John Petrucci: "Queremos andar para frente, evoluir!"

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Por Rafael Carnovale e Rodrigo Scelza
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Aproveitando a passagem do Dream Theater pelo Brasil para a perna sul-americana da "Chaos In Motion Tour", tivemos a chance de entrevistar o guitarrista John Petrucci logo após o "soundcheck" no Citibank Hall (RJ), primeira data da turnê brasileira. Simpático, o músico mandou ver num bate-papo interessante sobre o novo CD, aspectos da carreira, e planos para os shows.

Fotos: Rodrigo Simas (Show do Rio)

Whiplash - Esta turnê recebeu o nome de "Chaos In Motion Tour", uma mesclagem dos títulos "Systematic Chaos" e "Constant Motion". Como surgiu essa idéia?

John Petrucci - Foi uma idéia conjunta entre nós e nossos empresários. Queríamos fazer um jogo de palavras que soasse legal e que ao mesmo tempo remetesse ao conceito do CD. A junção dos nomes ficou perfeita.

Whiplash - Os fãs do Dream Theater podem ser considerados imprevisíveis, afinal cada CD lançado tem respostas diferentes, como está acontecendo com este novo trabalho. Como você analisa esta situação?

John Petrucci - É algo que entendemos e até nos deixa envaidecidos, porque não temos a idéia de ficar sempre no mesmo estilo, fazer sempre o mesmo CD. É claro que existe uma marca do Dream Theater em cada CD nosso, seja pelas guitarras, ou pelos vocais de James, mas procuramos sempre mudar nosso som, estando abertos a novas idéias, tendências e influências. Dentro do que nos propomos, os fãs têm o direito de reagir diferentemente em cada trabalho, e com isso acontece o que você falou.

Whiplash - Um "Best Of" ("Greatest Hit And Another 21 Pretty Songs") com dois CDs sera lançado em abril. Vocês participaram da seleção das faixas?

John Petrucci - Certamente. Este CD duplo compila o que fizemos desde "Images And Words" até "Octavarium", porque a Rhino Records assumiu nosso catálogo da Warner. Então eles vieram com esse projeto de lançar algo comemorativo, e topamos na hora. Participamos da escolha de todas as faixas. Talvez no futuro haja um relançamento de nossos álbuns.

Whiplash - A Rhino vem fazendo um ótimo trabalho com compilações e CDs ao vivo...

John Petrucci - Estamos muito felizes com isso, porque o que eles têm feito é de muito bom gosto e de fato torna-se um grande presente para aqueles que não nos conhecem e não têm como comprar todos os CDs.

Whiplash - Nesta turnê não haverá dois shows em um mesmo local... logo podemos deduzir que os shows no estilo "A Evening With Dream Theater" não se realizarão certo?

John Petrucci - Não teremos este formato (Enfático). Nesta turnê estamos fazendo apenas nossos shows focando no CD novo com algumas músicas antigas. O fato de não fazermos mais os shows de 3 horas com intervalos e sem bandas de abertura acontece por duas razões: uma é que estamos nos preservando como seres humanos, já que os shows de 3 horas são extremamente desgastantes. Não me levem a mal, gosto destes eventos, mas é extremamente complicado levá-los durante uma turnê. A outra razão é porque queremos valorizar mais o repertório em cada cidade, com pequenas mudanças de show a show. Sentimos que muitas vezes jogamos um número excessivo de músicas em nosso público. Com um repertório mais direto o show é mais orgânico, mais energético, e nos permite valorizar cada nota tocada com maior intensidade. Mas voltaremos a fazer shows longos no futuro.

Whiplash - A banda fará uma turnê norte-americana com os grupos Opeth e Between The Buried And Me. O que podemos esperar destes shows?

John Petrucci - Estamos muito satisfeitos com a realização deste giro, que chamamos de "Progressive Nation Tour". O Opeth é uma banda muito interessante e que conta com grandes músicos. Esperamos shows intensos e com isso podermos divulgar ainda mais o nosso trabalho.

Whiplash - São bandas de estilos diferentes. Você não teme que alguns fãs se manifestem negativamente?

