Maithungh: depravação extrema no governo eclesiástico

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Por Ben Ami Scopinho
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Ainda que o início de suas atividades já ultrapasse pouco mais de uma década, somente agora o Maithungh, da cidade paulista de Porto Ferreira, está estreando com "Lust In The Kingdom Of God". Este é um excelente álbum de Death Metal recomendado não somente aos amantes do gênero, mas, porque não, também àqueles que curtem um pouco das sacanagens que ocorrem pelos templos de qualquer religião organizada.

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Apoiados pela Freemind Records, o Maithungh tem em sua atual formação Helton Henrique (voz), Kleber Maximo (guitarra), Daniel Factor (guitarra), Arino Baccarin (baixo) e Alexandre Machanoker (bateria). Para saber mais detalhes acerca do lançamento, o Whiplash! conversou com o guitarrista Kleber.


Whiplash!: Saudações, pessoal. O Maithungh está liberando seu primeiro álbum. Que tal começarmos com um breve histórico da banda?

Kleber: Primeiramente, obrigado pela oportunidade e contato... A banda surgiu em meados de 1998, quando Daniel e Heraldo convidaram Alexandre e Helton para montar o grupo. Já que todos já eram amigos de longa data, o Maithungh se firmou na época como Daniel (guitarra), Helton (vocal), Alexandre (bateria), Jorge (guitarra), Heraldo (baixo) e Alessandro (teclados), que chegaram a fazer alguns shows. Após quase dois anos de sua formação, a banda parou as atividades pela dificuldade que alguns de seus membros tinham em comparecer aos ensaios, pois quase todos eram de cidades vizinhas. Em 2006 Alexandre e Daniel começaram a fazer algumas experiências e acabaram convidando eu, Helton e Felipe para retomarem o trabalho com a banda. Gravamos uma promo com quatro músicas e Helton a apresentou ao Rodrigo Balan da Freemind Records, que resultou no contrato para a gravação do debut CD.

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Kleber: Durante as gravações, Felipe (baixo) deixou a banda por motivos pessoais. Aí, Daniel e eu passamos a desempenhar a função de baixista nas gravações e, após a conclusão do álbum, convidamos Arino Baccarin para um fazer um teste conosco e felizmente tudo correu muito bem, e hoje Arino faz parte da nova formação do Maithungh.

Whiplash!: Qual o significado por trás da palavra Maithungh? Ela é bastante exótica...

Kleber: Maithungh era o nome de uma antiga seita, já extinta, onde seus seguidores obrigavam as mulheres a realizarem todos seus desejos sexuais e profanos, e as que se negavam tinham seu clitóris retirado para nunca mais sentir prazer.






Whiplash!: O provocador projeto gráfico de "Lust In The Kingdom Of God" vem causando certa polêmica desde sua divulgação. Qual a idéia central da perversão da 'Santa Ceia' ou do frequente lesbianismo entre as freiras pelo encarte? E creio que nem preciso perguntar o que vocês pensam das religiões organizadas...

Kleber: Cara, sobre essa capa, pensamos bastante para chegar aonde queríamos, que era mostrar a Santa Ceia como ela deveria ser. É só olhar ao nosso redor e ver jornais, revistas e televisão... É padre e pastor envolvidos em escândalo de pedofilia, freira com esquemas de prostituição, e sem contar a exploração de fiéis que não conseguem enxergar um palmo à sua frente. Há muitos relatos de orgias e obscenidades dentro da Igreja, mas tudo é escondido e bem guardado, a faixa "Molestia" do nosso álbum resumiu bem tudo isso.

Kleber: Só queríamos expor nosso ponto de vista, agora se causamos polêmica? Acho muito mais polêmico falar de demônios e culturas das quais não fazemos parte do que abordar um assunto real, que faz parte do dia-a-dia de cada um. Nosso álbum está aí, para os reais bangers apreciarem e tirarem suas próprias conclusões.

Whiplash!: Independente disso, o repertório de seu debut é excelente e bastante diversificado, tanto que a aguçada "The Return" mostra muita confiança em inserir algumas melodias ao Death Metal. Como é o processo de composição e suas maiores influências, afinal?

Kleber: As composições fluem naturalmente, tentando ser o mais original possivel. Afinal de contas, a faixa etária da banda é acima dos 30 anos, já ouvimos muita coisa boa e diferente nesse meio tempo, desde do metal clássico até o mais extremo, tudo isso serve como aprendizado e influência.

Whiplash!: Apesar de todo o seu 'tesão' religioso, musicalmente, vocês sentem que podem oferecer algo novo em relação à maioria dos outros grupos iniciantes?

