Kamala: profissionalismo e busca pela evolução musical

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Por Ben Ami Scopinho
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Natural de Campinas (SP), a Kamala está chegando à "Fractal", excelente segundo álbum lançado agora pelo selo Free Mind Records e que mostra toda a dedicação de Raphael Olmos (voz e guitarra), Andreas Dehn (guitarra), Adriano Martins (baixo) e Nícolas Andrade (bateria) em prol não só do Heavy Metal, mas também do profissionalismo de nosso cenário, exemplo que deveria ser seguido por todos os que buscam respeito como artistas.

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Ainda que calcado no Thrash, seu Heavy Metal contemporâneo continua proporcionando dificuldades para se encaixar em algum rótulo específico. O Whiplash! conversou com Nícolas e Raphael, que vão atropelando com vontade todas as dificuldades deste Brasil, cujo público tantas vezes se mostra incrivelmente cético em relação ao que é feito por seus próprios conterrâneos.

Whiplash!: Ola pessoal. O recém-lançado "Fractal" é o sucessor de seu debut auto-intitulado de 2008. Musicalmente, existem diferenças entre ambos os trabalhos?

Nícolas: Certamente, há uma evolução musical nesse trabalho, as melodias de guitarras e vocais, linhas de baixo e bateria e de toda estrutura musical estão muito mais detalhadas, é um aspecto positivo e que nos deixou muito felizes com o resultado final.

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Whiplash!: A maioria das novas composições me pareceu mais direta e com menos experimentos em relação ao apresentado no disco anterior - e mais, senti uma maior proximidade com o Metalcore, como em "Purify", "The Fall" e outras. Seria um equívoco afirmar que a Kamala está se definindo de forma mais específica?

Nícolas: Acho que experimentos, mesmo que sejam em maior ou menor volume, são de fato algo que nunca deixaremos de utilizar, mas não acredito que seja possível dar uma definição exata. É Thrash, mas colocamos um pouco da influência de cada um em todas as músicas e isso as deixam mais abertas a interpretações, que por fim eu acredito que seja esse o objetivo, causar a inquietação e soar unicamente como Kamala.





Whiplash!: Boa parte do público parece não entender que a longevidade do Heavy Metal se deve à capacidade de se reinventar ao longo das décadas. Considerando que a Kamala possui essa compreensão e "Fractal" reflete isso com muita maturidade, como vem sendo a reação do público?

Nícolas: Eu tenho ouvido e lido diversos comentários, das mais diversas cabeças pensantes do Metal e fora dele. No geral temos percebido uma boa recepção do público. Eu acredito que toda crítica, positiva ou não, nos traz a vontade de pensar sobre cada uma e nos torna habilitados a trabalhar cada aspecto. Isso faz parte da evolução, pois temos que buscar nos adaptar sem fugir dos princípios, pois também acredito que temos nossas particularidades e devemos filtrar todo tipo de reação externa, porque também existe muita coisa mal construída que não agrega valor nenhum.

Raphael: Tudo se baseia em um processo de evolução. Como muitos artistas e público dizem, tudo começou com Black Sabbath, a partir daí a música pesada, independente de qual seja o rótulo, foi evoluindo. Existem as pessoas mais tradicionais que gostam de escutar apenas a 'escola', a 'base' de tudo, e respeitamos isso, como também existem pessoas que buscam algo inovador, mais agressivo, mais melódico, mais progressivo ou o que quer que seja, e está nisso o valor de reinventar o Heavy Metal dentro do Heavy Metal. Nós, como artistas, buscamos criar algo que seja uma mistura de várias influências, não apenas dentro do Heavy Metal, combinado com a vontade de desenvolver um trabalho que conquiste pelo som que amamos criar, tocar e que acreditamos que seja algo reinventado. Pois no final, é isso que se baseia a longevidade e a expressão artística.

Whiplash!: Em uma conversa anterior, a Kamala me pareceu satisfeita com a Overload Records, responsável pelo lançamento de seu primeiro álbum. Mas agora vocês estão sob a tutela da Free Mind. Afinal, o que acarretou a mudança de gravadora?

