Pantera: reviver a banda seria faltar ao respeito com Dime

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Por Nathália Plá, Fonte: Blabbermouth.net, Tradução
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O site russo Darkside entrevistou recentemente o baterista Vinnie Paul Abbott, HELLYEAH/ex-PANTERA, e o vocalista do HELLYEAH, Chad Gray, em 17 de novembro de 2010 em Oslo, Noruega. Seguem alguns trechos da conversa.

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Darkside: Vocês dois estão na indústria da música por um bom tempo. O que vocês diriam que foi a lição mais valiosa que aprenderam pelo caminho?

Vinnie: Provavelmente a lição mais valiosa que alguém deveria aprender é nunca pisar nas pessoas no seu caminho para o topo, porque você terá de vê-las na sua descida, algum dia. Essa é uma lição muito válida. E outra lição é tentar aprender a ser meio que focado nos negócios. Sabe, se chama indústria da música. Todos nós estamos nela porque amamos muito a música e muitas pessoas acabam com nada no fim do dia depois de terem feito boa música, porque nunca aprenderam nada sobre o lado dos negócios. Então ser capaz de captar algo disso ajuda bastante, com certeza. Não diga simplesmente, "Bem, eu vou deixar meu contador cuidar disso". Até hoje ainda pago minhas contas, elas chegam em minha casa, elas não vão para um cara em LA cuidar disso. Eu quero vê-las, quero ter certeza de que não tem nada errado.

Chad: A primeira coisa que ele disse sobre não pisar nas pessoas durante a subida... Eu sempre fui o tipo de pessoa que mantém os pés no chão. Eu sei que ele é esse tipo de gente também. Eu acho que é por isso que o nível de respeito que temos um pelo outro foi tão alto desde o princípio. É porque quando nos conhecemos – não tinha nada de bobagem, não tinha nada de ego. Foi tipo como, uau, isso é incrível, porque é realmente difícil encontrar isso no ramo. O HELLYEAH sempre foi modesto. O MUDVAYNE viu um [certo] nível de sucesso: temos três discos nos Estados Unidos. Nós fazemos dinheiro quando saímos dos Estados Unidos vendemos quase seis milhões de discos no mundo e isso é uma grande coisa. O HELLYEAH está tipo que começando nesse novo mundo em que vivemos em que tem download e por aí vai. Tem sido bem modesto; tem sido bem incrível também. Realmente está me fazendo voltar a ser capaz de viver uma vida e fazer uma escalada por 10 anos e então virar e voltar e começar tudo de novo. Tem sido fantástico para mim. É uma prova do que é o HELLYEAH. Eu não conheço muitas pessoas que poderiam fazer o que estamos fazendo agora, como estamos vivendo nossas vidas agora.

Darkside: Vinnie, eu li algumas especulações online a respeito da possibilidade de você recriar o PANTERA sem o Dime [guitarrista falecido do PANTERA "Dimebag" Darrell Abbott]. Eu não sei o que provocou essas especulações, mas o que você tem a dizer a essas pessoas?

Vinnie: Isso é ridículo. O Dime foi uma parte tão grande disso; seria simplesmente uma burrice completa chegar mesmo a cogitar isso. Acho que é muito desrespeitoso das pessoas sugerir isso. Ele deixou um legado incrível e ele vai ficar intocado, é belo, é primitivo e eu quero deixá-lo assim. Eu realmente tenho orgulho do que eu faço com essa banda [HELLYEAH]. É claro, a história do PANTERA fala por si. Eu quero que ele seja sempre conhecido como "o cara", sabe. Ponto final. Para sempre.

Darkside: Sim, mas os comentários que eu li estavam na realidade te criticando como se você houvesse dito que isso seria possível.

Vinnie: Não, não, eu nunca disse que isso seria possível. Eu não. Devem ter sido alguns outros palhaços que estavam naquela banda, mas não eu. (risos)

Darkside: Há muitas bandas jovens atualmente que agem com arrogância, achando que eles basicamente fazem história de algum modo, apesar de que na realidade eles só fazem barulho. E então tem vocês aí que realmente fizeram história, mas vocês mantém a cabeça em ordem. Então, o que faz vocês manterem os pés no chão.

Chad: Provavelmente é aquilo que o Vince disse. Isso é a maior coisa que aprendi e eu aprendi isso com o Ozzy daquele [documentário] "Decline Of Western Civilization Part II", onde ele diz isso. Não avacalhem com as pessoas na sua ascensão, porque você vai encontrá-las quando descer. Eu lembro de ver esse documentário e eu fiquei tipo, "É isso!" Eu tinha provavelmente 17 anos quando eu vi, bem antes de eu fazer qualquer coisa, mas eu sempre mantive isso em mente por algum motivo. Tudo se vai, tudo acaba. Aqui hoje, acabado amanhã. Se você tem o tipo de atitude "Eu sou o cara" para o aqui agora, o que acontece quando você se for amanhã? Você vai parecer um idiota quando estiver trabalhando na loja de discos ou fritando batatas. Apegue-se a sua integridade enquanto pessoa. É só um trabalho. Amamos nosso trabalho, mas é só trabalho.

Darkside: O que tem na música que vocês amam tanto, que te dá arrepios?

Vinnie: É simplesmente criá-la e tocá-la, sabe. Não há barato maior nesse mundo do que ouvir a multidão [rugir] quando as luzes se apagam. Se você não puder se levantar por isso, você não pode se levantar por nada. É isso – tocar. Você olha lá e sejam 500 pessoas ou [tocando] em Donington [diante de] 100.000 pessoas ou no Monsters of Rock — meio milhão de pessoas, você está fazendo essas pessoas felizes e elas estão curtindo.

Chad: Para mim começa [quando] começamos a compor algo, a formar algo. Eu ouço uma música e eu ou vou ouvi-la de novo e de novo. Muitas vezes você está se segurando, tentando descobrir aonde você vai chegar com aquilo. Quanto mais ouço a música como cantor e compositor, mais eu me familiarizo com ela. Então está na minha cabeça, e de repente vem a melodia, vem a letra, tudo simplesmente começa a vir. E eu amo essa sensação quando eu começo a compor e tudo está transbordando, eu fico tão empolgado que mal posso esperar pra pegar o microfone e realmente ouvir a música. E daí você vai pro palco e tem essa energia, tipo como o que o Vince falou. Nós vamos subir no palco hoje e tem toda essa gente, eles nunca nos viram aqui [em Oslo]. E se tudo for realmente legal e todos estiverem com a mente aberta e todos realmente quiserem dar uma chance, tem essa troca de energia que acontece. Estamos dando a eles algo e então eles ficam "Ahhhhhhhh!!" e eles retribuem. E então nós ficamos "Isso aí" e nós damos mais e eles devolvem mais ainda. E daí todo mundo está se divertindo e cerrando os punhos e bebendo... Nós mandamos bem e acho que é isso que as pessoas recebem de nós. Eles vêem que somos muito apaixonados pelo que fazemos. É algo verdadeiro, você pode quase tocá-lo. A grande coisa com a gente é honestidade, nós não estamos aí para fazer ninguém de bobo. Nós só queremos partilhar nossa música, e se você gostar, tome; [e] se não gostar – [está] ok.

Leia a entrevista na íntegra (em inglês) no link abaixo:
http://www.darkside.ru/interviews/interview.phtml?id=494&dla...

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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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