Mustaine: "é a melhor coisa que compus nos últimos anos"

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Por Daniel Molina, Fonte: Rust In Page, Tradução
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Radio Metal entrevistou o líder do Megadeth, Dave Mustaine durante a edição francesa do festival Sonisphere. Alguns trechos da entrevista podem ser conferidos abaixo:

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Radio Metal: O novo álbum vai se chamar "TH1RT3EN". Você teve alguma má sorte durante a gravação do álbum? Ou, pelo contrário, você acha que trará boa sorte?

Mustaine: Tem trazido sorte. Nós gravamos esse álbum em... tempo recorde - nunca gravamos um álbum tão rápido assim, Bem, quando fizemos o "Peace Sells... but Who's Buying?" foi bem rápido, mas as coisa eram diferentes naquela época, tinha todo o tempo do mundo para gravar. Para esse álbum, tive que começar do zero, sem música nenhuma quando começamos. Nós tinhamos algumas músicas e algumas ideias que já tinhamos trabalhado antes mas que nunca haviam sido finalizadas.

Radio Metal: Recentemente você disse em uma entrevista que esse álbum soa diferente de tudo que já fizeram, que soa super moderno, antes de adicionar que é uma mescla do antigo BLACK SABBATH com um pouco da modernidade do QUEENS OF THE STONE AGE. Essas bandas não são super modernas, por assim dizer, especialmente o BLACK SABBATH. Você pode explicar o que quis dizer?

Mustaine: É, foi uma citação infeliz ali. O que eu disse é que tem um som super moderno, porque esse é o estilo do Johnny (K, produtor). Os sons em si lembram o velho SABBATH! Certo? Mas isso não quer dizer que as músicas se pareçam. Só o som. Algumas guitarras. Mas quando você junta o som das guitarras juntos, e o do baixo, o da bateria e adiciona os vocais não soa o mesmo. E o que eu disse sobre o QUEENS OF THE STONE AGE, estava falando sobre o timbre de guitarra. Eu nem mesmo conheço essa banda! Só conheço uma música (Mustaine canta o riff de "No One Knows").

Radio Metal: Sim, essa é a "No One Knows".

Mustaine: Isso mesmo! Quer dizer, Deus abençoe esses caras, eles não precisam da minha publicidade para ajudá-los. Sei que são bem sucedidos e são uma ótima banda, mas a citação foi um erro meu.

Radio Metal: Os últimos álbuns tem uma pegada thrash que é marca do MEGADETH, mas de acordo com algumas declarações você queria fazer algo diferente dessa vez...

Mustaine: Não. Estamos seguindo nossas raízes agora. Estamos onde queriamos estar, o últimos álbum foi assim também. Esse álbum é onde eu quero estar, voltar a fazer o que sabemos. Sabe, quando o "Risk" foi finalizado, eu disse ao Marty (Friedman), "Temos que voltar as nossas raízes," e ele não queria fazer isso. Ele queria tocar algo mais pop, então seguimos caminhos diferentes. Então desde o "Risk" até agora, cada álbum contêm um pouco do que tem dentro de mim. Sabe, quando se aprende todas as coisas sobre como compor uma música, algo acontece com você quando você escreve outra música, isso ainda está lá. Dependendo de quem o ensinou, o quão bem sucedido seja, as vezes você luta para não querer ouvir aquilo porque se fizer essas coisas, provavelmente terá um álbum de sucesso mas será que ps fãs gostarão? Então seguimos nossos corações de novo, porque quando tocamos as músicas sozinhos, isso é o que me faz sentir bem em cima do palco. E eu sei, que as músicas que tocamos ao vico, se eu não me sentir tipo "Ai, meu Deus, eu amo essa música, amo tocá-la, essa é a melhor de todas" os fãs saberão, porque eles reagem junto com você também.

Radio Metal: Dave Ellefson disse que era algo engraçado que há 20 atrás vocês lançaram o "Rust In Peace" e depois foram gravar o "Countdown To Extinction" e para ele esse álbum soa como ele. Você também acha isso?

