Michael Anthony: "meu último nome não é Van Halen"
Por Diego Camara
Fonte: Classic Rock Revisited
Postado em 15 de junho de 2009
Jeb Wrigh, da Classic Rock Revisited, conduziu em junho de 2009 uma entrevista com o ex-VAN HALEN Michael Anthony. Alguns trechos da conversa podem ser vistos abaixo.
Quanto as personalidades de cada um de vocês são importantes em uma banda como o CHICKENFOOT?
Michael: "Tem importância. No palco é uma coisa, mas fora dele é outra completamente diferente. É algo interessante, pois algumas vezes você imagina como estas quatro personalidades irão se unir. Tenho participado de várias festas com Chad [Smith, baterista] em Cabo para saber como ele é. Nós estamos dizendo agora que nós deveríamos chamar esta banda de 'One Genius & A Bunch of Idiots' (Um Gênio e um bando de idiotas). Joe [Satriani] equilibra o resto de nós. Ele é o tipo de cara metódico e estruturado - obrigado a Deus por isto. Todos os dias ele chega no estúdio com suas anotações, enquanto o resto de nós fica dizendo que ele deveria pegar um quadro negro e escrever nele tudo o que nós deveríamos trabalhar. Joe diria: 'Não, não iremos fazer isto'. Você realmente precisa de alguém como ele no estúdio. É claro que temos Andy Johns (produtor) lá para fazer estas coisas conosco. Ele é um grande engenheiro e um grande produtor, como um quinto membro da banda. Ele está lá no estúdio conosco, dando sugestões e tudo mais. Ele sabe quando nós precisamos de um tempo. Ele diria: 'Toque isso quantas vezes você quiser, mas já temos um take bom'. Ele sairia, fumaria um cigarro e diria: 'Deixe-me saber quando vocês acabarem, pois já temos a tomada que vamos aproveitar'. Nós então saímos para um pequeno show às 9 e tudo está incrível. Fico imaginando se Chad irá nos fazer usar meias em nossos pênis. Falei para ele que deveria deixar suas meias em casa".
Estar junto de grandes guitarristas e produtores não te intimida mais?
Michael: "Não, realmente não. Tocar com Eddie (Van Halen) e agora com Joe, onde não há outro guitarrista... Sammy nem sequer pega uma guitarra enquanto estamos fazendo isto. Quando estamos ao vivo, ele toca um pouco aqui e ali. Minha posição (nesta banda) é de realmente manter as coisas no chão. O CREAM era uma das únicas bandas que quando (Eric) Clapton fazia um solo, era como se tivessem três artistas solando. Eles conseguiam, de alguma maneira, retornar para a canção. Você pode perder sua perspectiva e se perguntar onde a música está indo, e até mesmo qual música é, mas Chad e eu conseguimos ficar tão bem juntos que podemos tocar qualquer coisa e sabermos onde estamos. Nós tocamos tão bem juntos que quando Joe faz um solo não soa como se algo estivesse saindo fora. Isso mostra que todos sabem o que precisam fazer em uma banda como esta. Mostra que todos sabem como fazer a banda soar bem".
Eddie Van Halen disse à Rolling Stone que Michael deixou o VAN HALEN e não foi demitido.
Michael: "Estou tão longe do passado... queria que ele estivesse também. Infelizmente ele é um cara amargo. Na minha idade, neste ponto de minha vida, eu não quero ser amargo. Quero andar com pessoas positivas, e eu não poderia achar três pessoas mais positivas do que esses caras com os quais estou tocando agora. Por que ficar revivendo o passado? Eles estão perguntando a Eddie coisas que não tem nada a ver com isto. Eles dizem: 'Você ouviu o CHICKENFOOT?', e ele diz: 'Sim, mas a propósito, Michael Anthony não foi demitido, ele deixou [o VAN HALEN]'. Não tem nada a ver com nada. Eu nunca deixei a banda. Chegou em um ponto onde eu fui forçado a fazer uma decisão entre ficar em casa e não fazer nada por diversos anos, ou sair por aí e tocar em alguns shows em uma turnê com Sammy e Dave [Lee Roth]. O que eu deveria fazer? Senti que estava prestando um serviço a estes caras indo lá e balançando a bandeira do VAN HALEN, deixando as pessoas saberem que o VAN HALEN ainda estava aqui".
"Meu último nome não é 'Van Halen'. As pessoas tendem a se esquecer de você. Eu não quero que as pessoas digam: 'Aquele é o cara que tocava no VAN HALEN. Qual é o nome dele mesmo?' Os fãs querem escutar aquela música. Fui de certa forma forçado a uma situação como esta. Nunca deixei a banda. Quando fizemos a reunião de 2004, Eddie nem sequer queria que eu fosse parte dela, pois ele estava furioso pelo fato de eu ser amigo de Sammy. Por que eu não poderia ser amigo de Sammy e ainda tocar com o VAN HALEN? Para esses caras ou você está dentro ou está fora, ou você está com eles ou não está. Ele continua trazendo essas coisas à tona".
"Eu falei com Joe Bosso (do Music Radar) sobre isto, pois a Rolling Stone estava atrás dele por uma resposta. Eu queria que os fãs soubessem que eu nunca deixei a banda. Seja o que for que tenha acontecido, eu não sou a pessoa amarga nessa situação. Eu amei o VAN HALEN, amei tudo o que fizemos. Diabos, eu fui um dos dois únicos caras que apareceram na indução [do VAN HALEN] para o Rock and Roll Hall of Fame. Eu amo o legado da banda, mas estou saindo. Estou em um ótimo lugar com o CHICKENFOOT. Ed precisa fazer isso também. [Eddie disse que] foi ao estúdio em [sua] casa, e [ele disse que tem] um milhão de músicas escritas? Bem, vá em frente e grave algumas, e então saia e se divirta. Vamos olhar com carinho para o VAN HALEN e para o que ele foi. Como era? Eu não sou o cara que ficou louco. Um monte de pessoas estão olhando para minha resposta e dizendo: 'Oh meu Deus, Mike ficou realmente nervoso'. Eu não fiquei nervoso, apenas estou cansado de ficar revivendo estas merdas. Estou cansado disso. Gostaria de sempre dar a volta neste assunto, mas esta é a forma que deve ser. Eu segui em frente e eles precisam seguir em frente também. Eles precisam ir lá fora e lembrar o motivo deles estarem nesse negócio".
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