Seita: representando o Metal brasileiro lá fora

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Por Ben Ami Scopinho
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Talvez o leitor não tenha afinidade com o nome Seita, então vale dizer que esta é uma banda brasileira que está há anos radicada na Holanda e já rodou pela Europa e Coréia do Sul para divulgar o EP “Imprint Forever” (08). Atualmente contam com o baixista uruguaio Diego Gomes e acabaram de liberar o debut “Asymmetric Warfare”, o que motivou o Whiplash.Net a novamente conversar com o pessoal para saber como estão as coisas pelo Velho Mundo. Confiram aí!

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Whiplash.Net: O Seita se manteve muito ativo desde o EP “Imprint Forever” de 2008. Que balanço vocês fazem deste período?

Seita: Nossa idéia foi adquirir experiência e aprender a lidar com o trabalho em conjunto, realmente procuramos nos manter sempre ativos e tocando o máximo possível. Nesse período foram mais de 100 shows, incluindo festivais e clubes com passagens pela maioria dos países da Europa e alguns shows na Ásia.

Seita: Neste espaço de tempo que antecedeu o “Asymmetric Warfare”, podemos dizer que muitas coisas positivas aconteceram, incluindo a troca do baixista André Sparta pelo uruguaio Diego Gomes, que aconteceu de uma forma natural e não prejudicou o andamento da banda.

Whiplash.Net: Com a experiência e estrutura que a Europa lhes proporcionou, o quanto vocês evoluíram como compositores para elaborar o repertório de “Asymmetric Warfare”?

Seita: Achamos que nossa experiência de vida fora do Brasil é o que mais tem influenciado a nossa maneira de compor, não tanto em termos da estrutura que a Europa tem, nem mesmo falaríamos em evolução em termos técnicos, o que também ocorreu, mas nós achamos que a principal evolução tem sido artística, algo que se desenvolve através da vivência do dia-a-dia. Olhar o mundo de diferentes perspectivas e absorver as sonoridades de uma forma mais abrangente.

Whiplash.Net: Em “Imprint Forever” vocês contaram com o trabalho do Danny O'Really (Deicide, Biohazard), mas em “Asymmetric Warfare” foram Daniel Bergstrand e Rickard Sporrong (Meshuggah, In Flames) quem assumiram a mixagem e masterização. Como compararia o resultado do áudio dos registros?

Seita: Bom, no “Imprint Forever” Danny cooperou com um ótimo começo e direção para o que viria depois no “Asymmetric Warfare”. Começamos juntos os trabalhos do álbum e naturalmente transitamos para o Daniel Bergstrand e Rickard Sporrong, que, devido ao talento e a experiência de ambos, foi o que deu um novo impulso na sonoridade do álbum.


Seita: Comparando um trabalho com o outro, no “Asymmetric Warfare”, priorizamos a qualidade e a clareza do que as pessoas esperam escutar atualmente, e por isso Daniel e Rickard tiveram muito trabalho conosco e no final todos ficaram satisfeitos.


Whiplash.Net: A canção “Know Your Enemies” foi uma ótima escolha para se transformar em vídeo oficial, e ficou bem legal a fusão de imagens de estúdio com as captadas de suas apresentações. Qual a idéia por trás do clip, em especial envolvendo aquela bandeira negra e amarela?


Seita: A idéia do vídeo foi desenvolver algo simples, compacto e direto. Junto com o produtor Dennis Lubbers, simplesmente tentamos capturar visualmente um lado mais artístico, diferente de outros clipes do gênero, um pouco da energia e postura da banda que as pessoas encontram em nossos shows.


Seita: Achamos também que a maneira como nós, sul-americanos, muitas vezes nos relacionamos com certos aspectos das nossas culturas são muito parecidos, como por exemplo o futebol, churrasco, etc... E apesar de agora sermos três brasileiros e um uruguaio na banda, a sensação de união e unidade continua sendo a mesma para ser capturada em vídeo.


Seita: Com relação à bandeira preta e amarela, o baixista Diego é uruguaio e torcedor fanático do penãrol, e ele sempre coloca a bandeira do time no amplificador dele nos shows. Ficamos muito satisfeitos com o resultado e já estamos pensando no próximo vídeo.

Whiplash.Net: Creio que muitos brasileiros terão certa preferência pela canção “Ditadura”... Como surgiu a ideia de homenagear a melodia clássica de Geraldo Vandré?

Seita: Esse assunto sempre esteve na nossa cabeça, principalmente depois de viver alguns anos na Holanda, que passou por guerras e outros acontecimentos, nunca sofrendo com um sistema ditador como nós, brasileiros. Isso nos deu muitas perspectivas sobre o assunto, é algo que está sempre na memória e se aprende na escola.

Seita: Saber e vivenciar alguns aspectos e ver o quanto a nossa sociedade em geral sofreu e ainda sofre as consequências desse período, junto com os níveis de ignorância que existem em decorrência disso. Esse assunto está sempre circulando de uma forma ou de outra dentro do grupo e sempre conversamos a respeito disso.

Seita: Esta melodia do Geraldo Vandré e um clássico que representa muito aquele momento. Quando a idéia foi sugerida pelo nosso guitarrista Edson, a banda concordou imediatamente.