Mustaine: Bem, tenho que lhe dizer que para mim esse álbum tem o maior potencial de tudo que já fizemos desde então, porque o "Countdown" foi o nosso maior álbum, e está perto de se tornar disco de platina tripla na América, o que é algo grande. Esse álbum, estou muito orgulhoso dele. Com todos os outros álbum você sempre diz "Ei, é um ótimo álbum, é isso, é aquilo." E eu não quero enfeitar minhas respostas, eu só digo "É o que é, você tem que ouvi-lo." Eu adoro esse álbum! Acho que é o máximo. Acho que é o melhor álbum que escrevo em muito tempo. Mas você tem que ser o juíz. E você já ouviu as músicas, já ouviu "Sudden Death". Já ouviu "Never Dead", a faixa do jogo de video game. Já ouviu… bem, não sei se já ouviu a "Public Enemy" ,mas eu sei que você já ouviu essas músicas, entende?!

Radio Metal: TH1RT3EN será o primeiro álbum com Dave Ellefson desde que retornou à banda. Esse fato mudou alguma coisa no processo de composição e gravação comparado com os últimos álbuns que tinham James Lomenzo como baixista?

Mustaine: Sim. Dave é um baixista exemplar. Quando nos separamos, ele era bom, mas agora ele se tornou melhor ainda. O lado bom de se estar tocando com alguém que é familiar, que você já levou um tempo tocando junto: não leva tanto tempo assim dentro do estúdio. Então nos beneficiamos fazendo tudo um pouco mais rapidamente, e ele também sabia minhas influências muito bem. Então quando uma parte vinha, ele sugeriria coisas como durante a gravação de Sudden Death. Parado na porta da sala de controle ele disse: ¨É, eu acho que eu vou fazer uma parte tipo como Budgie faria¨. E eu meio que tive uma ereção! e ele disse ¨E aqui eu vou tocar uma parte parecida com Diamond Head¨. E eu... eu fiquei meio ¨Meu Deus! eu vou gozar!¨ Você sabe, você ouve a linha de baixo, e é tipo ¨Obrigado, obrigado, obrigado!!¨ Quando eu o perdoei pelo que tinha acontecido durante todo o problema com os processos, você sabe, eu realmente perdoei, não tem anda estranho. Infelizmente, um cara na Suécia tentou começar alguma coisa comigo outro dia, trazendo à tona coisas que Dave disse no futuro, e você sabe, eu perguntei a Dave, que disse ¨absolutamente não¨, o cara estava tentando começar uns problemas. E assim que ele começou a falar com Dave depois de mim, ele tentou fazer a mesma coisa, ele tentou começar a criar problemas com Dave. Algo que ele disse que eu disse. E eu não tenho nada de mal a dizer sobre Ellefson, você sabe. Quando voltamos a tocar, eu o perdoei completamente. Ele pediu desculpas, o abracei, e aqui estamos fazendo música juntos.

Radio Metal: Dave Ellefson e você tocaram juntos durante muitos anos. Você acha que essa pausa na amizade por alguns anos beneficiou a situação no final?

Mustaine: Eu acho que sim. E eu sei que foi bom para o Dave, que começou a tocar em várias bandas, ele tinha um bom trabalho, ele aprendeu muitas coisas, voltou pra faculdade, e suas habilidades no baixo melhoraram. Pediram a ele pra tocar baixo na igreja dele. Pense nisso, cara, você vai pra igreja no fim de semana e você vê David Ellefson lá em cima tocando baixo. Ele certamente não mudava as músicas, claro, e ele não esta tocando qualquer que não seja apropriado para ser tocado na casa do Senhor, mas eu achei bem legal. E depois ele me disse que era um ¨ancião¨ em sua igreja, e isso faz todo o sentido, porque Dave é muito bem fundamentado e espiritual. É uma influência maravilhosa para mim, e um exemplo também porque mesmo eu sendo o líder da banda, eu coloquei pessoas maravilhosas ao meu redor. E ter Dave de volta é algo que eu sempre tive saudade. Foi triste aquilo sobre o processo. Aconteceu, e durante tudo aquilo, eu mantive os mesmos sentimentos: Eu amo ele, eu perdôo ele, eu não quero que isso aconteça, e não quero que nada aconteça para sua mulher e filhos. E isso acabou, e agora é tudo maravilhoso.

