Carcass: Bill Steer fala com exclusividade para o Whiplash
Por Glauco Silva
Postado em 28 de outubro de 2008
Foram 13 anos de angustiante espera do deathbanger brasileiro, mas em alguns dias um verdadeiro sonho - realmente impensável há pouco tempo - se tornará realidade: a reunião do lendário CARCASS passará pelo Brasil, em duas datas: 8/11 em Belo Horizonte, e no dia seguinte em São Paulo. Com a proximidade dos shows, o Whiplash foi bater um papo exclusivo com um dos fundadores da banda, o guitarrista/vocalista Bill Steer, sobre passado, presente e futuro de uma das mais influentes e bem-sucedidas bandas de Death Metal da história.
Punk, grindcore, death melódico, rock‘n‘roll… a evolução do Carcass e mesmo sua na cena metal é uma verdadeira viagem, Bill. Quais foram suas influências para tantas reviravoltas no início, e como esse gosto se desenvolveu? O que você escuta hoje em dia?
Bill Steer: "Quando me interessei seriamente por música, eu devia ter 11 ou 12 anos. Eram coisas tipo Motörhead, Deep Purple, AC/DC e Zeppelin. Mais tarde, descobri Venom, Metallica e por aí vai, o que levou à cena de underground de troca de fitas. E foi esse mundo que inspirou mesmo o Carcass no início - grupos como Death, Master, Repulsion. Agora? Cada um de nós tem um gosto diferente. Pessoalmente, hoje em dia gosto de Traffic, Magic Sam, Humble Pie, os primeiros álbuns do Bobby Womack, Canned Heat… um monte de artistas diferentes, mas especialmente Rock, blues e soul antigos".
Uma marca registrada sua eram aqueles ótimos títulos para os solos de guitarra - como sabemos que o antiga concepção e imagens gore foram desenvolvidas pelo Ken e o Jeff, esses foram inventados por eles também, ou você e Michael criaram as palavras?
Bill: "Foi o Jeff quem deu os títulos aos solos. Acho que ele tirou a idéia do primeiro álbum do Macabre, onde cada membro da banda tocou um solo curto e com um título".
Como você está lidando com a atual agenda da turnê, tão intensa e tocando em grandes festivais - uma oportunidade que a banda não teve quando acabou em 95?
Bill: "Tem sido muito intenso. Sempre fizemos muitas turnês nos velhos tempos, mas você tem razão, nunca tocamos em grandes festivais. Eles não existiam para esse tipo de música na época. Os últimos seis meses voaram. Mas tem sido muito divertido, isso com certeza".
A banda tem algum plano para um álbum ao vivo ou DVD para essa reunião de 2008 do Carcass?
Bill: "Jeff e Michael falaram algo sobre isso, então há uma possibilidade. Alguns shows foram filmados, com certeza. Vamos ver…"
Hoje em dia, como é tocar com Jeff e Michael clássicos como "Corporal Jigsore Quandary", "Heartwork", "No Love Lost"? É muito diferente de 15 anos atrás? E quanto a contar com o Daniel na bateria?
Bill: "É diferente, mas é difícil explicar como. O início dos anos 90 já parece uma época distante, e a dinâmica mudou bastante desde então. Eu diria que estamos bem próximos ao original musicalmente, embora talvez somos mais coesos hoje, em alguns aspectos. Isso é inevitável, considerando a experiência que ganhamos nesse intervalo. O Daniel é um ótimo baterista para se tocar junto, muito sólido. Preencher a vaga do Ken nunca seria fácil, mas ele tem feito um excelente trabalho".
Além das atividades na cena musical, o que você faz no seu tempo livre? Algum hobbie ou atividade em particular?
Bill: "Nada em especial - encontrar os amigos, beber, ler…"
A união da Columbia com a Earache foi uma enorme ruptura não só para o Carcass, mas para todo o underground mundial, mostrando a força de pequenas bandas e selos. Como líderes deste evento, você acha que estavam preparados para essa jogada?
Bill: "Preparados? Não exatamente. A gente só nadou com a correnteza. Se alguém precisava estar preparado, era a Columbia. As majors simplesmente não estavam preparadas para lidar com Metal extremo na época. Elas queriam se envolver, mas não acharam um meio de comercializar tudo isso até a coisa de nu-Metal começar".
