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Nox Eterna: Honrando a tradição do Heavy Metal

Por Ben Ami Scopinho
Em 03/01/10

Natural de Jundiaí (SP), o Nox Eterna demorou mais de uma década para, enfim, estrear em disco. Ainda que o maior entrave tenha sido encontrar a formação ideal, a banda persistiu, foi afiando suas composições e o resultado chegou sob o título "Mind Abduction", liberado de forma independente no final de 2009.

E foram pouquíssimos os nomes que conseguiram algo tão carismático em se tratando de Heavy Metal Tradicional nos últimos tempos. O potencial é enorme e, para conhecer mais acerca do Nox Eterna, o Whiplash! bateu um papo com o vocalista Renato Zomignani e o guitarrista Renato Lorenccini, que resultou na entrevista a seguir.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Whiplash!: Tudo certo, pessoal? O Nox Eterna batalhou por mais de uma década até estrear com "Mind Abduction"... Que tal começarmos com uma breve biografia da banda – inclusive, qual o curioso significado de ‘Nox Eterna’?

Renato Zomignani: Por aqui tudo ótimo, graças a Deus. A banda foi criada em 1996 por mim e pelo guitarrista Rodrigo Savazoni, que acabou saindo em 1999. Até 2001, quando fizemos nosso primeiro show, ficamos o tempo todo ensaiando e compondo material próprio, uma vez que decidimos apenas nos apresentar quando já sentíssemos a banda pronta e com um repertório praticamente todo autoral. Aliás, isso ainda é uma constante nos nossos shows, 80 ou 90% do que tocamos ao vivo são músicas nossas. Nesse período tivemos várias mudanças no line-up e também no nome da banda, sendo que adotamos esse atual no início de 2002.

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Renato Zomignani: Nox Eterna quer dizer, num latim ‘aportuguesado’, Noite Eterna. Isso remete a uma questão intrínseca na minha cabeça e talvez na de muita gente, pois sempre me questionei a respeito do que havia antes da grande explosão, o ‘Big Bang’, do surgimento da nossa galáxia etc. Pra mim, mesmo antes disso tudo, já tinha que existir alguma coisa, nem que fosse uma imensidão negra apenas. E isso é o que chamei de ‘Nox Eterna’. Ah, e claro, também tem aí um dose de homenagem à boemia, à vida noturna (risos).

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Whiplash!: Renato, você é o único músico que permaneceu desde o início da trajetória da banda. Houve muitas mudanças na formação... Qual tem sido a principal motivação ou inspiração para continuar por tanto tempo? Considerando tudo, o que te marcou mais nesse período?

Renato Zomignani: Cara, eu simplesmente amo essa banda. Ela é parte marcante da minha vida, sem sombra de dúvida. Por umas duas ou três ocasiões eu confesso que realmente cheguei a pensar em parar, pois você sabe, os obstáculos são muito mais freqüentes do que as glórias, ainda mais em se falando de Heavy Metal e, especialmente, no Brasil. Viver da banda é um grande sonho que tenho desde quando a formei ainda adolescente e, se isso acontecer, será conseqüência de muito esforço e sorte também (infelizmente talento e dedicação nem sempre bastam). Porém não é isso que me guia. Eu vejo da seguinte maneira, tudo o que eu (dentro do contexto do Nox, claro) deixar registrado vai ficar pra sempre, independente de termos vingado ‘comercialmente’ ou não. Hoje em dia tudo fica facilmente arquivado em termos de música, ou seja, mesmo daqui séculos qualquer pessoa vai ter acesso a qualquer música que ela quiser, apenas pesquisando. As pessoas não conseguem fugir do curso natural das coisas e acabam deixando nosso mundo, porém as obras podem ficar pra sempre.

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

Renato Zomignani: Sobre o que me marcou mais? Realmente é difícil citar um ou outro momento, tivemos vários acontecimentos marcantes na nossa história. Mas acho que o que ainda me marca mais são as pequenas coisas em conjunto, o reconhecimento das pessoas, conhecidas ou não, a galera cantando junto nos shows, isso é impagável.

Whiplash!: Ao contrário de tantas outras bandas de Heavy Metal, o Nox Eterna fez com que "Mind Abduction" transmitisse muito otimismo. Há momentos ideais ou felizes em seu processo de composição?

Renato Zomignani: Pra ser honesto com você, eu nunca parei pra pensar nisso. O conteúdo das nossas letras abrange vários assuntos. Acho até interessante essa sua percepção, pois já teve gente achando coisas negativas nas letras (risos). Isso que é o legal da história toda, cada pessoa ler a letra e tirar suas próprias conclusões a respeito, assim como escutar a música e ter diferentes reações a ela.

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Whiplash!: O debut apresenta em "Corporate Mind Abuction", "On And On" ou "Behind" exemplos para se ouvir a qualquer hora, que sempre permanecem muito boas. Mas confesso que senti um diferencial na faixa "Flirting With The Devil"... Vocês tentaram algo novo nela, certo?

Renato Zomignani: "Flirting With The Devil" era, na época da gravação do CD, talvez a composição mais recente. Ela ainda mantém características tradicionais em sua estrutura, mas sim, tem algo mais moderno em sua linha. O pessoal da banda curte muito algumas outras coisas mais ‘recentes’, digamos assim, como o In Flames. Pelo fato de eu não fazer um estilo de vocal como o deles, acho que essa música acabou adquirindo uma grande personalidade, ficou algo bem característico nosso.

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Renato Zomignani: E devo dizer que após a gravação do álbum já compusemos várias outras músicas e esse é um dos caminhos que achamos interessantes. A tendência é que, com o tempo, consigamos consolidar mais e mais a nossa própria identidade. A propósito, já adianto aqui em primeira mão que essa faixa faz parte de um projeto interessantíssimo do qual tivemos a honra de participar. Trata-se de uma coletânea com algumas outras bandas nacionais e internacionais, que em breve será lançada inclusive na Europa. Estamos realmente muito felizes.