Kleber: Somos iniciantes pelo fato de nosso álbum ter saído recentemente, mas todos já tivemos experiências no Metal com outras bandas, até antes mesmo de montarmos o Maithungh. Por exemplo, Daniel e eu já passamos pelas bandas Adagio e Brutal Death, esta última no início dos anos 90; o Helton e o Alexandre com o Setharus... Acho que o Maithungh, apesar se seu trabalho recém-lançado, é uma banda muito experiente e pé no chão... Isso nos é prazeroso e fazemos com orgulho, sem querer copiar e nem passar por cima de ninguém, só queremos mostrar nosso trabalho. Acho que é isso que podemos oferecer e, acima de tudo, respeito pelo METAL.

Whiplash!: O baterista Alexandre Machanocker e Wendel Murilo Pistarini proporcionaram a "Lust In The Kingdom Of God" uma gravação bastante acima da média. Mas como rolou o contato com o alemão Andy Classen (Krisiun, Tankard, Belphegor) para que assumisse a masterização do álbum?

Kleber: Bem, o Alexandre e Murilo já veem a algum tempo trabalhando no ramo de produção musical no Studio Wave Hammer. E essa produção nos deixou muito mais a vontade e tranquilos nas composições e nas próprias gravações, pois eles entendiam as nossas necessidades, sendo uma grande experiência e aprendizado para todos.

Kleber: Na verdade, o Andy Classen foi uma indicação do nosso amigo Alex do Krisiun, que exaltou muito sua competência e a do famoso estúdio Stage One. E, através da Freemind Records entramos em contato com ele, nosso material foi enviado para Alemanha e finalizado por Andy Classen, que por sinal fez um ótimo trabalho, como já era esperado.

Whiplash!: O Maithungh participou do '8º Encontro de Rock do Equinócio', em Rio Claro (SP) no dia 17/10, que tinha o Krisium como banda principal. Considerando que a previsão era de público recorde nesta edição, como a platéia reagiu às canções de "Lust In The Kingdom Of God"?

Kleber: O festival foi muito bom! Tinha muita gente mesmo, pena que não conseguimos tocar todo nosso set list, pois algumas bandas se atrasaram e reduziram o tempo de apresentação de todas... Mas a repercussão foi ótima, muita gente veio nos cumprimentar e tudo foi muito positivo. E ainda mais prazeroso por estar tocando com o pessoal do Krisiun.

Whiplash!: A gravadora Freemind vem fazendo um excelente serviço em prol das bandas nacionais e, inclusive, conseguindo espaço para a distribuição dos lançamentos de seu cast no exterior. Neste sentido, como está a situação do Maithungh?

Kleber: Apesar de nosso lançamento ainda ser recente, a distribuição até está nos surpreendendo. Já estou sabendo que já foram enviadas muitas cópias para países da Europa, EUA e México, mas o que queremos mesmo é ser reconhecidos primeiro pelo público brasileiro.

Whiplash!: O Maithungh e o Chaos Sinopsys serão as bandas que dividirão o palco paulistano com o Deicide em 17 de janeiro de 2010. Quais suas expectativas para esta apresentação? Também deve ser algo importante a nível pessoal, não? Afinal, vocês são caras que, de espectadores, passaram a músicos que tocarão com um dos ícones do Death Metal.

Kleber: Porra, Ben Ami! Isso, sem dúvida, vai ser uma realização musical e pessoal para todos! Todos somos fãs do Deicide, tocar com um dos ícones do Death Metal mundial vai ser muito foda e satisfatório, e vai ser um passo importante também para o Maithungh, é uma porta que se abre para divulgarmos nosso trabalho. Afinal de contas, não é sempre que se tem Deicide por aqui, vai ter muita gente de regiões e estados diferentes, que de certa forma também vai ouvir e conhecer a gente, isso vai ser ótimo pro Maithungh.

Whiplash!: Além deste show com o Deicide, há outros planos para o Maithungh em 2010?

Kleber: A gente tem procurado divulgar o máximo possível nosso material, mas nada melhor do que tocar ao vivo, estamos tentando fechar alguns shows dentro do possível. Infelizmente não vivemos do Metal e tentamos encaixar os shows dentro das possibilidades de cada um. Esperamos que em 2010 consigamos ampliar o número de datas de nossos shows e tentar rodar o máximo que pudermos pelo Brasil afora, divulgando nosso material.

Whiplash!: Ok, caras! O Whiplash! Agradece pela entrevista, deixando o espaço para o Maithungh complementar com o que achar necessário.

Kleber: Agradecemos mais uma vez a oportunidade que o Whiplash!, um dos veículos de comunicação mais respeitados da cena nacional, nos proporcionou. Agradecemos também aos bangers que, através de seu site e também de outros veículos de comunicação apóiam o Maithungh, como também dão força à cena nacional.

Contato: http://www.myspace.com/maithunghdeath




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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