Marilyn Manson: "eu não tenho nada a perder agora"
Por Felipe Z
Fonte: SuicideGirls.com
Postado em 27 de junho de 2009
Nicole Powers do SuicideGirls.com conduziu recentemente uma entrevista com Marilyn Manson. Segue abaixo um trecho da conversa:
SuicideGirls.com: Eu tenho lido nas suas entrevistas que esse álbum é mais autobiográfico. Isso fez com que ele fosse mais difícil de compor?
Manson: "Bom, foi bastante difícil entrar no processo de composição. Eu ter voltado a tocar e compor com Twiggy [Ramirez, baixo] foi mais dramático do que imaginávamos... Porque nós éramos muito amigos, irmãos. Moramos junto. Eu nunca morei sozinho. Eu fui de um extremo ao outro, de morar em casa para entrar em uma turnê e hotéis, ratos, crack, Twiggy, New Orleans e uma série de mulheres nefastas que nem vale a pena mencionar. E eu acho que havia um grande vazio nas nossas vidas.
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Na realidade nós nem brigamos, foi algo bem tolo e um esperava que o outro fosse ligar no dia seguinte e resolver o problema. Mas eu acho que tudo acontece por uma razão... Nós nos esbarramos por acaso no hotel e eu pude ver no seu rosto que ele estava passando por algo como o que eu passei um ano antes.
O último disco – 'Eat Me, Drink Me' – era basicamente sobre uma pessoa no fundo do poço. Não é que eu não goste dele, ou que me entristeça, mas é um disco do qual nós provavelmente não vamos tocar nada. Talvez a gente toque 'If I Was Your Vampire' por que é a gravação que passa mais confiança no álbum todo – ainda que seja a primeira musica no CD – por que ela foi escrita por último.
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A diferença entre isso e o novo álbum, além de todas as nossas questões pessoais, é que no novo álbum as musicas estão exatamente na ordem em que foram escritas. Eu não sei como isso fica comparando os dois porque existem muitas diferenças, obviamente, a começar pela volta do Twiggy.
Ele fez coisas que ficaram incríveis, eu acho. Ele aprendeu a ser um músico. Quero dizer, ele sempre foi guitarrista, mas ninguém nunca o viu como guitarrista por que ele sempre tocou baixo (ao vivo). Ninguém tem idéia que foi ele que escreveu o Riff de 'Beautiful People' e 'Dope Show'.
Mas voltando ao assunto, ele estava tocando esse novo tipo de som que me deixou bastante intimidado, porque ele se tornou outro tipo de músico enquanto estava afastado de mim. Como guitarrista eu senti: ele deveria ter sido guitarrista desde sempre. E para mim, eu acho, não existe ninguém que toque baixo melhor do que ele. O baixo dele soa como se ele estivesse tocando com o p** dele. É o melhor baixo que eu já ouvi. Ninguém tem esse som.
Ele brilha como guitarrista, e me custou um bom tempo até chegar a cantar. Eu tive uma pequena sensação de desintegrar, uma era chegou ao fim e outra aparentemente começou a surgir. Foi provavelmente inserindo Twiggy numa situação onde eu já havia construído um estilo de vida que agora era de bastante isolamento, bastante dependente de outra pessoa.
Não foi da mesma forma como hoje eu encaro relacionamentos. Existe uma grande diferença entre fraqueza e desejo, entre amor e dependência... A pessoa que eu realmente precisava na minha vida, e que eu acho que bagunçou tudo, mas se eu tivesse que escolher – e no entanto eu jamais devo ter que escolher – eu não saberia o que dizer.
Mas o que realmente me chamou a atenção foi que eu vi um amigo que não via há anos e ele precisava de mim. Não importava a musica, ele precisava de mim, eu gostaria de ter tido a ajuda dele quando eu senti a mesma coisa, quando a minha vida estava se despedaçando, quando me divorciei e todos os tipos de complicações aconteceram. Eu simplesmente fiquei feliz de estar ali disponível, ele é como um irmão mais novo. E então eu finalmente cheguei ao ponto de fazer a primeira música".
SuicideGirls.com: Você se refere ao Twiggy como sendo um "irmão" mais novo. Você fere com freqüência as pessoas mais próximas de você. É isso que as famílias fazem, as pessoas discutem, se entendem e fazem as pazes.
Manson: "Bom, você esta certa sobre isso. A outra parte disso é, e o que eu vou dizer, foi conselho de um dos meus ídolos, Alejandro Jodorowsky, um grande diretor que me influenciou muito. Ele disse para mim, ele sempre lê o meu tarô e eu não entendi inicialmente o que ele disse: 'Esse ano você vai se unir ao seu gêmeo'. Eu confundi isso com outro relacionamento, e no final do ano veio o Twiggy. Foi isso que ele viu. Ele até mencionou isso um tempo depois. Foi a minha tolice e projeções, o que eu queria ver, e Twiggy é isso.
Mas você pode ter os dois. Eu posso ser compromissado com a minha arte, mas você pode amar mais do que uma coisa, e existem tipos diferentes de amor. Basta achar a pessoa certa que faça você parar de pensar só no trabalho, caso você queira usar essa palavra. È difícil quando se é um artista. Quando você desliga? Quem sabe? Mas você deve desligar quando estiver emocionalmente envolvido com alguém. Esse é o ponto que estou tentando chegar agora na minha vida. E esse é um ponto diferente que eu nunca estive antes.
E me custou ter que morar sozinho, porque eu nunca havia morado sozinho. De novembro a cinco de janeiro foi quando eu cantei e escrevi as letras. E isso simboliza algo sobre o qual o disco fala. É sobre essa experiência que tive. Não é sobre nada em especifico, mas é sobre perda, é sobre o processo de aceitação e entendimento de uma perda.
Quando alguém não aprecia o conceito de... Se você chamar alguém e disser: 'Eu preciso de você' e a pessoa disser: 'Eu vou estar ai quando puder', isso é uma pessoa que não compreende a perda. Por que quando você diz que pode – e isso pode não acontecer 15 minutos depois, e a única maneira de aprender, da maneira como eu aprendi, é quando alguém morre ou quando você perde algo. Você perde dinheiro, você perde tudo.
Eu não tenho nada a perder agora, então de certa forma eu não tenho nada a temer e isso faz eu me sentir perigoso. E de outra forma isso faz com que eu dê valor às coisas que de fato tenho, mais do que a qualquer outras. E eu vou lutar e matar por essas coisas sem hesitar. A única coisa que me impede de fazer isso é que eu não quero ir preso, por que isso iria impedir que eu continuasse sendo o que eu quero ser, e eu não quero ser estuprado diariamente. É simples assim.
Leia a matéria completa (em inglês) no site SuicideGirls.com (link abaixo).
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