que eles moldaram nossa estrutura e todos foram muito importantes, cada um a sua maneira. O primeiro registro foi "A Deep Inner Recital" (2001) ele tem uma abordagem mais inocente e pura em certos aspectos, com elementos mais cadenciados e melódicos, tenho muito orgulho desse por ter sido o primeiro trabalho, digamos profissional. "Atmosphere of Pain/ Anthems of Hate"(2005) foi o segundo, marcou muitas mudanças na banda, eu havia deixado de ser baixista e assumi a guitarra além dos vocais, mudamos a formação, logo, foi um trabalho mais pesado, atmosférico e direto do que o anterior, reflexo daquele período estranho até mesmo na vida pessoal de cada integrante na época, mas houve muito esforço para concluir aquele material, hoje em dia penso que ali já começamos a moldar alguns novos elementos e houve sim uma expansão musical mesmo com alguns limites. Em 2008 gravamos uma música "Ominous force for Ascension" para uma coletânea e em 2010 lançamos o websingle de mesmo nome e música mais uma faixa, Esse material resgata em certos momentos, aspectos dos trabalhos anteriores, porém acredito que foi dado um passo a frente, eu criei uma abordagem melódica do primeiro registro, a força do segundo e fui um pouco mais além nas linhas de vocal comparando-se ao início, depois desse material me senti confiante para seguir explorando algumas capacidades que descobri ter e isso veio a tona no CD " Crown".

Vicente - Quais são as suas maiores influências?

Alexandre Pontes - Minhas influências partem de muitos princípios da existência, visões, idéias e atitudes do ser humano, na música percebo que nem sempre a ação está conectada a forma simples de "ouvir" e sim pelo poder de expressão que ela pode ter sobre a minha pessoa, do impacto que pode me causar, sendo música extrema ou fora do termo "Metal".

Vicente - Como avalia o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

Alexandre Pontes - Houve mudanças produtivas para divulgação e o nível de bandas nacionais está em um patamar muito bom hoje em dia, isso não se têm dúvidas, porém, infelizmente vejo que o descaso moderado ainda é o mesmo de antes. O nível de organizações de shows é algo que não vejo com muitos bons olhos infelizmente, é uma soma de fatores que podem resultar na má qualidade de um evento que parte desde a organização e do público em não apoiar, enfim, é uma longa história, mas espero que melhore, pois a única coisa que precisa prevalecer no mínimo é que os organizadores possam se estruturar para fazer algo no mínimo "bom" até mesmo para eles próprios não tomarem prejuízos, e bandas e público precisam de qualidade e respeito, partindo desse princípio talvez as coisas possam melhorar.

Vicente - Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do As Dramatic Homage e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Alexandre Pontes - Eu, em nome da banda, quero agradecer pela atenção e apoio e espero em breve vê-los em alguma de nossas apresentações, confiram nossos trabalhos antigos que estão disponíveis no nosso Reverbnation - http://www.reverbnation.com/c./poni/122686806 e confiram nossa música de trabalho do CD Crown chamada "MONUMENTAL" (vídeo abaixo), que foi recentemente lançado, certamente será uma experiência de descoberta dos extremos da personalidade de cada um, um abraço e tudo de bom.

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Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

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