Di Lallo: música instrumental voltada ao Metal e ao Rock

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Por Maurício Dehò
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Denis Di Lallo é conhecido por seu trabalho nas guitarras e na formação do Andralls, banda de Thrash Metal formada em 1998. Três discos depois, além de um sem número de shows e a experiência de uma turnê européia, ele resolveu deixar a banda e seguir caminho solo. Montou o Barbed Wire (nome provisório, que pode ficar apenas como Di Lallo), seu projeto para gravar músicas instrumentais voltadas ao Metal e ao Rock N’ Roll. Confira a entrevista para saber como será o álbum, que deve sair no meio de 2008, com o nome de “Dream Interpretation”. Ele também falou sobre a saída da ex-banda, o cenário Thrash brasileiro e contou suas aventuras em solo europeu.

Whiplash: Conte um pouco de como surgiu a idéia de você gravar um disco instrumental, mostrando este outro lado como guitarrista.

Di Lallo: Essa é uma vontade antiga, mas como tinha muitos compromissos e obrigações na banda (Andralls), não tinha tempo para compor alguma coisa nesse gênero. Na verdade, eu não acreditava que conseguiria fazer isso sozinho, mas tinha certeza que um dia iria acontecer. Só não imaginava que seria tão rápido.

Whiplash: Por que a escolha do nome Barbed Wire, ou B-Wire?

Di Lallo: Na verdade esse é o nome de uma das faixas do álbum e não o nome da banda. Estamos o divulgando ainda como nome experimental, pois ainda não definimos o título definitivo, que provavelmente será “Di Lallo”. O B-Wire apenas representa uma guitarra com cordas de arame farpado, que á a tradução da palavra do inglês para o português.

Whiplash: Qual será a linha que você planeja seguir. Algo mais para os “guitar heros” ou usando sua influência do Metal mais extremo?

Di Lallo: O álbum é de Rock and Roll e em grande parte voltado ao metal. Eu sou fã dos discos de guitarristas, mas concordo que muitos deles acabam ficando chatos e maçantes ao grande público. E é isso que não quis fazer. Mesmo sendo um álbum instrumental, com muitos solos, quero que ouçam e curtam minha música. Estou fazendo algo que sempre quis fazer. As influências sempre vêm à tona, mas o álbum é bem diferente da linha Thrash.

Whiplash: Mas haverá faixas mais pesadonas?

Di Lallo: Sim, existem faixas mais pesadas, outras são mais tranqüilas, mas todas serão voltadas à temática de um álbum instrumental.

Whiplash: O que você fez para ter um som único, diferente de um CD de guitarrista ‘comum’?

Di Lallo: Acredito que a sonoridade do álbum é importantíssima para definir uma banda, portanto, optei pelo Rock and Roll. Nada tão agressivo, embora grande parte das composições soem metal. Busquei também trabalhar bem os temas das músicas e não somente ficar solando interminavelmente, deixando grande espaço também para a bateria e o baixo fazerem seus trabalhos.

Whiplash: E quais foram suas maiores influências no projeto?

Di Lallo: São os grandes guitarristas que aprecio: Marty Friedman, Satriani, Vai, Morse e atualmente estou buscando muita referência para minha música em guitarristas de Rock, como Ted Nugent.

Whiplash: Como tem funcionado o processo de composição, alguém trabalhou junto com você?

Di Lallo: Eu fazia as composições em casa ou no estúdio e depois combinava com o baterista do projeto, Adriano Bazzoli, para acertarmos os detalhes. Se necessário, a gente realizava alguma alteração para que as passagens ficassem mais claras. O álbum foi composto em aproximadamente oito meses de trabalho diário.

Whiplash: E a parte de produção e gravação, como está sendo?

Di Lallo: As gravações já foram iniciadas. A bateria do Adriano foi gravada em dois dias em meu próprio estúdio, o “Di Lallo Studio”. Teve a produção de Sidney Sohn Jr., profissional de alto gabarito no cenário nacional, que veio do Rio de Janeiro para contribuir também neste projeto. Assim como Thiago Grogia, um amigo pessoal antigo, que convidei para a linha de baixo.

Whiplash: Você escolheu como título do seu disco de estréia “Dream Interpretation”. O que te influenciou?

Di Lallo: Esse é um tema bem interessante, todos nós temos sonhos estranhos e nunca sabemos o que eles significam. “Dream Interpretation” é uma tentativa de você os interpretar. Alguns estudiosos – e muitos farsantes também – dão algumas respostas sobre isso, mas, acredito que seja algo mais complexo e que não tenha simplesmente um significado.

Whiplash: Você pensa em colocar alguma música com vocais ou o trabalho é 100% instrumental?

Di Lallo: O álbum será inteiro instrumental, mas terá algumas frases, algumas mensagens no meio das faixas, como se fossem sonhos ou pesadelos dizendo algo para você interpretar.