Sobre o mesmo acordo da Columbia/Sony - sua decepção com as grandes engrenagens da indústria musical tiverem um papel significativo no fim da banda após "Swansong"? O que realmente aconteceu então, uma vez que pouco foi dito sobre a banda encerrar as atividades?
Bill: "Para ser honesto, a banda já estava desanimando de qualquer modo. Parecia que menos gente do que nunca estava interessada no que estávamos fazendo, e o relacionamente interno dentro do grupo andava bem fraco. Os problemas com a Columbia só exacerbaram tudo".
O Carcass desenvolveu algo que se tornou quase um padrão para bandas de death/grind: os vocais dobrados (quando não triplicados). Sua voz era definitivamente marcante por ser profunda e mórbida, quase falando ao invés de gritando. Por quê você parou com isso no "Heartwork"?
Bill: "Naquela época, eu estava cansado de fazer vocais. Não era mais divertido, e fiquei mais do que satisfeito com o Jeff assumindo os vocais. O sentimento geral era que eu e Michael poderíamos nos concentrar em tocar guitarra, enquanto Jeff se tornou o cara da frente".
Os blastbeats do Ken Owen também acabaram nesse álbum, assim como as letras gore - dando lugar a temas como alienação, política e sociedade. A banda se cansou da pura brutalidade musical e os tópicos antigos, ou sentiu que não tinha mais para onde desenvolver essa abordagem lírica?
Bill: "Em termos líricos, você teria que falar com o Jeff sobre a motivação dele. Talvez suas raízes no material punk como Crass e Discharge estivessem vindo à tona. Com certeza ele exauriu tudo do campo médico no disco anterior. Os blastbeats ainda estão presentes no "Heartwork", mas de um modo controlado - e claro que haviam menos deles. Novamente, foi só progressão natural, mesmo".
Nos primeiros estágios dessa reunião, Jeff afirmou que vocês considerariam fazer isso tanto para tocar para um público maior, que não teve a oportunidade de vê-los ao vivo, e mais ainda para ajudar na recuperação do Ken. Como está o estado geral dele hoje em dia, após sobreviver à hemorragia cerebral e aquele longo coma?
Bill: "O Ken está muito bem. Ele conquistou muita independência no decorrer dos últimos anos. O que aconteceu com ele foi horrível, mas infelizmente ninguém pode mudar isso. O melhor modo de enxergar isso é: é um milagre que ele tenha chegado tão longe, e nos sentimos todos muito gratificados com isso".
Ele também disse que você era o mais resistente à idéia, e que seu estilo de tocar atual era muito diferente dos dias técnicos, você teria que aprender todas as músicas de novo. Foi tão difícil acompanhar o Michael novamente, ou a química simplesmente ainda estava lá depois de todo esse tempo?
Bill: "Bom, eu supunha que seria bem problemático tocar naquele estilo novamente. Mas, na verdade, foi igual a acionar um interruptor. Tudo voltou quase que instantaneamente. Nada muito surpreendente, mesmo, considerando o número de anos que eu toquei esse material".
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Em uma entrevista recente, você não descartou a possibilidade de compor e gravar um novo álbum. Só considerando, hipoteticamente, essa probabilidade: além de seu trabalho com o Firebird, do Amott com o Arch Enemy e as atividades solo e com o Brujeria do Jeff, você sente que mais música criativa e original pode ser criada com essa formação? Essa pressão dos fãs (e imprensa) não poderia "assustar" vocês ou afetar o processo criativo?
Bill: "Sim, eu acho que mais material válido pode ser criado por esta banda. Mas se nós realmente seguimos em frente ou não, e começamos a trabalhar em algo, isso é outra história. No momento pode acontecer tanto um como outro. Pressão? Talvez, mas é melhor ignorar coisas assim, ou qualquer coisa que se insira no meio do caminho".
Obrigado pelo seu tempo, Bill, e fechamos essa entrevista de modo mais tradicional: o que os fãs brasileiros podem esperar para o tão ansiosamente aguardado encontro em 2 semanas? Alguma chance do Ken vir também?
Bill: "O Ken não poderá comparecer, infelizmente. É uma longa viagem e ele não se sente em condições de fazer isso no momento. Mas posso dizer que daremos o melhor de nós mesmos para fazer um bom show no Brasil. Estamos todos muito entusiasmados com a visita. Nos vemos em breve!"
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