Megadeth: música vai além das notas, é um estilo de vida
Por Cíntia R. Machado
Fonte: Music-Photocalypse.net
Postado em 20 de julho de 2010
O Music-Photocalypse.net conduziu uma entrevista com o baixista do MEGADETH, David Ellefson, no dia 3 de julho no Tuska festival em Helsinki, Finlândia. Alguns excertos da conversa seguem abaixo.
Music-Photocalypse.net: O que você acha dos álbuns do MEGADETH dos quais você não participou?
David: Eles soaram para mim como as gravações solo de Dave Mustaine, e eu digo isso porque ele era o único cara original com três outras pessoas. E o que eles fizeram não tinha as mesmas características do MEGADETH, pois Dave estava cantando, tocando e compondo, e cerca de 50% disso era Dave Mustaine. Mas eu diria que em "Endgame" há partes daquele som da maioria das gravações do MEGADETH, porque existe peso. Eu acho que o fato de Andy Sneaper ter sido o produtor, ele fundamentalmente sabe como entender o som do MEGADETH corretamente, e ele trabalhou muito bem com a banda para trazer isso à tona. Há algumas coisas no "The System Has Failed" que tiveram uma série de marcas muito legais do MEGADETH. E então houve momentos em que eu realmente senti que o Dave estava tentando escapar e fazer a sua própria coisa, e novamente, eu sempre o encorajaria a fazer um álbum solo. Eu acho que seria bom para ele. Ele poderia curtir isso sem ter que fazê-lo dentro dos limites do MEGADETH. Até certo ponto sendo o MEGADETH tão grande como é, existem restrições. Ele tem que soar de certo modo, caso contrário os fãs ficarão irritados.
Music-Photocalypse.net: O que você pode dizer sobre o fato do MEGADETH não tocar no mesmo palco que as bandas anti-cristãs?
David: Eu não estava na banda quando tudo isso aconteceu. Mas às vezes você tem que defender o seu caráter. Dave e eu somos ambos cristãos agora. Se já existiram duas pessoas no rock n’ roll que estiveram no lado negro, fomos nós. Então sair disso e declarar fé em algo bom é, eu acho, uma boa coisa. Eu nasci e fui criado como uma criança luterana, o que eu acho que a maioria dos escandinavos são, nada descabido, nada louco. Então para mim, sair do mundo negro do álcool e da diversão e de tudo aquilo que eu fiz e que quase me matou – sair disso para voltar à normalidade e seguir o caminho do meio com uma família e ser saudável... Se alguém vê isso como uma coisa ruim – isso não é bom. Você não tem que ser o mocinho, mas você também não tem que levar as pessoas para o mau caminho. Eu acho que nesse aspecto o Dave disse que ele não iria tocar com as bandas que estavam fazendo aquele tipo de coisa porque isso viola diretamente as suas crenças. Ele é muito tolerante com quase todas as coisas, mas nessa situação particular ele disse: "Não, isso não é certo." Então nós aprendemos que você tem que respeitar os artistas, você tem que respeitar as pessoas em cujo palco você tecnicamente está. E nesse dia particular você terá que ser respeitoso, se você não for... (bate suas mãos)
Music-Photocalypse.net: Você é David Ellefson do MEGADETH, isso é basicamente uma parte do seu nome agora. Como o David Ellefson do MEGADETH difere do David Ellefson fora da banda: um marido, um pai, um homem de negócios?
David: Eu sou praticamente o mesmo cara. Quando você pisa no palco, você tem aquela cara de concentração como em qualquer outro lugar: em um campo de futebol ou uma quadra de basquete, você irá ter a sua cara de concentração, você está atento. Mas falando de personalidade, eu sou praticamente o mesmo cara. Eu procuro ter uma série de princípios que se aplicam a tudo mais que eu faço. Honestamente, para mim esse é o objetivo de tentar e de ser o mesmo cara dentro e fora do palco, pois isso é uma parte importante do que o MEGADETH é. O MEGADETH não é um ato teatral, no qual nós pintaríamos nossos rostos ou usaríamos máscaras, ou nós faríamos uma coisa no palco e então nós sairíamos e faríamos o oposto. O cara que era ótimo nisso foi Alice Cooper. Ele também era muito aberto quanto à sua fé cristã, e foi salvo do estilo de vida de álcool e drogas que ele levou até certo ponto anos atrás. Ele foi capaz de ir para o palco e de ser esse personagem chamado Alice, o vilão malvado. Então ele sai do palco, tira a maquiagem e vai jogar golfe, passar o tempo com sua esposa e filhos e ser um rígido homem de família. Nós estivemos em turnê com ele muitos anos atrás e ele tem sido um bom mentor, um modelo de como fazer show business: de estar no showbizz, mas não ser o showbizz.
Music-Photocalypse.net: Hoje em dia a imagem da banda é mais importante do que a música que a banda faz. De volta aos velhos tempos em que as pessoas costumavam se importar se a banda realmente tocava. Você acha que isso afetaria o desenvolvimento posterior do metal? Isso irá deteriorar a qualidade enquanto se prefere a imagem à música?
David: A música é muito mais do que apenas notas musicais, ela é um estilo de vida. Eu me lembro de ter visto o KORN, quando eles ficaram conhecidos, e nós os levamos à sua primeira grande turnê. Todo o visual, o estilo e cabelo deles, eles cantavam músicas para uma geração inteira que se identificava com isso. Então isso é muito mais do que apenas música. É como se identificar quando você vai ver a banda tocar. Agora é mais sobre a cena e o movimento mais do que era nos velhos tempos quando eu estava indo ver o KISS, o RUSH ou o VAN HALEN. Todos eles eram bandas diferentes, mas não existiam oito outras bandas como eles para ser parte da cena. Aquilo meio que começou com o thrash metal. Começou com o "Big Four" e então o OVERKILL e o EXODUS. Existiu um bando de nós que começou a cena e nós todos nos mudamos para uma grande tribo. E desde então teve o GUNS N’ ROSES, existiu um monte de McCoys e suas bandas glam, bandas punk: SUM 41, BLINK-182, GREEN DAY – eles eram todos parte da cena.
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