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Atacke Nuclear: fazendo o crossover sem modinha

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Por Écio Souza Diniz, Fonte: Pólvora Zine
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Há mais de duas décadas estava começando uma fusão musical no mínimo inusitada, que era a do Punk com o Metal, dando origem ao estilo denominado como Crossover, consagrado por bandas como D.R.I, CORROSION OF CONFORMITY, SUICIDAL TENDENCES, entre outras. Atualmente, este estilo muitas vezes tem a desatenção e descaso dos posers. Entretanto muitas bandas vêm surgindo com espírito de continuar carregando a bandeira do fiel som Oldschool, e entre estas, está a sul mineira ATACKE NUCLEAR, que com garra e ousadia, ajuda a manter a importante cena brasileira, que teve, tem, e ainda terá muitos nomes fieis ao som e atitude. Para nos falar sobre tudo que envolve o ATACKE, chamamos o guitarrista Iuri Gregori, que sempre se mostra um indivíduo de argumento e ideais, como os demais membros da banda. Acompanhem. "Thrash till death".

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Pólvora Zine: O ATACKE NUCLEAR teve seu início em Três Corações, tendo você como fundador da banda. Você já havia participado de outras bandas do estilo antes disso?

Iuri Gregori: Sim, tive outra banda de Heavy metal 80's, que se chamava WILD WOLF, mas tocava apenas covers, daí decidi montar o ATACKE NUCLEAR para composições próprias

P.Z: Acredito que o maior destaque da banda é seu som, voltado para o estilo Crossover, e a valorização do Metal brasileiro através de letras em português. O que você desse ideal de tocar um estilo, que mescla a face direta do punk/hardcore com a rapidez e peso do Thrash metal? E quanto ao fato de cantar as músicas em português, qual importância você atribui a isto?

Iuri: Decidimos unir as tribos de protesto, por isso fazemos o crossover sem modinha etc... Cantamos em português para que os brasileiros possam sentir melhor a música e refletir sobre a situação na qual se encontra nosso país, para que sejam menos alienados e lutem.

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P.Z: A banda tem uma postura e imagem do tipo "seja fiel ao som, com força e resistência", o que se nota sobretudo nos temas das letras, que falam sobre guerra, desigualdade social, alienação, etc. Você acha que falta um pouco mais de atitude das bandas de Metal neste sentido?

Iuri: Hoje em dia, é uma situação difícil, muitas bandas tocam por tocar, muita modinha, falta de criatividade, mas existem também muitas bandas de atitude e guerreiras.

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P.Z: Em 2008, você gravaram seu primeiro álbum, "Massacre infernal", de forma independente, contando com a produção de André Cabelo (CHAKAL) na produção e gravação no Estúdio Engenho em Belo Horizonte. Como foi este processo, vocês já tinham as músicas prontas a algum tempo? Qual a colaboração de cada membro da banda na criação das músicas? E qual foi a importância em ter alguém já experiente na cena como André na produção?

Iuri: Sim, contribuições em lances de letra etc... e participação nos ensaios. O André é um excelente profissional antes de tudo, já está na área a anos, com estúdio, e sabe o que realmente uma banda underground precisa. Um grande amigo.

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P.Z: "Massacre infernal", é um bom cartão de apresentação da banda, sendo um trabalho direto, porém com muito feeling nas músicas, e algumas mais Thrash do que Crossover como a faixa intitulada 'Atacke nuclear', com riffs marcantes e refrão grudento. Como você visualiza este primeiro trabalho como um todo? Qual foi a recepção da galera punk e Thrashbanger ao som de vocês?

Iuri: Não como um todo, mas sim como um disco bom e com feeling, recepção boa, tanto é, que o selo que está distribuindo nossos trabalhos na Argentina é raw punk. Estamos sendo bem aceitos nas cenas.

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P.Z: Vocês tocaram já com nomes importantes da cena nacional, como por exemplo, a banda HUMAN HATE, que voltou a ativa em 2009, e muitas outras. Como tem sido pra vocês ter essa relação e interação com bangers da geração oldschool? O que você acha do retorno de grandes bandas que ajudaram a escrever a história do Metal em nosso país?

Iuri: Excelente pois nos passa muita bagagem musical e experiência de vida. Quanto ao retorno das grandes bandas, acho muito legal, pois é sinal que há vida ainda no Metal oldschool brasileiro.

