Axl Rose: a entrevista completa para o LA Times

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Site do LoKaos Rock Show
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‘We’re Busting Out On The Funk’!!!
‘We’re Busting Out On The Funk’!!!

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Por Randall Roberts do Los Angeles Times, traduzido por Nacho Belgrande

No começo da manhã de sábado, dia 17, em Seattle, o vocalista do GUNS N’ ROSES, Axl Rose, sentou-se para uma entrevista longa e irrestrita depois do show de três horas de sua banda na noite da sexta anterior na Key Arena. Ao longo de uma hora e meia de conversa fascinante com um afiado e versado Rose, discutiram-se muitos assuntos sobre os quais os fãs têm especulado há anos.

Durante a entrevista, que foi das 2 até as 4 da madrugada em seu escuro camarim, Rose falou sobre o passado, o presente e o futuro sem se conter (tanto que tivemos que editar algumas das acusações mais pesadas que ele fez à indústria musical).

Teremos alguns trechos adicionais da conversa disponibilizados nos próximos dias.

Los Angeles Times: Você pode falar sobre o show e Los Angeles no Fórum na noite de Quarta-feira?

Axl Rose: Bem, LA será interessante. Eu aguardo ansiosamente por isso. Nós nos divertimos muito em 2006. Tocamos três noites no Gibson [Amphitheatre]. Mas esse ano foi muito estranho porque a indústria estava tentando nos forçar a fazer um show menor – apenas um e daí dois. Mas a real é que o som não é tão bom no Palladium – e porque iremos diminuir algo se podemos atrair mais gente? Então vamos tocar no Fórum, mas a coisa não foi feita direito. Tivemos que lutar por isso [Rose dá uma longa palestra sobre alguns executivos da indústria musical, citando nomes].

Essa turnê inteira é parte de – não que haja muito dinheiro indo para [a produtora] Live Nation ou coisa assim, mas é parte de como nós chegamos a um acordo [com o ex-empresário e executivo da Live Nation Irving Azoff]. E eu poderia ter processado, mas isso empataria outras coisas, então a Live Nation não está recebendo dinheiro, nós não estamos recebendo dinheiro, mas nós estamos nos livrando da pendência, então fizemos essa turnê. Daí saímos em turnê e descobrimos que tudo que devia ser feito não tinha sido feito, e os empresários e promotores estão vendendo um show que deveria começar às 8 da noite. Eles sabiam que eu jamais faria isso.

E essa falta de divulgação é a razão pela qual estou aqui? (risos)

Sim, bem, o show já é o que é, então não é bem sobre isso. O show já está basicamente esgotado, então…

E vocês estavam falando sobre fazer um segundo show?

Bem, nós conversamos sobre isso, mas eu recebi cifras diferentes em ocasiões diferentes de pessoas diferentes, e algumas delas vieram de nosso último ex-empresário, e elas eram…, bem, daí basicamente decidimos que vamos esperar até mais tarde para fazer a coisa certa e lidar com Los Angeles, porque eu quero lidar com Los Angeles. Há lugares nos quais quero tocar. Eu quero tocar em algumas das casas, em algumas casas noturnas, lugares diferentes, por diversão, e eu quero tocar em lugares diferentes como fizemos em Nova Iorque.

‘Freaks Like You and I Could Never Funk From There…’
‘Freaks Like You and I Could Never Funk From There…’

E eu sei que nós podemos fazer isso em Los Angeles, mas o que acontece que as pessoas são muito boas em dizer o que você quer ouvir. Então você diz sim, sim, sim, sim e elas fazem algo completamente diferente. “Isso é incrível. Isso é uma grande idéia!” E elas fazem tudo que podem para empatar o lance e certificarem-se de que não aconteça. Isso de fato acontece. Comigo não…elas não podem fazer qualquer coisa e elas não querem fazer qualquer coisa a menos que elas sintam que vão se dar bem com um golpe. Elas não podem sentir que estão fazendo algo legítimo, e sentir esse tipo de orgulho, elas têm que sentir algo como, eu me dei bem, eu fodi eles, da dada. Essa é a vitória delas.

Todos esses empresários, eles sabem duma coisa. Eles sabem que eles podem pelo menos… vender uma turnê de reunião da banda e receber a comissão deles. Só precisam fazer uma ligação. É o trabalho de meio dia, ou de quanto tempo eles quiserem manter a guerra de ofertas rolando. Eles recebem a comissão deles e eles não se importam se tudo der com os burros n’água.

Porque, sério, você pode armar com os caras da época dos ‘Illusion’, mas a única coisa que daria certo seria com Duff e Slash, fato. Nada contra Izzy e nada contra Steven, ou algo do tipo. Steven pode querer, mas esses caras com os quais estou trabalhando agora, eles trabalham arduamente e é trabalho duro. Eu já excursionei com os outros caras e já vi o que eles têm feito desde então, e eu sei das dificuldades.

