Lars Ulrich: "As coisas estão bem fáceis e agradáveis"

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Por Douglas Morita, Fonte: MetalRemains
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Cameron Adams do Herald Sun entrevistou recentemente o baterista do METALLICA, Lars Ulrich. Alguns trechos da conversa podem ser conferidos abaixo.

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Sobre a batalha do Metallica, em 2000, contra o Napster, o principal serviço de compartilhamento de arquivos na época:

Lars Ulrich: "É parte do legado, por bem ou por mal. A melhor coisa que você pode fazer é tentar fazer com que as pessoas entendam que você está no ponto em que está confortável em rir um pouco disso. Não foi muito divertido 10 anos atrás... Eu não vou te enganar, foi uma época bem difícil. É algo que ainda me deixa um pouco desconfortável. Foi impressionante como nós fomos pegos por essa coisa toda."

Sobre o impacto negativo que o compartilhamento de arquivos teve em todos os setores da indústria musical:

Lars Ulrich: "Enquanto você vê declínio de todos esses modelos que existiam por décadas, eu não acho nada glorioso dar tapinhas nas nossas costas dizendo, 'olhe, nós estávamos certos'. Outras pessoas dizem isso. Eu tento não dizer muito sobre isso. Eu não vejo glória nisso. É parte do declínio de tanta coisa."

"Certamente não tanto a gente, mas muitas pessoas perderam seus empregos e suas habilidades de depender da música para suas rendas, para suas vidas. Outras bandas tem dificuldade de continuar por causa da falta de dinheiro para equipamento ou gravação. As gravadoras estão assinando com menos bandas e colocando menos dinheiro para elas."

Sobre ser anti-internet:

Lars Ulrich: "Nós somos responsáveis por cerca de 10% do lucro da Apple todo ano - nossa casa é um santuário do Steve Jobs sem dúvida."

Sobre o filme "Some Kind of Monster", que mostra a gravação do álbum "St. Anger", a luta do vocalista James Hetfield na reabilitação e a contratação do terapeuta Phil Towle:

Lars Ulrich: "Toda vez que eu vejo Noel Gallagher [Oasis], ele cita mensagens do filme para mim. Essa coisa ganhou vida própria. Eu tive que viver essa merda por três anos! A coisa toda foi assustadora."

"Eu sei que vários outros músicos parecem ter vividos muitos desses momentos. Eles não foram necessariamente estúpidos o suficiente para filmá-los como fomos e compartilha-los com o resto do mundo."

"A dinâmica interna nesta banda é tão radicalmente diferente agora, é difícil de relacionar com esse filme atualmente. É uma sensação de terceira pessoa. Se eu vejo um trecho dele ou penso sobre isso, é mais como algo que aconteceu com outra pessoa."

Sobre ter seu próprio jogo, uma versão dedicada do "Guitar Hero":

Lars Ulrich: "É bem legal ter seu próprio jogo quando você tem filhos com 8 e 11 anos, isso ajuda no fator 'pai legal'. Eu sentei e joguei 'Guitar Hero: Metallica' com meus filhos, não é ruim. Sempre é bom ter mais cabelo e uns músculos a mais [no jogo]."

Sobre o apelo do Metallica na nova geração:

Lars Ulrich: "Muitas crianças estão se animando com nossas coisas por causa dos pais que cresceram com a gente. De alguma forma as músicas dos anos 80 - Metallica e Megadeth e Slayer e coisas dos anos 70 como Thin Lizzy e Deep Purple e Black Sabbath - elas parecem ter uma relevância com as crianças atualmente. Elas parecem se conectar com isso."

"Olha para os anos 90, o rap rock, nu metal e grunge. Muitas dessas coisas tiveram mais elementos comerciais. Eu estou generalizando aqui. Obviamente o Nirvana foi uma ótima banda, Alice in Chains, Soundgarden, Pearl Jam - sensacional - mas todas as coisas nessa época tinham uma vibração mais de produto. Para cada Kid Rock e Limp Bizkit, haviam 100 clones."

"Muito do hard rock dos anos 80 e 70 se mantiveram e sobreviveram da mesma forma que muitas das coisas dos anos 90 sumiram."

Sobre estar aliviado de que não há mais intrigas entre ex-membros do Metallica:

Lars Ulrich: "Nós passamos por coisas demais. É isto que sobrevive; toda a falação de merda cai pros lados. Não tem perna própria. Se torna momentâneo. A experiência que você passou fazendo música dura para sempre."

Sobre como, depois de 30 meses na estrada, os fãs não devem esperar pelo sucessor do "Death Magnetic" em breve:

Lars Ulrich: "Há uma boa vibração na banda agora, todos estão se divertindo e se dando bem. As coisas estão bem fáceis e agradáveis. Eu sei que não soa muito rock and roll, mas me surpreenderia se passar um ano antes que comecemos a fazer um novo álbum."

"Eu acho que nós teremos de três a seis meses de descanso. Há uma boa chance que demore menos que nos ciclos anteriores. Mas eu já me ouvi dizendo isso em entrevistas antes..."

Sobre o Metallica estar celebrando sua terceira década:

Lars Ulrich: "Trinta anos é uma grande conquista para uma banda como nós, que acabou se esgotando umas três vezes durante os anos."

"O fato de ainda estarmos de certa forma funcionando e não só colocando sentenças juntas mas tocando música é obviamente um tipo de conquista que deve ser celebrado."

"Eu não tenho certeza se isso deveria ser feito em público ou com uma reza quieta em casa."

"Eu tenho certeza que algo surgirá. Algo sempre surge. Nós não somos muito bons em ficarmos sentados em casa."

A entrevista completa pode ser lida, em inglês, clicando aqui.

Fonte (em inglês): Blabbermouth.net.

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Sobre Douglas Morita

Douglas Morita acha que se existem constantes em sua vida, uma delas definitivamente é o Metallica. Fã da banda desde que se conhece por gente, criou o site Metallica Remains em 1998 e considera o grupo como sua principal - porém, obviamente, não única - influência musical. Além do Metallica, tenta ouvir de tudo um pouco, sem se limitar a estilos ou rótulos.

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