AC/DC: "foram os ciúmes", diz Evans sobre sua saída

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Por Daniel Faria, Fonte: Blasting-Zone.com, Tradução
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O Blasting-Zone.com conduziu em dezembro de 2007 uma entrevista com o vocalista original do AC/DC, Dave Evans, que falou sobre sua saída da banda.
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Blasting-Zone.com: Como você se tornou inicialmente envolvido com o AC/DC? Parece que suas origens exatas com o grupo são um pouco misteriosas...

Dave Evans: "Bem, eu estava com uma banda australiana na época, em 1973, chamada VELVET UNDERGROUND, que era a versão australiana do VELVET UNDERGROUND. Enquanto eu estava com aquela banda, eles costumavam falar sobre um guitarrista, Malcolm Young, que era o irmão mais novo do famoso George Young, do THE EASYBEATS. Eles finalmente se separaram e eu estava procurando uma nova banda, obviamente. Eu respondi um anúncio no Sydney Morning Herald de uma banda de Heavy Rock baseado em FREE, THE ROLLING STONES e esses tipos de coisa. Quando eu liguei para perguntar sobre o anúncio, a pessoa do outro lado da linha era Malcolm. Ele disse 'qual é o seu nome?' e eu disse 'Dave Evans' e ele disse 'Oh, Dave'. Ele sabia quem eu era porque ele mantinha contato com os outros membros do VELVET UNDERGROUND. Então ele e dois outros caras, Colin Burgess na bateria que já era famoso por causa do MASTERS APPRENTICES, que era uma grande banda na Austrália, e outro cara, Larry van Kriedt no baixo, alguém que eu nunca tinha ouvido falar, disse 'venha aqui rápido'".

"Então eu fui lá e encontrei-me com Malcolm pela primeira vez. Eu estava realmente ansioso para conhecer Colin Burgess porque ele já era uma grande estrela quando eu ainda estava na escola, claro. Nós tocamos juntos, foi ótimo e apertamos mãos e dissemos 'nós temos uma banda'. Mais ou menos uma semana depois, Malcolm nos informou que o irmão dele mais jovem Angus e a banda dele KANTUCKEE tinham se separado e queria saber se podia ensaiar conosco. Nós todos concordamos com aquilo e Angus veio e tocamos com ele, e foi ótimo, claro, então todos apertamos as mãos de novo. Foi assim que a banda se juntou".

Blasting-Zone.com: Em que ponto você percebeu que seu tempo com o AC/DC estava chegando ao fim? Foi um processo gradual ou teve algum incidente único que criou a sua saída?

Dave: "Bem, eu acho que o ciúme mediocre começou com um ou dois membros da banda. Alguns caras ficam com ciúme quando você está pegando muitas meninas (risos) e os outros caras não. Eu não prestei muita atenção nisso, mas isso foi piorando e piorando até que eu estava praticamente saindo sem eles. Nós tínhamos nossas pausas e eu estava decepcionado porque a banda estava desperdiçando tempo. Nós tínhamos um álbum de sucesso nas nossas mãos e eu era muito popular com a banda. Era só uma coisa pessoal de alguns membros. Mas realmente chegou uma hora que não dava mais, suponho, em Adelaide, quando eu encontrei o manager. Nós estávamos preocupados com aonde todo o dinheiro estava indo. Nós estávamos fazendo shows grandes... nós tínhamos tocado na Sydney Opera House, nós tínhamos todos os shows na TV, nós tínhamos um Top 5 e ainda assim estávamos juntando pouco dinheiro. Então estávamos todos um pouco preocupados com o que estava acontecendo. Eu tenho certeza que se o manager tivesse explicado a nós para onde todo o dinheiro estava indo, teria sido melhor, mas nós não sabíamos o que estava acontecendo e a coisa chegou ao limite de uma vez".

"Eu aprendi rapidamente que você não deve bater no manager (risos). Foi o fim de tudo, realmente. Mas nós ainda tínhamos que partir de Adelaine para ir a Perth porque nosso disco ainda estava no Top 5. Então fomos até lá por três ou quatro semanas e foi fantástico. Nós fizemos todos os shows grandes e tudo mais, mas naquela época, eu não estava mais falando com o manager e os outros caras não estavam falando comigo (risos). Eu ainda estava me divertindo demais. Eu estava tendo uma experiência fantástica. Eu ainda era muito popular com a multidão e com as mulheres e todas essas coisas, mas quando você não está falando com membros centrais da banda e o manager (risos), você sabe que tem alguma coisa acontecendo".