Eu não tenho ânimo para trabalhar com as pessoas que entraram na época dos ‘Illusion’. Há coisas de bastidores que foram muito, muito difíceis com diferentes pessoas. Então não seria nem uma reunião completa. E esses caras têm estado aqui por muito tempo, saiba o público ou não porque não temos feito tanto barulho assim na mídia. Tommy está na banda há 14 anos, Richard está há 11. Isso é tanto tempo quanto Duff ficou na banda. Chris está faz 11 anos, Dizzy está desde os ‘Illusion’, Frank está completando seis, assim como Bumble. Esses caras têm ficado aqui. E DJ já está indo pra três.

Além disso, nós podemos ter nossas diferenças, e todo mundo na banda pode pensar, ‘Eu não suporto aquele cara’, e apontar a um de nós, entende? Mas ao mesmo tempo, nós nos damos bem. Eu não tenho que dizer a esses caras o que fazer no palco. Eu posso sugerir algo por vezes, mas muito pouco.

‘Well, alright you squares its time we smoked -Get on up this funk and lets have a toke’
‘Well, alright you squares its time we smoked -Get on up this funk and lets have a toke’

Mas também fica claro que você é o chefe da banda – é a sua banda. Corrija-me se eu estiver errado, mas não seria assim com a formação original.

Ao vivo, não é realmente diferente, porque nunca houve de fato uma briga sobre o que rolava ao vivo, porque eles eram de boa com qualquer música que eu cantasse a seguir.

Parabéns pelo Rock N’ Roll Hall of Fame.

Sim, é uma viagem.

Louco pensar que já se passaram 25 anos.

Sim, uma viagem que dura 25 anos, e eu estou aqui e vivo.

Parabéns por isso também. Você pode nos dizer como você ficou sabendo?

(O co-fundador da revista estadunidense Rolling Stone e co-fundador do Hall of Fame) Jann Wenner estava animado com isso. Então eu tinha certeza que ele queria isso, porque ele estava muito animado por estar envolvido – quando eu toquei na indução de Elton John, isso foi em ’93 ou ’94? Ele estava muito animado naquela ocasião. E ele sempre foi um fã nosso, e ao mesmo tempo a Rolling Stone fez alguns dos maiores estragos da história.

Eu tenho sentimentos conflitantes quanto ao que o Rock And Roll Hall of Fame de fato é, mas ao mesmo tempo, há muita gente – os fãs – pros quais isso significa algo, e eles estão felizes. É como se você tivesse ganho o Heisman ou algo do tipo. Eu tenho gente de tudo quanto é idade – em Indiana, eu não tinha ido lá em 18 anos, e você vê gente mais idosa que trabalha na Agência Nacional de Aviação Comercial, 50 quilos acima do peso, que vão ao show e estão felizes. Eu não quero tirar isso delas.

Eu acho que em termos de… quando Michael Moore subiu ao palco do Oscar e disse o que ele disse sobre George Bush. As pessoas não querem isso em festas de premiações, mesmo se você tiver um público grande. Por um lado pode ser certo, mas geralmente sai pela culatra. Então eu não quero estragar a coisa pros outros – e apanhar (risos).

‘And for me I only freak when Im bustin out!!!’
‘And for me I only freak when Im bustin out!!!’

É meio que uma benção distorcida.

É muita gente fazendo dinheiro. Por que elas é quem decidem? Mas é a mesma coisa com o Grammy ou o Oscar, quem vence.

Quais são seus hábitos auditivos hoje em dia?

Eu gosto de rádio, e a vibe do que seja lá o que for – eu curto achar alguma estação obscura no painel do rádio tocando Eric Carmen às 3 da manhã, manja? Eu gosto disso mais do que colocar um disco pra tocar. Mas o rádio morreu em Los Angeles. Simplesmente morreu. Pra mim, a rádio corporativa matou o rádio e você ouve as mesmas coisas… “Carry On My Wayward Son” pode ser uma grande canção, mas há outras faixas naquele disco, e há outras faixas nos discos do Queen.

Você ouviu algo recentemente que tenha lhe surpreendido?

Tinha uma estação que estava afugentando seus ouvintes ocasionais, e foram as duas melhores semanas de música em Los Angeles que eu já escutei. Ia de “Dead on Time” do Queen para “Fingerprint File” dos Stones, até “Rockaria” do ELO, passando pro “Tema de S.W.A.T.”. Simplesmente música louca, divertida. Eu alertei todos meus amigos e todo mudo ficou tipo, “Isso!” Eu liguei pra rádio e disse, “Eu farei qualquer coisa para ajudar a promover a sua estação”. E eles disseram, “Não é uma estação de verdade. Estamos apenas dispersando os ouvintes”. Eu disse, “Mas isso é o que pega! Isso é fabuloso!”·

Implicâncias a essa altura do campeonato?

Me mata quando alguém liga para a (tradicional estação angelena de classic rock) KLOS lá do Builder’s Emporium no meio do horário de almoço e pede “Toca ‘Aqualung’ do Jethro Tull”. Tipo, pra quê pedir isso? Eles vão tocá-la de qualquer jeito. E eles vão tocar ‘Legs’ do ZZ Top. E porque tudo tem que soar velho? Eu só ouço coisas mais novas em filmes. Como em (o filme) “Drive”. Há ótimas músicas nesse lance – todo o tipo de coisa em filmes onde eu penso, “Eu nunca ouvi essa música, e eu nem sabia que ela existia”. Eu realmente sinto falta disso.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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