Raphael: Para esse novo álbum estávamos à procura de um selo que desse mais suporte. A Free Mind Records, apesar de ser um selo novo, vem se destacando no mercado nacional através do trabalho que vem desenvolvendo, com todo profissionalismo e respeito ao artista. Foi essa escolha, que através deste novo contrato optamos pela mudança, para ter mais suporte e divulgação.

Whiplash!: Vocês pensaram bastante em toda a estética deste disco. Tanto que, entre os lançamentos nacionais do ano, a capa de "Fractal" pode ser considerada como uma das mais interessantes de 2009. Qual o seu conceito, afinal? Novamente, há referências da cultura oriental...

Nícolas: Há alguns aspectos que remetem à cultura oriental, como o mehendi, e alguns detalhes que remetem ao entendimento do indivíduo. O nome "Fractal" vem de uma formação geométrica que tende ao infinito e representa graficamente a teoria do caos, e esses dois principais significados tratam bem o conceito do disco, a busca pela evolução musical é retratada nessa definição de tendência infinita, onde não colocamos obstáculos no que remete à criatividade. E o caos é como uma retratação da existência humana nos seus fatos, atos e conseqüências. Cada música tem sua representação gráfica no encarte de 16 páginas, e contam com a temática do Bem x Mal, onde acreditamos que todas as pessoas vivem essa guerra dentro de si, e cada uma faz a escolha do lado a seguir.

Whiplash!: O disco também traz um excelente vídeo para a canção "Consequences", que prima por seu clima perturbador. Como rolou a criação e gravação do mesmo?

Raphael: A letra de "Consequences" fala de pessoas que fazem escolhas nem sempre boas, e trilham por caminhos errados, sendo desmascaradas e acabando solitárias. Trabalhamos então com metáfora. Uma pessoa meditando, referência direta de nossas influências com música oriental, pois Kamala é uma deusa hindu. Ela escolhe o caminho errado e o mal entra dentro dela, e nós estamos lá para mostrar isso, fazendo parte de uma série de perturbações, onde essa pessoa vive um inferno pessoal. E no final, essa pessoa consegue expulsar esse mal. Tudo isso pode ser percebido através do tratamento de imagem e efeitos elaborados pela produtora Studio Kaiowas, onde captaram muito bem a temática da letra e desenvolveram um grande trabalho! Sempre que possível procuramos diferenciais, seja na parte do áudio quanto na parte visual, e para isso buscamos um local com essa cara 'zen', devido ao clima da introdução da música e toda essa beleza na parte oriental. Quem achou o local foi o pessoal da produtora, através de uma publicação de um jornal local. Eles entraram em contato com os proprietários e quando foi agendada a primeira visita ao local, no mesmo momento sabíamos que teríamos um belo e diferente cenário, como procurávamos. E o clipe foi rodado em dois dias, em Campinas mesmo.

Whiplash!: A Kamala sempre mostrou grande preocupação em relação ao aspecto visual, e inclusive possui o patrocínio de uma empresa que cuida de suas vestimentas. Essa postura chega a incomodar parte do público? Até onde a música e a moda podem e devem ser conjugadas?

Raphael: Chega a incomodar uma pequena parcela do público mais 'radical', porém cada um tem o direito de achar o que bem entende, certo? E sinceramente, não ligamos para isso, ninguém é obrigado a gostar de nada, cada um segue o que acha interessante. Ao mesmo tempo a maioria do público tem aprovado esse nosso novo direcionamento visual, e não digo apenas em roupas, mas com background e efeitos de palco. Quem já teve a oportunidade de ver um show do Kamala sabe que trabalhamos muito essa parte visual para proporcionar intensidade ao máximo com a nossa música. Ter o patrocínio da Lady Snake Rock Wear é uma grande conquista, devido a toda credibilidade da marca que apóia grandes nomes do Metal nacional, sendo assim um grande prazer de fazer parte dessa maravilhosa família. As roupas que foram desenvolvidas exclusivamente para a banda são extremamente confortáveis para todo o show, sem ser uma roupa pesada, que prejudique a desempenho durante nossa apresentação e ao mesmo tempo com um acabamento incrível, rica em detalhes! Acredito que algumas das pessoas que criticam essa postura nunca pararam para pensar que até mesmo as bandas mais tradicionais, seguem um 'estilo' que transmita sua postura e ideologia. Poderia ir mais a fundo nesse assunto, porém acredito que seria necessária apenas uma entrevista inteira tratando disso (rs).