Whiplash: Você chamará alguém para uma participação especial?

Di Lallo: A única participação será do nosso produtor Sidney Sohn Jr. gravando teclados em três faixas.

Whiplash: Por falar do Andralls, como foi sua saída da banda, já que você foi um dos fundadores do grupo?

Di Lallo: Mesmo sendo um dos fundadores, eu estava me desgastando demais e tendo problemas de saúde porque vivia intensamente a banda. Não tinha tempo para mais nada. Minha família, mulher e amigos ficavam sempre em segundo plano e isso não era justo com eles, pois minha obrigação e responsabilidade com a banda exigiam que eu não parasse em casa. Então as idéias se tornaram muito divergentes e resolvi partir para esse meu projeto, onde consigo conciliar as duas partes. Mesmo compondo grande parte do disco novo da banda que tocava, resolvi deixar tudo para eles e compor um novo álbum. Sabia que seria difícil, mas sabia da minha capacidade e consegui me superar.

Whiplash: E por que você não voltou a integrar alguma banda do estilo, escolhendo trilhar este caminho que é até mais difícil, na música instrumental.

Di Lallo: Eu já recebi alguns convites, inclusive de bandas maiores que a anterior, porém, nesse momento, se eu a trocasse por outra do mesmo estilo, seria como trocar seis por meia dúzia, eu queria algo novo, que me desafiasse. Precisava realizar algo em que meu empenho fosse recompensado, algo me deixasse completamente satisfeito e feliz. Com relação à dificuldade, não me importo se é mais fácil ou mais difícil, a idéia é a minha satisfação pessoal. É o que todos nós devemos buscar em nossas vidas, curtir o que estamos fazendo, e isso não estava mais rolando com a banda anterior.

Whiplash: Como você vê o cenário do Thrash hoje em dia no Brasil? Quais as maiores dificuldades das bandas, que realmente tem tido um trabalho duro para conseguir um espaço?

Di Lallo: Existem muitas bandas boas e também muitas ruins. O grande problema é alguém investir nisso. As bandas precisam de condições para se apresentar. Se pensarmos em banda como profissão, acho justo que cobrem um cachê, muitas delas são extremamente profissionais, porém, os produtores dificilmente têm condições de cumprir o acordo, já que a galera também não tem dinheiro para ir a shows, e quando tem, prefere escolher uma banda gringa a uma nacional. Se um grupo quer tentar viver somente da música, tem que ir para o exterior, realizar uma grande quantidade de shows por lá, ganhar em euro e dólar e voltar para viver aqui. Se a idéia é ficar por aqui no Brasil, então um trabalho paralelo tem de dar suporte à banda, que é o que a maioria faz. Do contrário, é só esperar o tempo passar e as confusões começarem para que as bandas acabem ou desistam de vez do sonho, infelizmente.

Whiplash: No seu site, você fala das dificuldades de se viver só da música. Quais são os seus trabalhos paralelos?

Di Lallo: Tenho um estúdio de gravação, onde faço gravações para bandas de vários estilos, inclusive onde realizei minhas pré-produções e estou gravando meu disco.

Whiplash: Com o Andralls, você fez turnês fora do Brasil e foi à Europa. Como foi aquela experiência?

Di Lallo: A experiência foi ótima. Conhecer lugares tocando é a melhor coisa do mundo. Toquei em países como Itália, Alemanha, Áustria, Polônia e Holanda e pude ver que a real diferença entre Brasil e Europa é o poder aquisitivo. Mesmo em shows pequenos, as produções não deixaram a desejar, principalmente com relação a equipamentos.

Whiplash: Vale realmente a pena esse tipo de tour? Em que condições vocês tocaram lá?

Di Lallo: Uma vez sempre vale à pena, é uma experiência de vida mesmo, mas nessas condições eu não faria de novo, é muita preocupação para pouco retorno. A visibilidade da banda não aumenta satisfatoriamente e as dívidas só aumentam, tanto é verdade que não foram pagas até hoje.

Whiplash: E quais as maiores “aventuras” em terras gringas?

Di Lallo: A minha aventura foi dirigir 5.000km sozinho, sem nunca antes ter pisado na Europa. Conhecer a Itália, terra onde meu pai nasceu, foi fantástico e ter que dar explicações na delegacia de uma cidade de 1000 habitantes, foi inesquecível.

Whiplash: Bom, é isso, obrigado pela entrevista. Alguma consideração final?

Di Lallo: Agradeço mais uma vez o espaço e convido todos a conhecerem meu trabalho, que será lançado até o meio do ano de 2008. Se você é um amante de guitarra, Metal ou apenas curte um bom e velho Rock and Roll será bem vindo. O que você sonhou esta noite? (risos)

Site oficial: www.dilalloguitar.com

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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