Renato Lorenccini: Essa música é a que retrata de forma mais clara a nova fase da banda, tentamos inovar sem sair muito da nossa linha.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Whiplash!: Todo o mercado mudou e manter uma banda independente na ativa não é uma tarefa fácil, mas o Brasil vem oferecendo um crescente número de grupos com ótimos álbuns. Como julga esse surto criativo que estamos passando?

Renato Zomignani: Isso é totalmente na raça, cara! No nosso caso em especial, tudo foi feito de maneira totalmente independente. Isso nos dá muito orgulho sob o aspecto da luta, porém, por outro lado é triste por notarmos a falta de incentivo que temos no Brasil. A música por aqui é, em sua grande maioria, banalizada e bandas como o Nox e outras tantas dessa leva competentíssima a qual você se referiu ficam no limbo. Tem tanto lixo com tanto espaço que dá até nojo. Volto a reafirmar que é justamente pelo amor que temos à nossa música que ótimas bandas e álbuns continuam aparecendo.

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Renato Lorenccini: Eu acho que no Brasil sempre existiram bandas excelentes, mas hoje com a mídia ao nosso alcance temos a oportunidade de aparecer para o mundo, principalmente na internet, que encurta as distâncias e populariza nosso som.

Whiplash!: Em função de todas essas bandas, como é o cenário em sua região? Há união em uma saudável disputa para fazer a cena crescer, ou desgastes desnecessários que não ajudam em nada?

Renato Zomignani: Por aqui temos ótimas bandas que, como a gente, batalham há tempos por seu espaço. Temos também pessoas que ajudam muito nessa parte de dar apoio às bandas, porém, como na maioria dos lugares, há uma carência enorme de shows, inclusive locais onde possam ser realizados. Normalmente as coisas acabam rolando mais por intermédio das próprias bandas que convidam umas às outras, mas infelizmente isso também não é muito freqüente. A cena poderia, sem dúvida alguma, ser mais unida.

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Whiplash!: Considerando que o Nox Eterna é uma banda de Heavy Metal Tradicional, qual o álbum que vocês consideram determinante no estilo?

Renato Zomignani: Não posso responder por todos, mas sou fã incondicional do Iron Maiden. Seria até injusto eu citar apenas um álbum, mas diria que o "The Number Of The Beast" é um divisor de águas.

Renato Lorenccini: Também acho que o Iron Maiden teve papel importante analisando historicamente, mas, em minha opinião o álbum precursor de tudo, criador do estilo, é o "Black Sabbath" (Black Sabbath). Até hoje é praticamente impossível você tocar Heavy Metal sem repetir uma frase de Tony Iommi.

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Whiplash!: Não é novidade que há um segmento na música que está se tornando cada vez mais técnico e extremo. Assim sendo, o que vocês acham que o futuro reserva para a o lado mais tradicional do Heavy Metal?

Renato Zomignani: Sendo 200% honesto com você, não faço a mínima idéia (risos). O que fico tranqüilo, porém, é que jamais nos guiaremos por essa ou aquela tendência. O caminho que o Nox decidir trilhar passará única e exclusivamente pelo gosto musical e vontades dos integrantes da banda. Como disse anteriormente, estamos cada vez mais nos aproximando da nossa identidade e não paramos pra pensar se isso é Heavy Metal tradicional ou não. Temos dentro da banda gostos musicais muito variados, do Hard Rock ao metal extremo. Temos nossas influências que certamente são notadas, porém creio que nossa identidade esteja acima delas. E com o tempo isso se tornará cada vez mais latente, com certeza. Agora a terminologia que vão usar para ‘definir’ nosso estilo é o de menos.

Renato Lorenccini: Apesar dos rótulos existirem, penso que hoje em dia o público esta cada vez mais aberto a novas tendências, isso reflete no nosso som, que mistura um pouco de cada influência de cada integrante.

Whiplash!: E os planos para 2010? Também espero que o próximo álbum não demore tanto para chegar ao público...

Renato Zomignani: Pode crer que a gente também espera isso (risos). Mas agora a gente já conhece um pouquinho melhor os caminhos a serem seguidos, inclusive em termos de gravação. O mais breve possível já teremos outro álbum do Nox Eterna. O material já está surgindo naturalmente, a questão é mais financeira mesmo. Vamos nos esforçar ao máximo para que ainda em 2010 ele se concretize e, claro, que surjam mais e mais shows e com aquela dose de sorte que às vezes falta, consigamos atingir outro patamar na carreira da banda.

Whiplash!: Ok, pessoal! O Whiplash! agradece pela entrevista. O espaço é do Nox Eterna para as considerações finais!

Renato Zomignani: Eu é que agradeço a oportunidade pelo espaço nesse excelente site que é o Whiplash!, a maior fonte de informação que conheço em se tratando de Rock and Roll em geral. Obrigado mesmo, em meu nome e do Nox Eterna. Apenas gostaria de agradecer também a vocês que estão lendo essa entrevista, pelo seu tempo. Espero que tenham ficado curiosos pra conhecer melhor o nosso som e os convido a fazerem isso. Se vão gostar eu não sei, mas garanto que vão encontrar um trabalho honesto e digno. Muita paz e saúde a todos!! NOX ROX!!

Renato Lorenccini: Agradeço a oportunidade e aproveito para parabenizar toda equipe do Whiplash!, que trata o Rock’n´Roll com seriedade e profissionalismo.

Contato:
http://www.noxeterna.com.br
http://www.myspace.com/noxeterna

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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