Radio Metal: Ontem Megadeth, Metallica, Slayer e Anthrax tocaram a música ¨Am I Evil?¨ do Diamond Head com o Diamond Head. Como foi isso? Isto está começando a ter bastante músicos no palco!

Mustaine: Noite passada teve muita gente, mas honestamente era apenas mais um cara. Eu não acho que qualquer outra pessoa da banda estava lá. As vezes, nem todos das três bandas vem, você sabe. Eu estive lá toda noite, porque eu gosto de tocar com a minha antiga banda, e há algo bem catártico sobre tudo isso. Indo lá, abraçando James (Hetfield), ele me abraçando também, deixando todos saberem e verem que isso é real, que nós somos amigos de novo. Quero dizer, estou vendo o dia chegar quando James me chama e diz: ¨Ei, cara, eu quero gravar algo com você e David Ellefson, eu e Lars!¨ você sabe, coisas estranhas podem acontecer. Eu acho que seria bem legal.

Radio Metal: Você falou com ele sobre algo do tipo?

Mustaine: Falei com ele sobre isso depois da tragédia japonesa acontecer, e eu meio que levantei a questão, ¨hey, nós deveríamos fazer isso¨, e ele diz ¨Bom, não podemos fazer isso agora¨. Ele não disse não, ele apenas disse que agora não dá.

Radio Metal: Esse é o começo de uma notícia talvez...

Mustaine: Não inventa!

Radio Metal: (rindo) Você sabe, amanhã em todos os sites você verá ¨Dave Mustaine e James Hetfield tem falado sobre...¨

Mustaine: (Rosto sério) Essa é a forma mais rápida de arruinar tudo. Você pode dizer que eu estava brincando, mas por favor não diga que eu disse isso. Era só uma brincadeira.

Radio Metal: Lars Ulrich e James Hetfield sempre falam da importância de Diamond Head e sua música para eles. Mas e para você? Essa banda é tão importante pra você também?

Mustaine: Eles são muito importantes. Você está falando da banda que nos influenciou enquanto éramos crianças. Haviam várias bandas, mas Diamond Head foi a banda importante para mim e James aprendermos riffs. Você sabe, nós ultrapassamos Brian (Tatler, guitarrista do Diamond Head) obviamente, mas ele tem um estilo próprio. Você sabe, down-picking, duas cordas ao mesmo tempo, uma corda, duas cordas... você sabe, um estilo incrível e simples de tocar, quase como os B-52s, mas pesado, e legal. E sim, realmente nos impactou, até mesmo a mim. Porque nós tocávamos quase todo o álbum ¨Lightning Of the Nations¨ quando eu ainda estava no Metallica. Tocávamos ¨The Prince¨, tocávamos ¨Sucking My Love¨, tocávamos ¨Helpless¨, tocávamos ¨Am I Evil?¨, o único que eu acho que não tocávamos era ¨Lightnign to the Nations¨. Provavelmente porque era muito simples... eu acho, não sei...

Agradecimentos: Filipe Crosara

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Sobre Daniel Molina

Nascido em 79, professor de inglês e tradutor. Conheci o metal e suas várias vertentes através de um amigo do meu irmão no final dos 80, onde em 89 acabei me deparando com Megadeth dentre os vinis que estava ouvindo e foi amor à primeira ouvida, uma paixão que dura 20 anos. Apaixonado por thrash metal, especialmente Bay Area e East Coast mas também aficcionado por NWOBHM, Hard e Death. Com o passar do tempo percebi que o rótulo é o que menos importa e sim o tipo de música que nos agrada, mas apesar de tudo, thrash sempre acima de tudo. Já trabalhei com vários sites, cobrindo shows e fazendo entrevistas mas sempre tocando a Rust In Page por amor ao Megadeth, e hoje além de dedicação total ao meu trabalho salvo bastante do meu tempo para manter a página rolando firme e forte e mantendo os Droogies brazucas informados.

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