Stress: "O Metal já não assusta mais como no passado!"
Por Artur de Figueiredo
Fonte: Virtuai
Postado em 06 de fevereiro de 2010
Com mais de 25 anos de estrada, o STRESS lançou o primeiro registro em 1982, que se tornou o grande marco do Heavy Nacional. Mudando completamente o contexto da época, que era voltado ao New Wave, coisas do tipo. Com boas doses de Judas, Saxon e Iron, o STRESS se firmou com um grande expoente do Metal Nacional.
Em entrevista concedida ao portal mineiro, "Virtuai", o vocalista da banda pioneira do Heavy Nacional, Roosevelt Bala, fala do contexto da cena de Heavy Metal atualmente e há 20, 30 anos atrás.
O Stress é considerado a primeira banda de Heavy Metal brasileira, quais foram suas principais influências?
Roosevelt: "Nem em nossa cidade e nem no Brasil tínhamos referências para fazer o som pesado que queríamos. No máximo, o que existiam eram bandas brasileiras de Rock’n’roll, como Tutti Frutti, Casa das Máquinas, Made in Brasil, etc... Ouvíamos principalmente os ícones do rock pesado mundial: Led Zeppelin, Black Sabbath, Nazareth e Deep Purple. Posteriormente conhecemos Judas, Saxon, Iron e Motorhead, da segunda geração do rock pesado. Na verdade, do Heavy Metal propriamente dito, pois foi a partir daí que esse termo ficou mundialmente conhecido. Essas foram basicamente as nossas influências, com uma única ressalva, tínhamos algo maior em mente. Temos de ser mais pesados e mais rápidos do que eles e qualquer outra banda no planeta. Acho que foi esse pensamento ousado que nos levou ao pioneirismo dentro do Brasil".
Pelo fato do Stress fazer "Metal no país do Carnaval", como foi a aceitação do público em relação ao som da banda no inicio da carreira?
Roosevelt "O público do rock em geral (não entendem o metal) era muito restrito em Belém, apenas algumas centenas em toda a cidade. Mas era uma galera fiel e carente de shows. As apresentações do Stress eram raros momentos de encontro dessa turma, que foi crescendo espantosamente a cada show. Em pouco tempo estávamos lotando os teatros, depois os ginásios até estádio de futebol (20.000 pessoas no show de lançamento do primeiro LP, em 82). Mesmo com a tradição do Samba e do Carnaval, os roqueiros nunca deixaram de existir, seja qual for o tamanho da cidade sempre vai ter uma galera que curte o Rock (antigamente) e o Metal (atualmente falando). Nos tornamos a banda mais popular da nossa cidade, a que lotava todos os locais onde se apresentava, 'um fenômeno', por se tratar de uma banda alternativa. Devemos tudo isso ao fiel público roqueiro daquela geração de guerreiros".
Como está o mercado musical de Heavy Metal atualmente no Brasil e na sua opinião quais foram as principais mudanças das décadas de 70, 80 para os dias de hoje?
Roosevelt: "O Metal já não assusta mais como acontecia no passado. As guitarras distorcidas já fazem parte dos arranjos musicais de qualquer banda de rock, seja Pop ou Pesado. Portanto, aquele estilo maldito que era discriminado pelos nossos pais, hoje já faz parte do cotidiano de milhões de jovens pelo mundo todo. O Brasil já é rota obrigatória nas turnês das grandes bandas, o nosso mercado é sólido e rentável para os já renomados. Porém, a realidade das bandas nacionais é dura, infelizmente ainda não dá pra se manter tocando metal no nosso país, até nossos músicos consagrados do metal tem de desenvolver atividades paralelas pra segurar as pontas em casa. Contudo, podemos dizer que as coisas, mal ou bem, andaram para frente em muitos aspectos, saímos da idade da pedra. Já estamos inclusos na lista dos países onde o metal tem grande força, e que o mercado é promissor. Não fossem esses radicalismos provocados pelas infindáveis ramificações do metal (Black,Thrash, Death, Doom, Speed, Power, White) o movimento seria tantas vezes mais forte quanto é o número dessas sub-divisões babacas que inventaram pra separar e enfraquecer a cena heavy nacional".
Confira a entrevista na íntegra:
http://www.virtuai.com.br/colunistas.php?id=4421&&categoria=artur
Conheça o STRESS e toda sua trajetória na cena do Metal Nacional:
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