O gênero que revolucionou o rock, mas The Edge achava insuportavelmente tedioso
Por Bruce William
Postado em 11 de fevereiro de 2026
O começo dos anos 90 mudou o jeito como o rock era consumido, vendido e até "interpretado" pelo público. A estética do excesso dos anos oitenta virou alvo fácil, e bandas que pareciam inabaláveis passaram a ser tratadas como parte do problema. O U2 entrou nessa zona de risco, e não por falta de sucesso, mas justamente por ser grande demais para passar despercebido.
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Enquanto o cenário americano se enchia de nomes ligados ao grunge e à ideia de tocar "sem maquiagem", o U2 tentava uma guinada que também tinha a ver com som: novas texturas, efeitos, clima mais eletrônico e uma postura menos "hino de estádio" do que antes. Só que uma coisa não obrigava a outra: mudar a própria pele não significava achar tudo o que estava no topo do momento uma maravilha.
É aí que entra The Edge. Ele reconhece o contexto e, ao mesmo tempo, deixa claro que não era fã daquela onda específica. Falando sobre aquele período, em texto publicado na Far Out, ele colocou assim: "Esse foi o auge do grunge, a cena de rock pesado de Seattle, que (tirando inovadores de verdade como o Nirvana) eu devo confessar que eu achava insuportavelmente entediante. Nós estávamos explorando ideias musicais diferentes, mas o que não percebemos era o quão difícil ia ser para qualquer pessoa na América que amasse rock chegar aonde nós tínhamos chegado."
Na visão dele, o U2 estava indo para um lugar que o público americano, naquele momento, não ia acompanhar com facilidade. A banda estava justamente em fase de experimentar: "Achtung Baby" ainda era rock, mas atravessado por outras ideias, e depois eles continuaram cutucando isso em discos como "Zooropa". Pra quem estava acostumado com o U2 "clássico", aquela virada já exigia um tipo de escuta diferente, e o choque de linguagem com a cena grunge deixava tudo mais evidente.
E tem um detalhe prático nisso tudo: The Edge sempre foi um guitarrista muito associado a timbres e efeitos. Mesmo quem não curte o U2 reconhece que muita gente passou a buscar aquele tipo de textura de guitarra depois que ele popularizou certas abordagens. Então, quando ele olha para um rock mais "pé no chão" e diz que não era pra ele, é a maneira como ele entende o que o instrumento pode fazer dentro de uma banda.
No fim das contas, a lembrança vale menos como "sentença" sobre um gênero e mais como retrato de época: um cara que estava no olho do furacão, vendo o gosto do público virar de uma hora pra outra, e escolhendo seguir em frente com a própria rota, mesmo que isso significasse não ter paciência para a onda dominante do momento.
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