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Unliver: o dom de envolver melodias à agressividade

Por Ben Ami Scopinho
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Natural de Niterói (RJ), o Unliver vem desde 2003 apresentando um Heavy Metal extremamente carismático e contemporâneo, que se consolida de vez com seu CD de estréia, "Unexpected Sonic Violence... Proud To Be Unconventional". Um álbum que mostra todo o suor de mais uma grata revelação da cena underground do Brasil.

Tendo em sua atual formação Marcos Rufino (voz), Alirio Solano (guitarra), Zé Carlos (baixo), Cacá Vieira (teclados) e Phill Drigues (bateria), muitos vêm comparando suas canções com o Melodic Death Metal europeu ou com o Metalcore norte-americano, mas o fato é que o Unliver procura – e consegue – seguir seu próprio caminho ao mesclar com muita classe passagens brutais com melodias mais acessíveis. Assim sendo, o Whiplash! conversou com o Phill Drigues, que deu uma geral na história do conjunto.

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Whiplash!: Ainda que o Unliver esteja na ativa desde 2003, somente agora está estreando em disco. Então que tal começarmos com vocês contando um pouco de sua história?

Phill Drigues: Desde que eu e Marcos Rufino montamos a banda, em 2003, sempre trabalhamos muito. De lá pra cá lançamos duas demos: "Cut Of The Liver" (03) e "Songs For A Peaceful Day" (05); participamos da coletânea da Avernus Records, "Extreme Underground Vol.3" (06) e do "Tributo Brasileiro ao Anthrax" (07), da Collision Music, com "Indians Not".

Phill Drigues: Nosso primeiro full-lengh, "Unexpected Sonic Violence... Proud To Be Unconventional", veio em dezembro de 2008 e estamos divulgando esse trabalho antes de voltarmos pra estúdio para a produção do novo álbum.

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Whiplash!: "Unexpected Sonic Violence... Proud To Be Unconventional" foi gravado em 2006, mas lançado de forma independente somente depois de dois anos. Qual foi o maior desafio para este disco chegar ao público?

Phill Drigues: Tivemos propostas de algumas gravadoras para o lançamento do CD, mas nenhuma das propostas era interessante, e resolvemos lançar de forma independente e ter controle total sobre nosso trabalho. Devido a isso houve esse enorme atraso, pois tivemos que arcar com toda despesa da prensagem dos CDs. Foi muito difícil fazermos esse lançamento, mas foi uma vitória.






Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Whiplash!: Mas a espera valeu a pena, certo? Afinal, vocês fecharam a distribuição do álbum com a Free Mind. Como rolou essa parceria?

Phill Drigues: Sem dúvida, demorou, mas conseguimos o que queríamos. Conseguimos lançar nosso CD independente e ficamos livres contratos para podemos trabalhar da maneira que achamos melhor.

Phill Drigues: A antiga Free Mind Press – agora METAL MEDIA – é responsável por nossa assessoria de imprensa e a partir daí veio a oportunidade de distribuição pela Free Mind Records, ambas as empresas muito profissionais e que têm nos levantado muito no mercado. Só temos a agradecer com esta parceria.

Whiplash!: Ainda que vocês explorem uma grande variedade de estilos, existe uma linha que mantém praticamente todo o repertório amarrado e, melhor, até mesmo passível de características particulares. Afinal, como é seu processo de composição, em especial o trabalho com as vozes?

Phill Drigues: Nosso processo de composição não tem uma fórmula especial, compomos de maneira natural: surge uma idéia de algum integrante e, a partir daí, prosseguimos e vamos lapidando em ensaios. Acredito que essa grande variedade a que você se refere se dê pelo fato de todos nós escutarmos de tudo um pouco, e quando compomos acabamos misturando tudo isso, e simplesmente acontece.

Phill Drigues: O trabalho de vozes não é diferente, nosso vocalista tem muita facilidade em compor partes melódicas e de misturar isso com partes mais agressivas, com vocais rasgados e guturais, mas tudo acontece naturalmente. Não forçamos, se a música pede um vocal melódico, ela terá, do contrário não. É o caso de "Elevation" que não possui vocais melódicos.

Whiplash!: O quanto sua sonoridade progrediu desde a demo "Cut Of The Liver", de 2003?

