Elevare: a arte da melancolia

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Por Ben Ami Scopinho
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“Pior que os limites que nos colocam, são aqueles que nós mesmos nos colocamos”. Esta frase faz parte do caprichado material de divulgação de “World... Desert?”, e não são meras palavras de efeito de uma banda que está colocando seu primeiro álbum no mercado. Natural de Juiz de Fora, Minas Gerais, o Elevare está na ativa desde 2003 e faz parte do crescente número de conjuntos independentes que esbanja profissionalismo e planejamento no esforço de mostrar seu trabalho artístico ao público.

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O grupo tem em sua atual formação Pâmela Emanuelle (voz), Leandro Trombini (voz e guitarra), David Riera (guitarra), Ruy Alhadas (teclados), Pedro Machado (baixo) e Everton Moreira (bateria), que estão moldando um estilo que visa suas próprias características e, por mais abrangente que seja, permanece dentro do território do rock pesado. A seguir o caro leitor conhecerá um pouco mais deste nome da nova safra do underground nacional:

Whiplash!: O Elevare possui pouco tempo de estrada, mas com algumas conquistas relevantes em sua região. Como foram os primórdios do conjunto?

Everton: A banda se originou no ano de 2003 e era muita influenciada pelo “Gothic Metal” de algumas bandas, entre elas podemos citar o Lacuna Coil e o Tristania, das quais foram tocados alguns covers, inclusive. O Elevare teve sua primeira “aparição” propriamente dita num festival que ocorre todos os anos em Juiz de Fora, o ‘Festival de Bandas Novas’, do qual foi finalista, tendo gravado uma canção para o álbum do evento. Desse evento, surgiu um convite para participar com duas outras faixas em uma coletânea de bandas da cidade, chamada “Wicca Sabbath Vol 1”. Essas três músicas já gravadas deram origem à demo "Elevation" (2004), o pontapé inicial de divulgação do trabalho. A demo trouxe boa repercussão para a banda, tendo sido resenhada, inclusive, por revistas de renome como Rock Brigade e Roadie Crew. Em 2006, partimos para um projeto numa escala maior, que foi a gravação de nosso primeiro full length, "World...Desert?", com 11 músicas próprias.

Whiplash!: O que aconteceu para, da formação original, somente restar o guitarrista Leandro Trombini?

Everton: As necessidades e principalmente os objetivos foram mudando ao longo do tempo e isso acarretou numa mudança gradativa da formação que se tinha inicialmente. Hoje, temos a formação ideal para o que a banda almeja, ou seja, compor, gravar, tocar e viajar. Às vezes, falo meio que como “membro fundador” porque entrei em 2003, quando a banda ainda tinha pouquíssimo tempo de formação.

Whiplash!: Em sua demo “Elevation” (04), o Elevare admitia a influência de bandas do chamado Gothic Metal. Mas a sonoridade de seu debut, “World... Desert?” diluiu-se em algo bem mais abrangente. Esta reorientação musical foi planejada ou ocorreu naturalmente?

Everton: Na banda, todos damos a nossa opinião e temos nossos gostos muito variados, o que fez com que essa “reorientação” ocorresse naturalmente.

Pâmela: Houve sim uma mudança, mas, na verdade, foi algo que fluiu; nada proposital. As idéias, as peculiaridades de cada um foram sendo agregadas e misturadas e resultou nessa sonoridade que vem em “World...Desert?”.

Whiplash!: Como é seu processo de composição? Há muitas referências, mas tão bem amarradas que o resultado final acaba adquirindo algumas particularidades realmente estimulantes...

Everton: Normalmente, começa com um riff ou uma frase, tanto com piano ou guitarra. Faz-se a base da canção para depois se lapidá-la conforme a carga de emoção que se queira passar ou a letra. Foi assim que gravamos o CD. Muitas coisas foram tiradas e outras acrescentadas. Contamos também com a ajuda de nosso produtor musical Rodrigo Itaboray. Como costumamos ouvir mais estilos diferentes do que tocamos, tentamos adequar tudo ao estilo da banda, deixando cada coisa no seu lugar, tanto passagens pesadas quanto calmas, momentos mais rápidos e lentos e, assim, vamos colocando um pouco de cada um nas músicas.

Whiplash!: Qual seria a canção com que o Elevare atinge plenamente o objetivo em fazer algo que tenha suas próprias características?

Everton: Em minha opinião, não existe uma música característica. Acho que o nosso álbum é muito heterogêneo. Diria que não tem uma música igual à outra, mas deixamos a sensação de todas serem da mesma banda. Nosso objetivo, para mim, é agradar ao máximo quem ouve, tanto quem goste de Metal, quanto quem goste de Rock ou Pop. Acredito que nosso CD dá abertura a todos. Particularmente, achei ótimo minha mãe e minha família gostarem do trabalho, pois temos gostos bem diferentes... (risos).


