Dio: demitido do Rainbow por não compor músicas comerciais

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Por Nathália Plá, Fonte: Blabbermouth.net, Tradução
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Martin Popoff da revista Goldmine entrevistou, em junho de 2011, Wendy Dio, a esposa/empresária do lendário cantor de heavy metal Ronnie James Dio. Seguem alguns trechos da conversa.

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Sobre o estilo de composição de Ronnie:

Wendy: "Ronnie tinha uma forma um pouco diferente de compor. Ele não queira escrever canções de amor; ele queria escrever sobre as experiências das pessoas, sonhos, anseios, suas esperanças para o futuro. Acho que eram músicas ótimas, e é algo que jamais poderá ser repetido. Elas eram músicas incríveis - 'Stargazer', 'Gates of Babylon', 'Catch the Rainbow' — todas eram músicas incríveis. O Ronnie lia muita ficção científica e livros de magia e místicos – lia um livro por dia. E ele sempre escreveu suas músicas assistindo esportes. Ele era muito influenciado pelos clássicos de Bach e Beethoven, e, é claro, DEEP PURPLE, obviamente LED ZEPPELIN, THE BEATLES, e em termos de bandas novas que estavam surgindo na época, provavelmente AEROSMITH e depois IRON MAIDEN."

Sobre a separação de Ronni do RAINBOW e subsequente decisão de entrar para o BLACK SABBATH:

Wendy: "Ele foi demitido pelo Ritchie (Blackmore), porque ele não escrevia músicas mais comerciais. Estávamos vivendo em Connecticut e decidimos voltar para Los Angeles onde conhecíamos mais pessoas. Eu conheci a Sharon Arden na época, antes de se tornar Osbourne, e conversávamos no telefone e ela convidou o Ronnie para conhecer os caras do SABBATH. O pai dela, Don Arden, era o produtor deles na época."

Sobre o primeiro contato de Ronnie com o BLACK SABBATH:

Wendy: "Eles eram grandes amigos. E eles sempre foram músicos incríveis – lendas. Eu era muito amiga de Gloria Butler, a esposa do Geezer Butler, e esses primeiros dias foram muito divertidos. Era tudo novo para nós. Pela primeira vez em nossas vidas, o Ronnie e eu tínhamos algum dinheiro. Não tínhamos dinheiro no RAINBOW. Mas nós de repente ganhamos dinheiro, e foi legal, e nós compramos nossa primeira casa e aproveitamos a vida."

"Musicalmente, o Ronnie realmente gostava de trabalhar como SABBATH, porque então ele podia ser mais obscuro, ele podia explorar mais. Ele e o Tony (Iommi) tinham uma relação fantástica em relação a composição; e o resto da banda em relação à forma de tocar. Eles eram gênios musicais, todos eles. O 'Heaven And Hell' foi escrito e gravado em Miami, no estúdio dos BEE GEES, e foi uma experiência totalmente nova para nós. As músicas, achei absolutamente fenomenais. A banda não tinha certeza quanto a elas até saírem, porque eles nunca tinham certeza. Quando a banda compõe algo, eles nuca realmente tem certeza (risos) até que as pessoas que estão mais do lado de fora possam ouvi-los e dizer, uau, isso é incrível. A 'Mob Rules', a canção, foi originalmente composta para o filme 'Heavy Metal'; fomos à Inglaterra, onde a versão do filme 'Heavy Metal' foi gravado na casa dos BEATLES. Foi uma aventura incrível e foram momentos felizes. Acho que o terceiro álbum, o álbum ao vivo, não foi feliz; na época, havia muitos problemas acontecendo."

Sobre a carreira solo do Ronnie:

Wendy: "Os anos da banda DIO foram novidades para nós, porque o Ronnie podia fazer o que quisesse então. Apesar de ser bem assustador também, porque era uma grande responsabilidade para ele. E no começo, apesar de termos algum dinheiro, não tínhamos muito dinheiro. Nós na verdade conseguimos uma grande hipoteca, uma segunda hipoteca de nossa casa, para começar a turnê (risos), e para ter certeza de que poderíamos ter as mesmas coisas que aproveitamos no SABBATH. Foi uma época nova e excitante – a banda estava pegando fogo. Não esperávamos que 'Holy Diver' saísse da forma como saiu, e foi incrível. Foi uma jornada incrível."

"Quando chegou nos anos 90, todas gravadoras, todos selos largaram todo mundo. Eu então era a empresária da banda, é claro, eu tive de sair e encontrar independentes, o que me aterrorizou, mas eu fui à Europa e conversei com várias pessoas diferentes, e descobri que na realidade as independentes eram melhores do que as grandes (risos). Você tem muito mais controle e você não vende sua alma a eles. Então essas são algumas de minhas experiências. Mas nos divertimos muito; toda minha vida, toda minha jornada com o Ronnie foi uma experiência linda."

Sobre a autobiografia envolta de rumores em que o vocalista trabalhou por anos:

Wendy: "O Ronnie escreveu – estava escrevendo – um livro, até alguns dias antes de falecer, uma autobiografia, e ele concluiu em torno de três quartos dela. O que ele fazia era escrever tudo a mão e então ele me entregava e meu assistente digitava. Foi como trabalhamos. Então líamos capítulo por capítulo, até os últimos meses, é claro. E eu já tinha conseguido um agente para ele. Então eles querem que eu termine, e eu vou terminar, e vai sair em 2012. Na realidade eu ainda não voltei e li a última parte porque é cedo demais para mim – as memórias são preciosas demais. Mas eu farei isso."

Leia a entrevista na íntegra na revista Goldmine.

http://www.goldminemag.com/features/wendy-dio-discusses-the-...

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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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