Raphael: Mas, para finalizar, estamos falando de shows, fotos, videoclipes e tudo que se baseie em música somada à utilização visual, tem uma produção. Se não, para que comparecer aos shows, assistir clipes? Fique em casa escutando apenas a música trancada em um quarto escuro sem mesmo ver um encarte e grandes capas, pois isso faz parte do visual também. Por exemplo, as capas do Cannibal Corpse. Pare e reflita. Todas as capas não criam um clima extremamente agressivo e perturbador, exatamente tratado pelos sons e pelas letras da banda? Seja usando algum tipo de uniforme ou coletes jeans com patches de bandas, não adianta, no final é tudo um estilo/moda, seja algo mais moderno ou mais tradicional.


Whiplash!: É inegável que a Kamala progrediu em vários aspectos desde o início de suas atividades, mas faz parte de uma cena repleta de dificuldades, onde muitos promotores não pagam cachês ou, pior, com a vergonhosa prática em cobrar das bandas para estas poderem tocar. Neste sentido, como estão rolando os shows? Estão programadas apresentações para fora da região de Campinas?

Raphael: Infelizmente ainda vivemos nessa realidade de 'produtores' que não sabem o valor real de um artista. Você compra bons instrumentos, grava CDs com boa qualidade de produção, grava um bom vídeoclipe, investe em produção de palco e tudo mais, para dar de 'bandeja'? Tudo isso tem um valor, não apenas financeiro, mas também de valorização do trabalho do artista. O papel de uma banda contratada é de vender o serviço de entretenimento ao público presente, proporcionando o melhor show possível, e para isso existe um investimento. Participar de cotas de ingresso ou coisas do tipo, são coisas que não fazemos. E enquanto houver banda que se sujeita a isso, vão existir produtores se alimentando disso. Fora da região de Campinas, vamos tocar no dia 17/04 no V.O.A. (em Várzea Paulista/SP) e recentemente tivemos a grande honra de ser a primeira banda anunciada em um dos maiores festivais do Brasil, o Roça 'n' Roll (Varginha/MG) que vai acontecer no dia 12/06. E mais datas estão sendo negociadas para a divulgação do nosso novo trabalho.

Whiplash!: Um ótimo disco em mãos e o apoio de um selo já conhecido pela seriedade de seu trabalho em prol do Heavy Metal brasileiro. Quais os planos para 2010?

Raphael: Os planos são divulgar ao máximo o novo disco "Fractal", que acreditamos realmente ser um ótimo trabalho, com o apoio da Free Mind Records, com shows por todo Brasil, participações em entrevistas, com a divulgação do vídeo clipe da faixa "Consequences". E já estamos negociando a gravação de mais um vídeo clipe e mais alguns materiais de vídeo. Paralelamente, estamos juntando material para um próximo disco a ser lançado no segundo semestre de 2011 ou primeiro semestre de 2012, onde até o momento já temos 15 músicas a serem trabalhadas.


Whiplash!: Ok, pessoal. O Whiplash! agradece pela entrevista, desejando toda a boa sorte à Kamala. Fiquem a vontade para as considerações finais.

Nícolas: Gostaria de agradecer mais uma vez o espaço que o Whiplash! nos cede, e dizer a todos que confiram as novas músicas do Kamala através do nosso MySpace. Continuem acompanhando as novidades e, quem tiver a oportunidade, confira nosso som ao vivo!

Raphael: E complementando, gostaria de agradecer todos os nossos fãs pelo constante apoio, elogiando o nosso novo trabalho, perguntando da nossa agenda e divulgando para mais e mais pessoas. Todo esse apoio fortalece muito e nos faz uma banda cada vez mais forte e determinada a buscar respeito e reconhecimento no cenário do metal nacional e mundial!

Contato:
http://www.kamala1.net
http://www.myspace.com/kmlthrash




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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