John Petrucci - Acho que não. Tocamos com tantas bandas, de Iron Maiden a Pantera, fazendo festivais na Europa, ou até mesmo pequenos pacotes para excursões, como a Gigantour (festival itinerante organizado por Dave Mustaine do Megadeth), e sempre fomos bem aceitos por todos. Concordo que muitas vezes um festival pode por a banda próxima a um público que não a aprecie 100%, mas aí reside nosso trabalho: dar-lhes um bom show.

Whiplash - Esta é a quarta visita do Dream Theater ao Brasil, só que com um intervalo de apenas dois anos da última turnê. O que podemos esperar de novo nos shows?

John Petrucci - Não haveria alguma coisa que fosse especial para que eu pudesse citar agora... (pensativo)... acho que nossa presença será a grande surpresa, pois estamos muito diferentes da banda que excursionou por aqui pela última vez. Estamos mais energéticos e nos divertindo como nunca. Também pudemos trazer bastante coisa da nossa produção de palco, que está mais apurada e divertida. Acho que os fãs irão curtir muito o que estamos procurando fazer nos shows.

Whiplash - Todos os membros do Dream Theater têm projetos paralelos. O quanto você acha que isto influencia quando a banda se reúne para compor visando um novo CD.

John Petrucci - Eu diria que a influência é total, não só dos projetos, mas de tudo que escutamos e fazemos em nossas carreiras. Veja o meu exemplo. Tive a chance de tocar no G3, com Steve Vai e Joe Satriani, caras que eu amo e admiro desde a infância, meus heróis na guitarra. Pude assistir vários shows deles e com isso vi coisas que mexeram muito comigo. Joe chega a improvisar em pleno palco, é um desespero para os caras que o acompanham (Risos)... como não vou ser influenciado por isso? Ao mesmo tempo Steve tem uma presença de palco única e uma atitude que eu gosto muito. Tudo está em minha cabeça quando vou compor.

Whiplash - Mike Portnoy declarou que de fato, a banda vem absorvendo diversas influências...

John Petrucci - Com certeza! Estamos com cabeça bem aberta... não queremos ficar sempre presos ao que fizemos no passado, não temos a intenção de compor sempre uma nova "Pull Me Under" para um CD, ou de repetir o que fizemos em "Metropolis". Queremos que cada canção desperte uma emoção diferente em nossos fãs... a audição de nossos trabalhos tem que ser algo que mexa com a pessoa, que a faça explodir em diversas direções, porque é assim que nos sentimos quando vamos ouvir algo de nossos ídolos.

Whiplash - De fato costumo dizer que o bom CD do Dream Theater é aquele que você não curte todas as faixas, e que não pode ser escutado de uma vez só!

John Petrucci - (Risos) Concordo com você! É esse sentimento que queremos que os fãs tenham. Sei que com isso corremos risco de alguns trabalhos não obterem aprovação plena, como aconteceu com o "Train Of Thought", apesar de algumas pessoas me dizerem que é seu CD favorito (Risos). Somos músicos e artistas, encaramos o que fazemos como arte, queremos andar para frente, evoluir. Logicamente temos uma linha mestra que define nossa sonoridade, mas dentro dela exploramos ao máximo.

Whiplash - Partindo dessa afirmação você concorda quando dizem que o Dream Theater é uma banda de músicos para ser ouvida apenas por músicos?

John Petrucci - Não. Pense no show de hoje e imagine que toquemos para 5 mil pessoas. Será que todos ali são músicos? Nos festivais europeus tocamos para 30 mil pessoas, seriam 30 mil músicos? Não mesmo. De fato os músicos podem ser uma boa parcela de nossos fãs, mas temos sim fãs que não tocam instrumentos, que nos curtem pelo som, pelas atmosferas que criamos. É um rótulo que costumavam nos colocar no passado, mas acho que já provamos que isso não acontece com o Dream Theater.

Whiplash - Obrigado John, bom show e boa sorte na turnê!

John Petrucci - Eu agradeço a vocês pela entrevista e espero que os fãs compareçam, estamos esperando casa cheia hoje!



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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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