Destruction: música, religião, sexo, Metal, downloads...

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Por Emanuel Seagal, Fonte: Blabbermouth, Tradução
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A revista inglesa Terrorizer conversou em julho de 2009 com Marcel "Schmier" Schirmer, baixista e vocalista da banda alemã de thrash metal DESTRUCTION.
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Sobre economia:

"É, visto que estamos em turnê agora nós já estamos sentindo as primeiras reações, é um desastre. Eu acho que isso será um desastre para toda indústria do entretenimento em geral.

Eu acho que as pessoas ainda vão beber, mais do que nunca (risos) porque em tempos ruins você quer esquecer, não quer? Então a indústria do álcool terá um ótimo momento. Mas a indústria da música e a indústria do entretenimento vão sofrer.

Agora temos um problema porque há muitas turnês por aí, e as pessoas não tem dinheiro para ver todas as bandas que querem ver. E a previsão para a Alemanha no ano seguinte é muito ruim. Japão também está no chão novamente. Esses dois mercados são tão influentes para a economia mundial porque a Alemanha produz para todo mundo. Aço, eletrônicos, carros. Não sei o que está acontecendo.

Na Inglaterra eles diminuiram o VAT, certo? Talvez seja uma das poucas soluções. Mas para mim como músico isso está f***** porque se as pessoas não tem mais dinheiro para ir nos shows e comprar CDs então não há esperanças."

Sobre downloads ilegais:

"O problema é que a indústria reagiu tarde demais, as pessoas não vêem mais como um crime agora. Eles acham que é apenas download, não é um 'crime', entende? Eles não vêem isso como roubo, e você não vai convencer as pessoas do contrário. Eu acho que é tarde demais agora.

Eles vão ter que achar novas formas no futuro. Eu não vejo como isso vai funcionar. Eu acho que os discos vão se tornar apenas promoção para as turnês. Mas novamente, se as pessoas não tem dinheiro, elas não vão ver as turnês.

O que eu diria para as pessoas fazendo download? Vocês vão deixar muitos músicos sem teto. E não haverá mais música, pois quem vai gravar os álbuns? Você? (risos)

É basicamente culpa das gravadoras porque não reagiram rápido o suficiente. Eles poderiam ter feito algumas boas coisas online como o iTunes muitos anos atrás. Quando eles vieram com as primeiras lojas online o download ilegal já era algo normal.

Eu acho que haverá muito desemprego na cena musical no futuro, especialmente nas gravadoras. Muitas gravadoras pequenas vão sofrer muito.

Muitos mercados são ilegais de qualquer forma, Sudeste da Ásia, Leste da Europa e especialmente América do Sul. Nestes mercados você não vende muitos discos. Mas a diferença é que muitas pessoas vão aos shows. É estranho lá. Você vende 50 discos, mas tem 5.000 pessoas indo nos shows."

Sobre bom senso de negócios:

"O que você pode fazer, sabe? Como músico você não está no fim da linha. A não ser que você tenha uma gravadora, você não tem chance. E eu não quero fazer isso porque é muito trabalho duro. Você termina tendo um ataque cardíaco no final das contas e não tem dinheiro porque tem muitos empregados para cuidar.

Eu costumava ter meu próprio restaurante anos atrás, eu sei como é difícil ter muitos empregados e ainda ter que tomar conta deles. É por isso que gosto de ser um músico, você tem alguma independência."

Sobre fumar:

"Eu não fumo cigarros, apenas um pouco de marijuana às vezes. Eu acho que é meio ridículo o que está acontecendo agora com o banimento do cigarro. Como um cara não-fumante é confortável ir comprar comida ou algo do tipo, e as pessoas não estarem fumando. Mas de um modo geral é meio terrível impor estas restrições às pessoas, sabe?

Eu acho que deveria haver bares com fumo e bares sem fumo. As pessoas deveriam poder decidir sozinhas, porque elas tem idade o suficiente. Eles podem escolher ir a um bar para fumantes, ou a um bar para não fumantes."

Sobre sexo:

"Não, eu não sou casado. Eu tenho uma namorada. Isso é outra restrição também, sabia? O melhor sexo que já tive? Na maioria das vezes comigo mesmo (risos). Às vezes sexo é muito ruim, você não sabe o que vai receber.

Eu acho que o melhor sexo é com uma parceira, ou uma boa amiga que você conheça há algum tempo. Este é o melhor sexo eu acho.

Sim, nós ainda temos groupies oferecendo seus serviços. A maior parte é na América do Sul e no Japão, há muitas groupies no Japão. Então quando você vai ao hotel tem todas aquelas garotas esperando. Mas na Europa não há muito, era mais forte nos anos 80, sem dúvida.