Phill Drigues: Acredito que adquirimos uma maturidade natural desde que lançamos este primeiro registro. As composições têm a mesma fórmula desde o início da banda, porém tivemos diversas mudanças de formação, tanto que só restam dois integrantes originais, Marcos e eu. Com isso acho que nosso som progrediu bastante, adquirimos experiência não só para compor como para gravar e exteriorizar nossas idéias, pegamos muita experiência em estúdio, o que influencia muito no resultado final de um trabalho.

Whiplash!: Composições como "Another Chance", "Lost Heroes", entre outras, conseguem ser muito tensas, quase obscuras... O que gerou essa atmosfera toda no repertório?

Phill Drigues: Não sei ao certo. Como te falei anteriormente, temos influências muito diversificadas e as coisas acontecem naturalmente no Unliver. Associado a todas essas influências, colocamos muito sentimento em todas as composições. Acho que isso dá esta atmosfera a este trabalho, nós ficamos mais de seis meses ininterruptos trabalhando nesse álbum, foram muitas noites de sono perdidas, momentos de estresse, momentos de paz e muita concentração, tudo isso está nessas 12 faixas.

Whiplash!: Agora em 2009 o Unliver está participando da "Compilation Guillotine", e o registro parece ser bem caprichado. Poderia dar mais detalhes deste material?

Phill Drigues: Este é um material incrível, a coletânea chama-se "Tunnel Of Death" e são 36 bandas em um CD duplo realmente caprichado, com bandas nacionais e internacionais. A propósito, o alistamento para o próximo lançamento da Guillotine Productions está aberto, para mais informações é só entrar em contato direto com o produtor através do e-mail: [email protected] ou através do myspace oficial da produtora : www.myspace.com/guillotineprods

Phill Drigues: O Alex Állen, da Guillotine Productions, mandou muito bem neste lançamento, o material tem muita qualidade e todas as bandas representam muito bem o estilo que se propõem a fazer. O vídeo desse material encontra-se on line no you tube, é só conferir pois o vídeo fala por si só!

Whiplash!: Que barreiras o Heavy Metal brasileiro precisa superar para ser mais bem sucedido entre o público de seu próprio país? Infelizmente boa parte desse pessoal prefere assistir às apresentações de bandas covers...

Phill Drigues: Dar valor às bandas brasileiras seria o começo, pois temos grandes bandas no Brasil, tão competentes como as bandas gringas. Infelizmente o público prefere assistir às apresentações de bandas cover, por piores que elas sejam. Eu realmente não entendo, pois uma banda cover, por melhor que seja, nunca será como a original. Além disso, tem muito mais coisa que poderia melhorar no underground, como estrutura, por exemplo, um evento de qualidade é raro aqui no Brasil. Há muitos produtores bem intencionados que não sabem o que fazem, e muitos outros que só pensam em embolsar um qualquer. Assim é difícil cativar o público.

Whiplash!: E, falando sobre as tão importantes apresentações ao vivo, como está a agenda de shows do Unliver?

Phill Drigues: Estamos fazendo shows desde janeiro, daremos uma parada agora em junho e voltaremos para a segunda parte da tour de lançamento do CD em agosto. Já estamos com três datas confirmadas para agosto no estado do Rio de Janeiro e estamos agendando shows em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Para o final do ano estamos vendo as possibilidades de uma mini tour de cinco shows no Nordeste. Espero que dê tudo certo!

Whiplash!: Considerando que "Unexpected Sonic Violence... Proud To Be Unconventional" foi composto há aproximadamente três anos, como estão soando as novas composições? Musicalmente, houve alguma meta específica para o futuro disco?

Phill Drigues: Nós já temos todas as composições para o próximo CD, estamos ensaiando para entrarmos em estúdio, se tudo correr como programado, até o final de julho.

Phill Drigues: Não houve meta específica, as novas composições seguem a mesma linha de "Unexpected Sonic Violence... Proud To Be Unconventional", mas não será igual, acredito que o próximo CD deva soar um pouco mais direto, porém com as mesmas características do Unliver.

Whiplash!: Certo, pessoal, agradeço pela entrevista. O espaço é de vocês para algum comentário final:

Phill Drigues: Eu que agradeço em nome de toda banda, muito obrigado pela oportunidade, muito obrigado a todos do Whiplash!, todos os leitores e todo mundo que nos acompanha e nos dá força. Quem quiser entrar em contato, nosso myspace é www.myspace.com/unliver e nosso e-mail é [email protected], Valew!! Cheers!

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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