Whiplash!: Sim, vocês realmente passam esta sensação! “World... Desert?” mostra a banda com muita facilidade em expressar sentimentos. Qual é a idéia por traz de toda a metáfora apresentada no disco?

Pâmela: Genericamente, o CD trata de dor, de aflição, de solidão e de opressão. Esses elementos foram trabalhados em cada música com pano-de-fundo e intensidades diferentes. E todos esses sentimentos se originam da dificuldade que se tem em conviver e viver bem na sociedade. Por isso, elegemos a metáfora de um mundo deserto para representar os obstáculos que enfrentamos no dia-a-dia, a monotonia que é gerada pela padronização de condutas e a “aridez” das relações interpessoais.

Whiplash!: Outro ponto que chama muita atenção é o projeto gráfico, elaborado pelo próprio Ruy Alhadas, que acaba se tornando interdependente em relação às canções e até dando a impressão de que “World... Desert?” seja um disco conceitual. Toda a concepção visual partiu do próprio tecladista?

Ruy: Sim, o projeto gráfico foi elaborado por mim, mas todos na banda deram algum tipo de contribuição para a idéia. Cheguei a criar mais de 15 capas diferentes até chegar à arte final e desenvolver o resto do encarte. Minha idéia inicial era fazer uma arte para cada música e para isso teríamos de imprimir no formato de álbum, o que encareceria o trabalho. Como tudo saiu do nosso bolso, procuramos uma alternativa mais acessível e acabamos fazendo no formato com dobras. Particularmente, acho que não teria alcançado o mesmo objetivo se tivesse feito o encarte da outra forma, pois esse formato me possibilitou criar uma paisagem panorâmica, remetendo aos elementos abordados nas canções. Prédios, deserto, cores quentes e texturas de areia me ajudaram a completar as metáforas das letras. O que eu queria era dar um sentido para os elementos gráficos do disco.

Whiplash!: “World... Desert?” foi liberado no finalzinho de 2007. Talvez seja meio cedo para perguntar isso, mas como vem sendo a recepção do disco? Chega a ser deprimente que o mesmo tenha sido lançado de forma independente... Não houve nenhum contato, nem para uma distribuição planejada?

Everton: Estamos conseguindo vender bem o disco, mas acredito que as vendas e o processo de divulgação irão melhorar bastante com os shows e as resenhas que virão por aí. Estamos com o projeto de uma tour ao lado de outra banda daqui de Juiz de Fora, Thessera, assim como estamos na expectativa de sair reviews do CD em algumas revistas do gênero. Quanto à gravadora/distribuidora, decidimos dar a cara a tapa. Não quisemos esperar primeiro uma gravadora ou distribuidora para poder gravar o disco. E assim que foram finalizadas a mixagem e a masterização, partimos logo para prensagem, pois consideramos esse trabalho como nosso principal meio de divulgação da banda daqui para frente já que, como podem perceber, houve uma evolução. Estamos enviando o álbum para diversas gravadoras, tanto no Brasil quanto no exterior, mas não recebemos ainda nenhuma notícia. Estamos no aguardo de novidades.

Whiplash!: Se viver da Arte em geral sempre foi difícil, o que não dizer do ‘Rock Pesado’... Mesmo com uma proposta que tem tudo para cair nas graças de um público mais eclético, que perspectivas o Elevare tem em relação ao futuro?

Everton: Acho que não existe perspectiva e sim vontade de vencer. Ter apenas vontade de viver de música não é o bastante. Precisamos de vontade, sorte, coragem e estarmos sempre dispostos a fazer o melhor que pudermos. Para mim, seria um sonho viver só para tocar, assim como tenho certeza de que os outros membros da banda pensam assim. Sabemos que é difícil, mas estamos fazendo a nossa parte.

Whiplash!: Ok, pessoal, ficam aqui meus votos de Boa Sorte a todos. O espaço é de vocês para os complementos que julgarem necessários.

Everton: Em nome da banda toda, agradeço pelo espaço cedido, pois essa é uma forma do público nos conhecer e se interessar pelo nosso trabalho. Gostaria de deixar uma mensagem para as pessoas conhecerem mais bandas novas, aproveitar a tecnologia que está a nosso dispor e estarem sempre se atualizando, sempre procurando bandas boas, pois muitas delas existem e a gente nem sabe. Aproveito o espaço para convidar todos a visitarem nosso website (www.elevare.org) e a conferirem também nosso MySpace (www.myspace.com/elevare), pois, recentemente, disponibilizamos para escuta seis canções de "World...Desert?". Lembrando também que quem quiser comprar o nosso CD é só procurar a seção “vendas” no nosso site. Muito obrigado e ouçam a gente!

Contato:
http://www.elevare.org
http://www.myspace.com/elevare
elevare@elevare.org

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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