Whiplash.Net: O que vocês diriam se soubessem que nossos militares estão se organizando e fundaram o Partido Militar Brasileiro, visando, naturalmente, a presidência da república? Uma de suas principais bandeiras é o resgate dos ‘valores da caserna: patriotismo, honestidade e lealdade’...

Seita: Independente de quem queira concorrer a um cargo público, seja de qual for o partido, o que diríamos é que as pessoas devem procurar se informar, se educar e unir-se; que aqueles que tenham mais acesso a informação, ao invés de olhar negativamente para aqueles que não a tem, se solidarizem com o próximo e os ajudem a obter essas informações; que o nosso povo consiga se educar, não somente apenas com o que as escolas e faculdades ensinam, mas desenvolver o hábito da pesquisa, do debate sadio, da troca e propagação de idéias com isso.

Seita: Seja lá quem for o político ou partido político, eles irão pensar duas vezes antes de tentar nos fazer de otários como, infelizmente, eles ainda estão acostumados a fazer.

Whiplash.Net: Aqui no Brasil temos plena consciência do quanto os países asiáticos estão crescendo. Considerando que o Seita tocou por lá, deu para sacar como é a cena musical, público e organização daqueles lados?

Seita: Na Coréia do Sul o metal ainda é uma coisa meio nova, existe público e fãs para o estilo e, consequentemente, aparecem boas bandas como Oathean, Sacrifice, Method, Mahatma, entre outras. Eles têm um senso natural de organização e profissionalismo muito alto devido aos valores e princípios da própria cultura, digamos até mais alto do que em alguns países europeus, mas ainda é uma cena nova e que vai crescer muito.

Whiplash.Net: Vocês estão há anos na Holanda, mas têm acompanhado a cena underground do Brasil? Há muitas bandas modelando sua personalidade e com trabalhos incríveis. O que conhecem da nova geração daqui?

Seita: O Brasil sempre teve bandas que fazem bonito dentro e fora do país, desde Korzus, Dorsal Atlântica, Ratos de Porão, entre outras lendas, além de outras que estão na cena há algum tempo, como o Claustrofobia, Torture Squad, Eminence, que são muito boas também. E existem muitas outras, Andralls, Paura, o Forka lá do ABC, Infested Blood, Desalmado, Project 46, Coração de Herói, etc...

Seita: A impressão que temos é que a cena tem se fortificado com bandas excelentes, o nível dos músicos e do som também tem evoluído. Isso tudo nos enche de orgulho e nos incentiva a continuar representando o metal brasileiro da melhor maneira possível aqui fora.

Whiplash.Net: O Seita já agendou datas em festivais europeus, enquanto que são raros os empreendimentos deste tipo no Brasil, voltados às novas bandas. Com sua experiência, que medidas poderiam ser aplicadas para melhorar este aspecto por aqui?

Seita: Positivo, já foram confirmadas algumas datas de festivais em países como a Alemanha, República Checa, Bélgica, Holanda e estamos aguardando a confirmação de outras.

Seita: Nós achamos que isso eventualmente vai acontecer no Brasil. É difícil simplesmente tomar algumas medidas precipitadas ou inventar soluções, o primeiro passo é a educação, desenvolver o gosto por conhecer coisas novas, não deixar de curtir os velhos clássicos, mas ter a cabeça aberta para coisas novas.

Seita: E isso não passa pelo patriotismo barato, isso não passa por defender o metal nacional só por que é feito por brasileiros, isso passa por dar oportunidades não somente às bandas, mas a si próprio e de estar em contato com o novo, com o que está acontecendo no momento ao seu redor, antes de classificar algo como modismo e sair descendo a lenha.

Seita: É triste saber que muitas pessoas preferem sair de casa para ver uma banda cover do Iron Maiden ou de qualquer outra, do que ver o que um artista novo tem para apresentar ou dizer. Até aí, decidir sobre ir ao show de uma banda desconhecida ou o Iron Maiden original é outra história, mas ter a cabeça e o coração aberto para os novos artistas e bandas que estão aí, e muitos deles são do caralho. A galera old school se surpreenderia com algumas bandas, de repente até passariam a curtir caso dessem a si mesmo a oportunidade de absorver essa informação.

Seita: Nós achamos que, quando as pessoas preferirem ir ao show de uma banda completamente desconhecida ao invés de irem ver uma banda cover, aí essa situação começará a se reverter. Leva um tempo e nós achamos que todos estão no caminho.

Whiplash.Net: Ok, pessoal, o Whiplash.net agradece pela entrevista e deseja boa sorte a todos. Há alguma coisa que vocês gostariam de dizer para finalizar?

Seita: Gostaríamos de agradecer o apoio, suporte e o espaço para dividirmos um pouco do Seita com os leitores do Whiplash.Net, estamos escrevendo nossa história e com certeza o Brasil é o nosso ponto de inspiração e princípios.

Seita: Somos uma banda que ainda não teve a oportunidade de tocar no Brasil, e ainda assim recebemos muito apoio e mensagens constantemente da galera brasileira que curte a banda. E uma satisfação enorme, e nunca nos esquecemos de onde saímos, essa e a nossa principal força.

Seita: Um abraço da banda Seita a todos os leitores do Whiplash.Net. Valeu demais, galera!!

Contato:
http://www.myspace.com/seitaofficial

Créditos das fotos: Gijs Kamphuis e Erik Schepers

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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