"Eu não estava feliz com a banda. Eu queria ao menos receber algo. Então ia ter essa reunião importante, esse encontro decisivo. Eles simplesmente decidiram que eu estava fora e disseram 'aqui está o seu ticket de volta para Melbourne para amanhã cedo'".

Blasting-Zone.com: Em retrospectiva, você acha que RABBIT deveria ter tido mais sucesso comercial?

Dave: "Eu acho, sim. Nós certamente vendemos nossos discos no Japão. Naquela época, você realmente tinha que ter o apoio da sua gravadora para ir para fora. Eram poucas as bandas da Austrália que iam para fora naquela época. Na verdade, quando o AC/DC foi, foi uma coisa grande. Eles pegaram as malas e foram. Custou muito dinheiro, você tinha que ter conexões com certas pessoas... era simplesmente difícil. Era uma grande coisa. Hoje em dia não é tão difícil. Você tem a internet e você pode fazer amigos do mundo inteiro. Você pode entrar em contato com agentes diretamente, se quiser. Você pode se comunicar diretamente com gravadoras. Nós matávamos! Em todo lugar onde íamos, nós eramos uma banda selvagem dentro e fora do palco. Tínhamos um visual legal com calças apertadas, botas, pulseiras e coisas assim. Era ótimo. E então apareceu o KISS um ano depois com roupas semelhantes e isso nos irritou (risos)".

"Eu disse para os caras: 'se eles tiverem um hit... esses caras do KISS da América, então estamos danados porque todo mundo vai achar que nós é quem os copiamos'. Nós estávamos em Melbourne fazendo a turnê e eu sintonizei numa estação de rádio que tocava 'Rock and Roll All Nite'. Foi um hit imenso, claro, e um instante depois em alguns dos jornais nós começamos a ver 'Oh, RABBIT... eles estão copiando o KISS'. Assim que eu vi aquilo, foi o fim. Eu disse para os garotos, 'Temos que tirar esse visual. Nós não estamos copiando nenhum bastardo', sabia?"

Blasting-Zone.com: Quais são seus projetos atuais no sentido de uma turnê? Estou supondo que você escursionará tanto quanto for humanamente possível quando 'Sinner' for lançado.

Dave: "Bem, a Destroy All Records, meu empresário e eu estamos trabalhando numa tour nos Estados Unidos no início do ano que vem durante a primavera, quando o clima estiver um pouco melhor. Mas eu também ganhei um novo agente, Lane Productions... eu quero voltar à Europa, claro, mas aí o motivo que me fez vir para os EUA foi que eu quase não sou conhecido aqui. Sou conhecido na Europa, Australia e outras partes do mundo como a América do Sul, mas nos EUA sou praticamente desconhecido, então chegou a hora de eu ir para lá. A única forma de ser conhecido por alguém é ir lá, se apresentar e causar problemas (risos). E isso é o que eu tenho feito (risos)".

Blasting-Zone.com: Com quais músicos está trabalhando? Alguém de notoriedade nacional ou internacional?

Dave: "Estou trabalhando com alguns caras locais de Dallas. Levei um certo tempo para achar os caras certos. Eu devo admitir que passei por muitos guitarristas e bateristas (risos). Esse tipo de música soa fácil de tocar, mas não é. Tudo é atitude. Essa é a convicção na música. Eu cresci com essa música. Para mim essa atitude dura é uma coisa pessoal. Não é uma coisa fingida. Não é uma banda qualquer de cover de AC/DC. Você se pergunta por que as bandas de cover de AC/DC não soam como AC/DC... bem, é porque são bandas cover. AC/DC é a coisa verdadeira e essa música é a coisa real, também. Me levou um bom tempo para conseguir achar os caras certos... eles têm que ser capazes de tocar a música e têm que fazer as coisas certas para tocar esta música. Eles são caras locais... caras experientes, mas não tem grandes nomes nesta banda. Mas eles foram e viram o inferno comigo, acredite (risos). Eu não sou chamado "o rei dos maus" ('the king of all badasses') a troco de nada, camarada".

A entrevista completa está no blasting-zone.com.

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Sobre Daniel Faria

Nascido em 1977, cresceu em um lar onde rock progressivo dominava as ondas do ar. Aos 12 anos, com a compra de "Paranoid" (Black Sabbath) tudo mudou e o metal gradualmente passou a ser o som predominante em casa. Estudou Computer Science / Applied Science pela Concordia University (Montreal, Québec, Canada) e hoje vive em um vilarejo rural em Simcoe County, centro-sul de Ontario, Canada.

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