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P.Z: Agora em 2010 vocês estão prestes a lançar o segundo álbum, "Caos Mundial", novamente gravado no Estúdio Engenho e com a produção de André Cabelo. O que você acha deste novo trabalho em relação ao primeiro? Foi mais fácil a composição deste disco?

Iuri: Já lançamos o segundo disco intitulado "Caos Mundial", esse novo trabalho é sinal nosso de amadurecimento, é um álbum bem mais produzido e maduro do que "Massacre infernal", contém 12 faixas, e a composição foi um pouco difícil, mas conseguimos fazer com que desse certo.

P.Z: As músicas de "Caos mundial" têm basicamente aspectos comuns que se nota no "Massacre infernal", porém mostra que vocês evoluíram na hora de compor de lá pra cá. A entrada lenta, seguida de uma puxada riffada rápida e um refrão marcante na faixa-título, e a bem elaborada pegada hardcore de 'Cidade do desespero' são bons exemplos do que estou dizendo. Como tem sido a reação dos bangers a estas músicas, disponíveis para audição no myspace de vocês?

Iuri: Ainda não estamos por dentro disso, mas há bastante pessoas que têm aceitado bem o nosso som.

P.Z: O que você acha do atual Line-up do ATACKE (completado por Luiz Otávio, baixo/backing vocal; Sérgio Morais, Vocal; Eduardo Lemos, bateria)?

Iuri: Melhor formação que o ATACKE teve até hoje. Completa!

P.Z: "Caos mundial" será distribuído em outros países latino-americanos como na Argentina (em Buenos Aires) pelo selo Auto-Defensa Distro, no Peru (em Abancay), pela Al-Nomads Productions e no Brasil, será distribuído pela Die Fight Records, de São Paulo. Diante desta divulgação relativamente ampla para uma banda que ainda está em seu primeiro disco, o ATACKE concerteza tem conseguido o respeito do público, e mostrado um exemplo de garra pra expandir a audição de seu som. Como você analisa este fato?

Iuri: Queremos tomar terreno, ou seja, divulgar som ao máximo, não pelo dinheiro nem pela fama, queremos apenas conseguir mais guerreiros para lutar por um país e mundo melhores.

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P.Z: Você acha que estes selos da Argentina e do Peru, poderão fazer um grande trabalho de divulgação do nome da banda nos países vizinhos? E quanto a demais localidades como Europa e Estados Unidos, vocês tem algo em mente para divulgar nestes lugares também, e você acha que o Crossover tem tido espaço suficiente neles?

Iuri: Sim, pois é a divulgação em terras diferentes, o Crossover tem bastante espaço, mas as vezes visto com maus olhos por alguns posers. No mais, o estilo é bem aceito.

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P.Z: Já há datas marcadas para uma Tour na América-Latina

Iuri: Não, pois não temos condições de fazer turnê, tudo que tinhamos de nosso trabalho e esforço, investimos no disco novo.

P.Z; Além do segundo disco, vocês tem participado de coletâneas também como "Nuestro ruido e nuestra arma. Vol. 2", lançada pela Auto-Defensa Distro (Argentina). Uma das 2 músicas do ATACKE que consta no set list, é a "Cidade do desespero", alusiva a Três Corações. Como tem sido o contato com as outras bandas que participam desta coletânea? E como você vê sua própria cidade, e a transmissão de sua imagem através da música?

Iuri: Três Corações é uma cidade sofrida, com muita droga pesada e influências ruins de fora, mas já foi uma grande cidade em termos de cena underground do final de 80 até final de 99. Depois disso só restaram os verdadeiros, tudo foi se acabando...

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P.Z: Valeu aí Iuri pela entrevista, garra e resistência pra vocês!

Mais informações:
http://www.myspace.com/atackenuclear


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Sobre Écio Souza Diniz

Graduado em Ciências Biológicas e pesquisador na área de Ecologia e Evolução vegetal, sempre foi aficionado por leituras sobre o mundo do Rock/Metal. Além do metal, tem como paixões filmes de terror e épicos. Já participou como vocalista de várias bandas de Death/Grind, mas como nenhuma vingou se encontrou melhor em redigir matérias, fundando há alguns anos atrás o Pólvora Zine. Colabora também com vários sites especializados e com a revista Roadie Crew. Suas bandas preferidas são Iron Maiden, Black Sabbath, Dio, Dorsal Atlântica, Candlemass e Sarcófago.

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