Uma groupie é como um brinquedo usado. Se você sabe onde ela já esteve, isso não me deixa excitado. Elas são usadas. Eu nunca estive em nenhum gang-bang, não é para mim. Mas estamos todos em turnê tentando permanecer fiéis às nossas namoradas. E é difícil às vezes. Somos apenas homens, você sabe como homens são. Sempre pensando com seus p**."

Sobre religião:

"Eu não acredito em religião. Eu acho que crenças religiosas criam fanáticos, e você vê onde estamos, com todos estes fanáticos agora. Bush pensou que a guerra no Iraque era uma guerra santa, e todos fanáticos no Oriente Médio são loucos pra cara*** também. Quando você olha a história, você vê o que fizemos para outros países no mundo. Especialmente para a América Latina. Eu não vejo nada bom que a religião tenha a oferecer, com exceção talvez dos dez mandamentos.

Eu não acho que a religião seja algo totalmente ruim, mas as pessoas tiram vantagem dela, e isso é ruim. Religiões poderiam funcionar, conforme as pessoas precisam de algo para acreditar. De outro modo elas estariam pulando da janela dizendo 'Oh o mundo não tem salvação, nós iremos morrer!' É bom que as pessoas tenham fé em algo. Mas na maioria das vezes isso é abusado.

Coisas como o Budismo realmente funcionam na vida porque faz as pessoas mais felizes. Eu apenas acho que crenças religiosas não funcionam porque as pessoas abusam delas na maior parte das vezes, para seu próprio dinheiro e ganância.

Chamar isso de Guerra Santa é o maior desrespeito que você poderia ter com os árabes. As pessoas dizem 'sou um homem religioso' e então saem matando pessoas. Isso está nos dez mandamentos? Isso não faz sentido. A Bíblia não diz para dar a outra face? Então como você pode ir ao Oriente Médio matar todo mundo? Religião não faz sentido às vezes."

Sobre viver pelo Metal:

"Estou certo que há muitos frontmans que são calmos. Para mim não tenho que fingir, eu sou autêntico. Posso ficar louco no palco, mas também sou louco no backstage. Não estou jogando nenhum jogo. O que sou no palco, também sou em casa. Não estou colocando peruca e calças apertadas como um roqueiro de final de semana (risos). Muitas pessoas fazem isso na cena. Estão no mercado musical só pelo dinheiro. Não é nisso que acredito, eu quero viver minha música 200%.

Eu tenho feito isso por 25 anos agora, então passei por muitas dificuldades com minha aparência estranha. Você está acostumado com o abuso e isso só te deixa mais irritado. As pessoas me tratam como um maldito retardado porque eu pareço diferente, mesmo após todos estes anos. E às vezes as pessoas com trabalhos inferiores te olham como se você fosse escória. Após isso é difícil para mim respeitar pessoas de um modo geral quando estão me tratando assim. Eu dou o máximo de respeito para as pessoas.

É claro que eu tiro sarro de pessoas que tem uma aparência engraçada, mas eu ainda tenho respeito pelo ser humano. E eu acho que muita gente não tem mais isso. Eu acho que a melhor coisa sobre o estilo de vida rock and roll é que você vê o mundo, e isso te torna mais tolerante para muitas coisas. Mas a maioria das pessoas está apenas vivendo em seu próprio mundo pequeno, então não são tolerantes de forma alguma.

Em alguns países as pessoas te tratam bem, eles acham que a imagem é realmente legal nos EUA ou em alguns países da América Latina. Eles acham que é legal que você seja um roqueiro. Em outros países te tratam como se você tivesse AIDS. Eles não querem nada com você".

Leia mais na revista Terrorizer.

Foto da chamada: Thiago Corrêa Sarkis

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Sobre Emanuel Seagal

Descobriu o metal com clássicos como Iron Maiden e Black Sabbath. Hoje em dia, entre outros gêneros musicais, e sem se limitar a rótulos, ouve principalmente doom, viking e folk metal. Sempre que possível está em busca de novas bandas que tenham algo a transmitir alem de clichês, e mesmo em meio a tantas novidades não dispensa pérolas como o bom e velho Candlemass. Acompanha o Whiplash! desde os primórdios, tendo iniciado sua vida de internauta no mesmo ano de criação do site (1996). Há algum tempo está envolvido com metal, seja trabalhando com eventos, bandas, gravadoras ou imprensa, na tentativa de contribuir de alguma forma para o crescimento desse que é um dos segmentos mais apaixonantes da música, o metal.

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